poesia

Eu sou uma pessoa de muitas querências. Querer é um verbo que me perpassa, muitas vezes me define. Mas apenas quero, não invejo.

Eu não tenho inveja de quem tem dinheiro.
Eu não tenho inveja de quem tem posses.
Eu não tenho inveja sequer de quem está apaixonado.
Eu não tenho inveja de quem tem bom senso, lucidez, ou se mistura no fluxo da normalidade.


Eu não tenho inveja de quem tem paciência, tranquilidade, segurança.
Eu não tenho inveja de quem faz amigos fácil, se relaciona com estranhos, gosta de gente.
Eu não tenho inveja de nada. Absolutamente nada, exceto uma. Grande, que me consome, me mastiga por dentro todos os dias. Cria ao meu redor esses muros intransponíveis, e cujo eco provoca avalanches que me soterram mal o dia iniciou.

eu tenho inveja, profunda e avassaladora inveja, de quem tem fé. Continue lendo “Fé”

Pensamentos Aleatórios

O tudo e o nada.

De todas as mortes no RPG que meus personagens tiveram, a que mais me marcou foi uma em Kult, onde minha personagem, na fronteira do nada, no princípio dos tempos, se perdeu da trilha e deixou de existir. Foi paulatinamente esquecida. Esse jogo, coisa de duas décadas atrás, aconteceu com uma pessoa que definitivamente não existe mais. Guardo semelhanças, mas se eu me encontrasse com essa eu de antes, na rua sem aviso, era capaz deu não me reconhecer. E definitivamente não seria capaz de me entender.

Em retrospectiva, a personagem apagada da existência. Não deixou marcas. Ninguém a carregar algum fardo. Sem sentir ou deixar nenhum sofrimento. Sem manter nenhuma responsabilidade ou laço com o real, porque simplesmente nunca foi, me parece muito mais uma dádiva, uma generosidade da entropia, com ela e para com os seus. Cujas vidas poderiam até ser menos ricas sem ela, mas nesse contexto imaginário, nunca saberão porque nunca souberam. Assim como ela, porque nunca foi.
O niilismo supremo, mergulhado em balsamos para as culpas cristãs, os fardos que carregamos, as razões porque não desistimos de tudo, hoje, agora, da próxima vez que ficar tudo dificil…

Enfim, elucubrações filosóficas… Eu não fui talhada para a morte, quase tanto como não fui talhada para a vida.
E na esfera dos desejos impossíveis, fantasiosos e imaginários, apenas o deixar de ser.