Meios e Mídias

“The” Alice? There’s been some debate about that.

Vamos brincar de jogo de associação de palavras? Volte no tempo um pouco, antes do anúncio da filmagem de Alice in the Wonderlands. Eu digo para você “Tim Burton”, o que vem a sua mente? Helena Bonham-Carter e Johnny Deep?! Ok, segue daí, o que mais vem a sua mente? Na minha vem logo Edward Mãos de Tesoura, a Noiva Cadaver e O Estranho Mundo de Jack. Se eu continuar a partir daí, palavras como fantasia, realismo fantástico e surrealismo vão pipocar na minha mente. E daí pra Lewis Caroll e Alice no País das Maravilhas seria um pulo. Por isso sorri de orelha a orelha, igual ao Cheshire Cat, quando soube que Tim Burton iria filmar esse clássico dos clássicos! Contingências fizeram com que eu não pudesse ver o filme no cinema, e o vi somente agora, quando ele passou na HBO HD. Foi o quanto durou meu sorriso.

Não me entenda mal, eu não sou purista. Sou totalmente pró liberdade poética e acho que filmes não são livros e vice versa, então não espero ver transcrições literais quando uma adaptação de livro chega as telonas (o mesmo vale para HQs, diga-se de passagem). Respeito muito essa coisa de interpretações autorais e de fato, fico até curiosa para saber como um determinado produtor/diretor/roteirista/ator vai conceber um determinada história/personagem de forma a torná-lo novo, e ainda assim, reconhecível.

Mas o problema aqui é: Tim Burton filmou Alice no País das Maravilhas? “A” Alice? Bom, é discutível. (A seguir, spoilers… leia por conta e risco!) Continue lendo ““The” Alice? There’s been some debate about that.”

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Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

Imparcialidade, esse conto da carochinha…

A física quântica deu o coup de grace no que as ciências humanas já há muito tinham decretado a falência múltipla de órgãos: a tal da imparcialidade. Partículas subatômicas mudam de comportamento quando passam de não observadas para observadas. O simples olhar do observador inviabiliza a imparcialidade. Ao olhar, simplesmente olhar, o observador que almejava imparcialidade, passa de estudioso à parte do objeto de estudo, e seu olhar determina o comportamento do observado.

Então quando leio algo como “espera-se uma resenha imparcial”, eu fico pasma, procurando entender em que língua morta e enterrada essa frase foi escrita. Como assim uma resenha imparcial? Ao resenhar, eu estou dando descrevendo as características de um produto, o que é impossível sem deixar, nem que seja nas entrelinhas, a minha opinião. Procurem no dicionário: Opinião -> s. f. Juízo ou sentimento, que se manifesta em assunto sujeito a deliberação. Se sou incapaz de observar uma partícula subatômica sem alterá-la, como posso escrever um texto, sobre o que quer que seja, sem me tornar parte daquilo que escrevo e ser, por definição, parcial e opinativa?

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Lendo… (4)

Continuo exercitando a minha natureza eclética. Estava meio que enrolando pra ler esse, meio intimidada pela resenha, mas uma folheada pelos curtos capítulos e pela poesia em prosa me fizeram agarrar o livro e já devorei os primeiros capítulos. Na cabeceira agora é Leite Derramado, do Chico Buarque.

Leite Derramado
Leite Derramado

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. (sinopse da Saraiva)

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Lendo… (3)

Dando vazão ao meu amor pela literatura fantástica e pela arte sequêncial gráfica (termo cunhado pelo maravilhoso Will Eisner), vamos a outro livro?  Não se assuste com o tamanho: é um livro voltado na verdade ao público infanto-juvenil, uma boa parte do livro é arte sequêncial (as ilustrações contam a história) e  é um texto mais tranquilo  então tudo isso se dispersa nas mais de 500 páginas. Lendo: A invenção de Hugo Cabret de Brian Selznick.

A Invenção de Hugo Cabret

Prepare-se para entrar em um mundo onde o mistério e o suspense ditam as regras. Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. esgueirando-se por passagens secretas, Hugo cuida dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas.
A sobrevivência de Hugo depende do anonimato: ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Continue lendo “Lendo… (3)”

Meios e Mídias

Lendo… (2)

E como eu mudo de água pra vinho, e de alho pra bugalho, já terminei o livro que comecei anteontem e comecei um novo. Dessa vez ao invés de um tratado filosófico, a leveza d’O Melhor das Comédias da Vida Privada, do Luis Fernando Verissimo.

O Melhor das Comédias da Vida Privada
O Melhor das Comédias da Vida Privada

Verissimo sabe como ninguém transformar em riso as sutis tiranias, as infidelidades, as paixões fulminantes, os ódios mortais. Em O Melhor das Comédias da Vida Privada o escritor gaúcho escolheu suas histórias preferidas do livro que se tornou um clássico do humor brasileiro nos anos 90, numa seleção imperdível que inclui 35 novas crônicas, inéditas em livro. Da crítica política, passando pela comédia de costumes, até a radiografia dos relacionamentos amorosos, este volume reúne histórias engraçadas, delicadas e confessionais que revelam nossas pequenas e grandes tragédias cotidianas. Continue lendo “Lendo… (2)”

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Lendo… (1)

Essa será uma série de posts sucintos, para dizer o que estou lendo. Desde que fiquei doente, e concentração e visão foram afetados, ler deixou de ser algo que eu fazia de forma orgânica.  Já tem algum tempo que estou me forçando a pegar livros e ler, e insistir até compreender e gostar novamente. Mas quero fazer isso de forma sistemática, e talvez ao postar aqui o que estou lendo, eu me obrigue a isso.

Para primeiro post, porque eu subverto e teimo, e pra mim um assunto só morre quando eu não tenho mais nada a dizer e a aproveitar sobre ele, estou lendo “A Filosofia de LOST” de Simone Regazzoni.

A filosofia de Lost
A filosofia de Lost

A série mais assistida dos últimos tempos, Lost revolucionou a narrativa na tevê ao contar a saga dos sobreviventes da queda do voo Oceanic 815 em uma misteriosa ilha do Pacífico. Os conflitos, as histórias e as reviravoltas decorrentes desse acidente conquistaram uma legião de fãs. Mas o que teria a filosofia a dizer sobre o programa mais comentado na atualidade?

(Sinopse da Livraria Saraiva) Continue lendo “Lendo… (1)”

Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

Lost e o Realismo Fantástico (pra quem não gostou de LOST)

Já deu? Chega de Lost? Bom, há controvérsias. Ao responder em alguns blogs que falaram do fim de Lost, eu ainda estou recebendo ainda hoje, os novos comentários que esses posts receberam, e notei uma coisa: num primeiro momento era um embate equilibrado sobre quem gostou e quem não gostou, agora, parece que é um assunto em pauta apenas pra quem não gostou.

A idéia é que quem gostou já absorveu isso em suas vidas e tocou em frente, de forma análoga aos personagens da série. Quem não gostou ainda está remoendo a história do fim. E o protesto é sempre o mesmo: Não respondeu às perguntas e foi um final novela das 8.  Aí eu peço desculpa pela prepotência: Vocês não entenderam nada!  Não é o fato de ter gostado ou deixado de gostar que me diz que vocês não entenderam. Gostar é uma questão de escolha pessoal e pronto. Tem gente que gosta de jiló, tem gente que não.

A questão é que os motivos de vocês não terem gostado remetem ao fato de vocês terem comprado gato por lebre. Lost não é um livro de Ágata Christie, está muito mais pra um de Gabriel Garcia Marques… Continue lendo “Lost e o Realismo Fantástico (pra quem não gostou de LOST)”