Crônicas do Cotidiano

Só mais 5 minutinhos…

Eu sou insone e estou desempregada. Isso em um mundo perfeito deveria significar longas horas de sono matinal, para recuperar as horas fixando o teto madrugada a fora e comemorar meu ostracismo. Mas só em um mundo perfeito.

De 2a a 6a o despertador toca as 5 da manhã, para tirar as crianças da cama. As vezes eu mal preguei o olho e lá vem a musiquinha do celular, que para não tomar ódio por ela, eu fico trocando frequentemente… O despertador toca de novo as 5:50, pro caso remoto deu ter voltado a dormir depois de tirá-los da cama, ou de não ter ouvido da primeira vez (E aí é aquela correria pra fazer tudo nos 15 ou 20 minutos que eles teriam restando). Continue lendo “Só mais 5 minutinhos…”

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Pensamentos Aleatórios

A quase síndrome do ninho quase vazio

Sinceramente, achei que isso não ia ser problema. Ou melhor, deixa eu contextualizar essa coisa toda. Eu não sei se é meu lado psicótico que tá falando mais alto, ou todo mundo tem vários lados. Eu sou sim, chorona, emotiva, dramática. Minha vó, que o universo a tenha, me chamava de manteiga derretida. Por um dá cá aquela palha lá estava eu desidratando, toda melosa… Mas eu tenho a impressão que não é esse lado que fala mais alto pros outros ou até pra mim. Eu sou pragmática, ríspida, seca até. Nunca passei pela fase do “desliga você” “não desliga você” “ah não, desliga você” com namorado no telefone. Nunca fui de grandes demonstrações de afeto que saíssem do nada. Tenho uma objetividade seca com a vida e as coisas nela. O que é meio contraditório com a chorona, melosa e carente, ou com a surtada, surreal e idealista que também mora por aqui. Mas esquizofrenias a parte, eu não sou bibelô. Continue lendo “A quase síndrome do ninho quase vazio”

Crônicas do Cotidiano

Fiat Lux

Tales de Mileto, o primeiro filósofo ocidental registrado na história, dizia que o conhecimento mais difícil a ser atingido era conhecer a si mesmo. E o mais fácil era dar conselho (se fosse bom, a gente vendia!). Restava então conhecer a natureza.

Então, no remoto ano de 600 a.C., Tales estava lá entediado de olhar pra a água e para a lua, sobre os quais suas teorias, a despeito da falta de instrumental, se mostraram bastante acertadas, e também de saco cheio de montar teoremas geométricos, igualmente acertados, resolveu brincar com uma pedrinha de âmbar amarelo.

Joga a pedrinha pra cá, empurra a pedrinha pra lá, e o âmbar, devidamente atritado, revela sua mágica propriedade de atrair pequenas partículas ao seu redor. Eureka! (Opss, pensador errado!) Sem saber, ele tinha descoberto a eletricidade, mais especificamente, a eletricidade estática.

A sorte é que a descoberta parou por aí. Com um pouco mais de instrumental para lhe dar respaldo, ele, ávido observador da natureza, poderia ter descoberto mais, entendido seu funcionamento e suas propriedades, aprendido a canalizar essas forças naturais, e eventualmente, reproduzi-las. Se ele tivesse feito tudo isso, teria entrado para a história como o inventor da maior e mais viciante droga de todos os tempos. E estaríamos irremediavelmente viciados não há séculos, mas há milênios… É que somos uma raça resiliente, mas incrivelmente dependente. Junk people total, desesperados por mais uma dose no exato segundo que nos tiram a tal da energia elétrica! Continue lendo “Fiat Lux”

Cotidiano

Pesadelo acordada: de volta à escola

A maternidade é definida por muitas coisas, e a maioria delas não tem o glamour que é vendido em propaganda do dia das mães…

Nos primeiros anos são as manchas de papinha e golfada nas camisas. O leve odor de pomada para assadura que insiste em não sair das mãos. E obviamente o duro aprendizado de conviver com a insônia forçada. Depois são os programas de índio; as sacolas absurdamente lotadas de “coisas de criança” ao invés de coisas de adultos; a perda progressiva da habilidade de conversar civilizadamente com qualquer ser que tenha idade mental superior a 10 anos de idade; os cagoetes de corujice; as unhas sempre sujas de guache e massinha apesar de terem sido meticulosamente limpas segundos atrás e um leve ar insana-descabelada-louca-varrida que acompanha o ritmo insano de se correr atrás de crianças. Continue lendo “Pesadelo acordada: de volta à escola”

Crônicas do Cotidiano · Reminiscências

Pra não dizer que não falei das flores

Por ontem, pelo teu legado, pela tua história, pela trajetória e pelo por vir, Feliz Aniversário Mãe.

Reminiscências

Causos: Trabalho Infantil

Abraçando o mundo - 2004 - fotografia +  cutoutNessas minhas buscas por produções mais ou menos artísticas que já me aventurei (e vale lembrar que estou me referindo a tal arte diálogo, e não óh, que espetacular artista eu sou… lol. Eu sei que não sou, ok?), acabei esbarrando em uma referência de um causo da Lelê, quando ela tinha 5 para 6 anos. Espoleta desde sempre, ela já me causava fios brancos e noites insônes.  A casa inteira ia dormir, e ela ficava lá, brigando com o sono.

Uma bela madrugada, estava eu na internet, e ela acordada. O irmão do meio ia dormir num canto e ela corria lá para azucrinar. Ele se levantava e ia dormir em outro lugar, e não dava 5 minutos e lá estava ela azucrinando de novo.  Desde aquela época ela já tinha preferência de azucriar o do meio e não o mais velho, e já tinha complexo de Sheldon e determinava lugares da casa que eram de sua propriedade, mesmo que não o fossem de fato.  O irmão, cansado de pular de cama em cama, foi dormir n sofá do escritório, que ela chamava de “cama dela” e lá veio ela de novo: “Tê! Você está na minha cama. Eu ia dormir aí…” E ela pulou em cima dele. Continue lendo “Causos: Trabalho Infantil”

Pensamentos Aleatórios

Deixando a bola rolar

Hoje é dia do Brasil entrar em campo na Copa do Mundo, Copa essa que estou passando longe. Não que isso seja exatamente muito diferente do habitual: eu já falei por aqui que não vejo a mínima graça em futebol. Respeito a comoção, mas não vejo graça. O diferente é que me vi pensando no que eu iria estar fazendo hoje as 3:30 da tarde quando o Brasil inteiro estivesse vendo o jogo. Não gostar de futebol é uma coisa, não assistir nem os jogos do Brasil na Copa do Mundo me parece outra, totalmente diferente. De alguma forma eu vi nisso um processo de dissociação, de isolamento, de diferenciação… Continue lendo “Deixando a bola rolar”