poesia

Apenas não.

Não crie expectativas, eles disseram.

Crie ovelhas, gatos e porcos.
Crie bruxas, borboletas e libélulas.
Crie raízes ou asas.
Mas não crie expectativas.

Expectativas são sempre traiçoeiras
espreitam por todo o dia
são tua sombra mesmo em ruas escuras
instigam o teu desejo de controle
E todos os defeitos escondidos.

São buracos negros que nunca se preenchem
Te prendem em túneis profundos
Cobram dos outros.
Cobram de ti.
Apenas cobram.
E te cobrem.

Não crie expectativas.
Não planeje.
Não preveja.
Não deseje.
Só não.

E quando não houver mais nada a esperar,
durma.

Não crie expectativas.

Não crie nada.
Nem tumulto, nem problema, nem trabalho.
Não crie.
Fique em silêncio
Em estóica contemplação.
Virtuoso que nada cobra.
Nada espera.
Nada quer.

Não, não crie expectativas.
Nem sonhos.
Estátua viva a passar incólume pelo mundo
com sua impressão de carbono irrisória
E o sorriso complacente.

Não
crie
expetativas.

Apenas não.

 

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