Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

A Inteligência e a Hipocrisia – Carta Aberta ao Sr. Carlos Nascimento

Caro Sr. Carlos Nascimento,

Eu não sei se já fomos mais inteligentes, mas concordo, não somos esse primor de inteligência todo que arrotamos por aí. E quando digo nós, me refiro a esse coletivo humano, do qual eu, e, salvo algum engano, o senhor também faz parte.

Porque esse coletivo assiste BBB, esse programa que promove, dentro e fora da casa, o pior do que nos faz humanos, percorrendo essa linha tênue e fronteriça entre o simplesmente abjeto e o crime.  Mas esse mesmo coletivo é o que assiste A Casa dos Artista, da emissora da qual o sr. faz parte, ou A Fazenda, ou qualquer outro programa simulacro de realidade onde os participantes são estimulados a praticar o pior ao invés de promover o melhor…

E quando um crime (ou simulacro de crime) acontece, esse mesmo coletivo relativiza, coloca panos quentes, acha absurdo discutir e cala a boca dos poucos que ousam fazer o impensado: Pensar. Usar o lamentável ocorrido para discutir os direitos de mulheres e homens, o direito ao não, o direito ao próprio corpo, as noções de dignidade, o estado da lei e as responsabilidades individuais e coletivas, é, sem sombra de dúvida, remar contra a corrente. Insistir na discussão mesmo sob o clamar de uma voz unissona que afirma que a questão é um problema da justiça e/ou dos envolvidos deve ser mesmo uma prova cabal de falta de inteligência. Ou será que não?

Entretanto, é fato que discutir o paradeiro de Luiza (Luiza quem?) não é lá muito inteligente. Nisso havemos de concordar. Mas apenas porque Luiza no Canadá é um bordão, um meme, uma piada interna que extrapolou os limites de um pequeno grupo graças ao poder da internet (mesmo poder que trouxe o assunto do estupro à quem não assiste BBB, e que impede que a mídia televisionada e escrita controle a informação como fazia em tempos idos). Luiza no Canadá é para rir, descontrair, relaxar… Atividades necessárias para aliviar as pressões do cotidiano e manter o cérebro fazendo o que deveria fazer de melhor: Pensar.

Então não sei se já fomos mais inteligentes, mas com certeza já fomos menos prepotentes, pois hoje parece que achamos  que todos os problemas do país, quiça do mundo, são culpa de termos feito uma piada com uma ilustre desconhecida que fazia intercambio, ou de termos tido a burrice de discutir questões conceituais como a natureza do estupro, os limites do corpo, a responsabilidade legal de emissoras de televisão… Ou de que apenas quando todos os problemas brasileiros e mundiais estiverem resolvidos nos é dado o direito de rir ou de expressar nossas opiniões.   Definitivamente já fomos menos arrogantes, quando não achavamos que cabia a nós determinar quais os assuntos relevantes que devem e, em última análise, podem, ser discutidos pela população de um país em uma internet que ainda é livre.  Ou o que pode nos fazer tirar do nada um riso inconsequente por uma piada ou bordão.  E sem sombra de qualquer dúvida, já fomos menos hipocritas, de ir em rede nacional apontar os supostos defeitos dos quais somos plenos também.

Todos nós. Burros, prepotentes, arrogantes e hipócritas. Menos, é claro, a Luiza, que pra sorte dela estava no Canadá.

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Por que só me resta protestar…

Durante anos eu cantei a pedra. Fui acusada de ranço intelectualóide e paternalismo. Ok. Em nome da diversidade eu deixei passar. Quando aconteceu eu fiquei quieta um tempo, processando… Me dei ao trabalho de ver o vídeo. Ler diversos textos. E aí comecei a soltar o verbo.

E o fiz porque qualquer interpretação (e infelizmente até o óbvio é passível de interpretações conflitantes) é tão abjeta, tão impossível de defesa, que só me resta o protesto. Vazio. Inconsenquente. Com o único objetivo de desopilar meu fígado e justificar meu desprezo generalizado pela tal da raça humana.

Não vou detalhar o contexto… todo mundo sabe. Todo mundo foi bombardeado por isso zilhões de vezes nas redes sociais, mesmo os que como eu, se recusavam peremptoriamente a tomar ciência de mais uma edição da encubadora de mediocridade e degradação humana, o tal do BBB. E algo rolou sob os edredons, prática já famosa nessa porcaria de programa… mas dessa vez entre uma dona desacordada ou no mínimo muito próximo disso e um sujeito que já tinha levado um não dessa mesma dona. Eu realmente não sei na língua e no mundo de vocês, mas no meu dicionário isso é estupro. Continue lendo “Por que só me resta protestar…”

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Meu nome é Khan, e eu não sou um terrorista

Não sou fã do cinema Bollywood. Por isso por muito pouco o filme não me escapa. Agradeço a minha inabilidade a lidar com minha recém adquirida SkyHD e ter apertado o botão errado no controle remoto. Era começo da madrugada e assisti um trecho, justamente quando Khan conhece Mandira. Ele era tão pueril, doce, que fiquei uns instantes assistindo. Em dado momento ele dá um piti com um casaco amarelo da Mandira e me lembrei de uma amiga. Fiquei curiosa de ver como o filme ia se desenrolar, e o gravei para assistir mais tarde. Fico muito feliz que eu tenha feito isso.

Contém alguns spoilers. Não o suficiente, eu acho, para estragar o filme, mas é sempre bom avisar…

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