Crônicas do Cotidiano · Paradigmas e comportamentos

Desvia e rebate: a técnica preferida de quem não saber argumentar

Um post críptico para bom entendedor, onde meia palavra basta e ponto é letra….

Duas pessoas se encontram nas ruas da internet (sabe aquele lugar onde todo mundo é macho pra caramba? Pois é, lá mesmo!). Uma odeia a outra, embora a contrapartida não seja verdade. Poderia ser, mas por acaso não é. É apenas um ilustre desconhecido que por A+B-C resolveu que o interlocutor é motivo de seu ódio supremo. Inverossímil? Oh, acredite, isso acontece. Então, duas pessoas se encontram em um site sobre receitas num tópico de picadinho de carne (é, eu sei, eu e meus exemplos surreais) onde se condenava o uso da salsa para temperar picadinho. O sujeito A, que nem foi quem começou a conversa, concorda que temperar a carne com salsa não picada e não lavada estraga o picadinho. O outro acha que fica uma maravilha e que é um absurdo, uma heresia, reclamar da salsa que estraga o picadinho, sendo que essa era apenas a opinião de quem começou o assunto.  Resolvem discutir acaloradamente.

Continue lendo “Desvia e rebate: a técnica preferida de quem não saber argumentar”

Anúncios
Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Os afetos, os desafetos e as leis da física

A vida é essa sucessão de histórias que se entrelaçam. Pessoas que vão, vem, cruzam seu caminho das mais variadas maneiras e cujas histórias imprimem marcas na sua vida e vice versa. Boa parte do tempo, você não pensa neles: os afetos e desafetos que ficaram caminho a fora. Mas eles estão lá, são impressões indeléveis, sutis ou não, na sua história.

Durante algum tempo eu tive essa semi-angústia relacionada aos desafetos. Explico. Eu tenho uma daquelas consciências ultra-mega-hiper-super-limpas de que nunca, mas nunca mesmo, fez algo intencionalmente pra magoar alguém. Não vou dizer que caí de amores por todo mundo que cruzou meu caminho. Sentir antipatias, muitas vezes injustificadas e não provocadas, é parte da natureza humana. Gente se agrupa de acordo com interesses em comum, química, leis do magnetismo que atraem ou repelem. Mas nunca me peguei num momento do tipo “não-gosto-de-fulano-então-vou-fazer-isso-pra-que-ele-se-ferre”. Meu potencial sádico tende a zero e nunca tive prazer no sofrimento alheio, por mais desagradável que fosse o alvo potencial. Embora me pegue em momentos invejosos do tipo “quero também” (e ênfase no também), nunca, mas nunca mesmo, tive sequer o pensamento, que dirá ação, no sentido de se não tenho (ou não tenho mais), fulano não pode ter. Também nunca fui do tipo – e isso pode explicar porque mais de uma oportunidade me escapou pelos dedos e porque já perdi o trem da história incontáveis vezes – capaz de pisar em alguém para conseguir um objetivo. Gente pra mim não é escada e me é impossível escalar cabeça por cabeça pra chegar onde quero chegar. Eu peço licença (burra eu, né?), e torço pra que saiam do meu caminho a tempo de pegar o tal trem da história.  Até hoje, tática mal sucedida, mas sem pretensões de modificá-la. Continue lendo “Os afetos, os desafetos e as leis da física”

Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

Imparcialidade, esse conto da carochinha…

A física quântica deu o coup de grace no que as ciências humanas já há muito tinham decretado a falência múltipla de órgãos: a tal da imparcialidade. Partículas subatômicas mudam de comportamento quando passam de não observadas para observadas. O simples olhar do observador inviabiliza a imparcialidade. Ao olhar, simplesmente olhar, o observador que almejava imparcialidade, passa de estudioso à parte do objeto de estudo, e seu olhar determina o comportamento do observado.

Então quando leio algo como “espera-se uma resenha imparcial”, eu fico pasma, procurando entender em que língua morta e enterrada essa frase foi escrita. Como assim uma resenha imparcial? Ao resenhar, eu estou dando descrevendo as características de um produto, o que é impossível sem deixar, nem que seja nas entrelinhas, a minha opinião. Procurem no dicionário: Opinião -> s. f. Juízo ou sentimento, que se manifesta em assunto sujeito a deliberação. Se sou incapaz de observar uma partícula subatômica sem alterá-la, como posso escrever um texto, sobre o que quer que seja, sem me tornar parte daquilo que escrevo e ser, por definição, parcial e opinativa?

Continue lendo “Imparcialidade, esse conto da carochinha…”

Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

Sim, eu falo mal de Justin Bieber, BBB e Tormenta. E explico por que…

O termo fenômeno vem do grego phainestai e significa aparecer. Então, fenômeno é qualquer coisa da qual possamos ter consciência. Na linguagem coloquial, acabamos por adotar “fenômeno” como aquilo que se destaca, que é notável não por ser passível de ser notado, mas por se destacar entre os demais.

Entretanto, as coisas se destacam por diversos motivos e, mesmo que concordemos que se destacar é um mérito em si mesmo, o ato de destacar-se não denota uma qualidade intrínseca daquilo que se destacou.

LEIA O RESTANTE DESSE ARTIGO NA REDERPG