Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Regidos pelo caos

Mamãe e papai me ensinaram a ser uma boa menina: O bem vem para quem faz o bem. Mas num universo regido pela teoria do caos, onde todo sistema é complexo e todos as influências relevantes eu nunca entendi muito bem como essa história de fazer o bem se encaixa no girar das engrenagens. Em certas horas a gente entende perfeitamente por que o homem precisa tanto da noção de deus e da religião.

Eu não sei ser prepotente a ponto de ser atéia. Então não sei se deus é uma idéia inventada ou se é simplesmente um conceito que não podemos atingir com seus tais planos misteriosos escritos em linhas tortas e letra de médico. Me contento em ser agnóstica e dizer que não sei se deus existe e que se existe, não cabe a mim compreendê-lo em sua totalidade. Mas a verdade é que existindo ou não, é um conceito necessário. Porque tem certas horas que o único, mas único consolo que o ser humano pode ter é dizer entredentes: “Deus tá vendo…”

Vendo o esforço. Vendo a tentativa muitas vezes vã de trocar o bem pelo bem. Vendo a impotência frente ao caos. Simplesmente vendo. E anotando nossos pontos em algum caderninho surrado, e nos dando um vale-brinde de pós-vida, céu, wherever… Porque por aqui a coisa tá feia! Continue lendo “Regidos pelo caos”

Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Sobre o incomensurável universo e a eventual existência de deus

O universo é infinito e em expansão. Um dia desses, apesar do meu desejo emocional por acreditar em outra coisa (como o atrito da gravidade impelindo o tudo para seu movimento reverso, e voltando a si mesmo para um novo abraço em um big crunch), ele irá se desfazer e ainda assim permanecer sem começo e sem fim, disperso em nuvens de matéria, tão distantes umas das outras, carente de quaisquer energia livre capaz de sustentar movimento ou vida, em um estado de entropia suprema, desfeito e ainda assim existente. O universo é infinito e em expansão, e sem sombra de dúvida, detentor dos mistérios da existência, renitentes às tentativas dos astrofísicos de fazê-lo caber em uma única explicação.

O homem, essa formiga cósmica curiosa e insignificante, povoa o infinito com suas lentes potentes, e registra o absoluto ainda que incapaz de compreende-lo em sua total magnitude. Eu não sei se existe uma força superior, uma energia suprema que atribui significado aos movimentos entrópicos. Gosto as vezes de elocubrar a respeito, metafisicamente distante e próxima, e teorizar que a primeira energia, que continha em sí as forças primordiais do universo e que ao se expandir criou o espaço existente onde nada havia, com força tão inimaginável que do nada criou o infinito, era essa tal força, energia e saber inicial e onisciente, que se espalhou em fragmentos e nos fez não de barro, mas de pó de estrela. Eu não sei se é fato, mas chamo de deus essa matéria primeira que hoje é infinita, e em expansão. E apesar da nossa curiosidade igualmente infinita, a resposta, se existe, não se dará em provas científicas mas em epifanias individuais, relativas como tudo mais no universo. Continue lendo “Sobre o incomensurável universo e a eventual existência de deus”