Reminiscências

Sobre perdas e dores.

Meu pai morreu fazem 6 meses hoje. É tanto sofrimento condensado dentro da gente, que parece que fazem 6 anos. Ou 6 dias. Eu não sei ao certo. Dói sempre como se fosse agora, mas há uma eternidade em tempo de correntes se arrastando desde do dia que eu recebi a notícia.

Lembrei dele hoje. Como lembro todos os dias. Mas não lembrei que faziam 6 meses. Esses dias pra trás andei especialmente triste. A gente tinha adotado um bichinho silvestre em necessidade que nos ajudou a passar pelo primeiro natal sem o pai, um canal de amor, sabe? E fiquei sabendo que ele havia morrido. Soube depois, bem depois, poque eu sou esse mar de instabilidade ambulante, que tem 6 meses que não sabe onde fica o chão, ou o teto, como mergulhador de caverna, se guiando por instinto, torcendo pra ter calculado certo o ar… E ai ninguém quis me contar.  Entendo. Eu não queria ser o portador de más notícias pra quem chora sem motivo aparente a cada um passo ou dois, e fica olhando perdido pra frente, e passa cada dia esperando pelo próximo chegar.  Bem entendo. Continue lendo “Sobre perdas e dores.”

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Crônicas do Cotidiano

O Sinistro

Demorou a cair a ficha. Os primeiros meses do ano são áridos financeiramente e eu não estava esperando. Acho que o pior foi não estar esperando.  Porque eu sempre estou esperando. Boas coisas, coisas ruins, eu traço cenários até dormindo. “E SE?” é minha expressão favorita e eu memorizo possibilidades de tanto medo das surpresas. O CID 10  chama de Ansiedade Generalizada. Eu chamo de outra terça feira.

Comecei o dia meio mal dormida, chegando cedo no trabalho, e antes de pegar no batente fui pagar uma conta. O saldo me causou estranheza.  Pela hora do dia, as contas agendadas teriam já batido, aquele dinheiro não fazia sentido. Pedi o estrato. Continue lendo “O Sinistro”

Crônicas do Cotidiano · Palavra que cura

Sobre colheres, motivação e outras histórias.

Eu queria muito explicar pra vocês sobre a Teoria das Colheres, mas estou cansada e acho mesmo que gastei minha penúltima colher vivendo mais uma semana da forma mais produtiva, sociável e positiva que me foi possível.

Todas as vezes que as vozes (opsss) que reverberam dentro de mim gritam sem piedade o quão fracassada, limitada e ridícula eu sou, eu listo para mim mesma todas as coisas que andei fazendo, inacreditavelmente incríveis, que incluem ter levantado da cama e passam por tarefas bem executadas e em dia que aparentemente nem todo mundo é capaz de fazer no meu lugar.  Mas não é fácil. As vozes gritam alto e eu já nasci rouca. Continue lendo “Sobre colheres, motivação e outras histórias.”