Pensamentos Aleatórios

Você É Interessante?

O texto,ruim, aparentemente tentando desconstruir o alternativo e o equivalente à juventude transviada (lava roupa todo dia…. que agonia! Não? Música errada? Desculpa aí…) dos dias atuais (Milêniuns e sua suposta herança da terra devastada… Já falamos sobre isso!) pergunta o que te faz interessante. Cita o beck, a roupa, o brechó, a festa, o vinho vagabundo, os filmes fora de circuito, o carro financiado, o batom vermelho…  E conclui, sei lá eu como (de lá, pra cá, Oi? Me perdi!) :

E ai, você é interessante? Se eu trombasse contigo saindo do médico, você seria interessante?

Longe da tua farsa, longe do showzinho organizado pela tua gangue, você é o que?

Rapá… pergunta complexa.  Trocentos anos de idade nas costas e eu ainda tô na maior dúvida.  Sai um troco bom pra terapeuta todo mês e ainda fica no ar ao som de grilos: O que eu sou? E o que me faz interessante?

De baixo pra cima, porque é sempre mais interessante o avesso, “longe da tua farsa”…

Me aponte um sujeito que não faça roleplay de papeis sociais a depender de onde e com quem está e vou te apontar um sujeito com inabilidade social. Toda ação social é um papel, um personagem, uma… farsa se for engraçada, né amigo. Que se for trágica, é tragédia.

( Adoro gente que usa termo em lugar errado…)

FARSA
substantivo feminino
  1. 1.
    teat pequena peça cômica popular, de concepção simples e de ação trivial ou burlesca, em que predominam gracejos, situações ridículas etc.
  2. 2.
    p.ext. narração que provoca o riso; narração burlesca, risível.

Mas voltemos que tá divertido…  Essas máscaras/fantasias/papeis sociais nos constroem. E no fim a gente é um pouco de cada uma dessas coisas.  Elas se tornam parte de nós, criatura que se funde ao criador e não dá pra ficar longe.  Fora se nos despirmos da alma (ah Mário Quintana… quanto mais nu, mais tu. Mas não vale a perda do meu baú!), somos a soma desses papeis.

E aos antes dos intas e entas,  há mais papeis ainda. Porque estamos experimentando. Porque ainda estamos agregando camadas. Porque é preciso, de alguma forma, achar o canal de se rebelar. Essa rebelião, que ocorre em todas as culturas, é o rito de passagem onde você sai dos papeis que foram de alguma forma impostos, tolhidos e tosados, ou ajudados a serem moldados pelos adultos ao seu redor, para os papeis que você quer representar.  Ou vai ser obrigado à, mas por sua própria escolha.

Não há sujeito sem farsa ou tragédia representada perante aos diferentes grupos. E quando a gente vai lá, e fica diante do espelho, só eu com eu mesmo, e tenta despir-se de tudo, é que a gente vai descobrindo quais desses papeis se tornaram parte de quem a gente é.  Mas nu, nu de verdade, depois do útero, nunca mais.

E vamos então a pergunta crucial, já que a outra,  “quem você é” , tem filósofos desde o início dos tempos pensando a respeito e até onde eu sei, ninguém chegou a uma conclusão palpável a respeito enquanto humanidade.  E enquanto indivíduo, essa parada do nu na frente do espelho, então, se a gente soubesse, terapeuta seria uma profissão em desuso, né não? Coitado dos meus colegas de formação!

“Se eu trombasse contigo saindo do médico, você seria interessante?”

Para.  Para mesmo!

Pessoas que trombam com pessoas saindo do médico e acham essa pessoa que eles não conhecem interessante ou desinteressante, quem são, onde vivem e o que comem… hoje no Globo Repórter!

Você pode, eu acho, de fato, achar interessante a imagem de alguém.  Mas aí é a imagem, não a pessoa. Vestida de tudo, despida de nada.  Mas todo o tal texto não era pra desconstruir os papeis?  E você está agregando papeis? Numtointendenduuuuuu…

Gente interessante é fácil:  são aquelas que, apesar de gente, você resolve tentar conhecer. Apesar das máscaras. Dos papéis. Das farsas. Das tragédias. E tentar descobrir quanto disso é ela, quando dela é isso, quantas camadas, quantas cores, quantas reinvenções ela foi capaz de fazer… Pessoa interessante é aquela, em tudo em que é diferente de você e em tudo em que é igual a você, te faz pensar nos seus próprios papeis, e chegar mais perto da sua resposta para a  tal pergunta impossível: Quem sou eu?

E pessoa interessante diz respeito a quem ela interessa. Eu sou uma pessoa interessantíssima, pra quem tem interesse em mim. E completamente desinteressante, para quem não manifesta interesse por mim.  Mais linear que isso, não tem.

Pessoa interessante é alguém que você conhece. Que você se dá ao trabalho de conhecer. E que ainda assim quer continuar conhecendo.  Todo dia um pouco mais. Todo dia uma farsa ou tragédia nova.  Em cada novo papel social que ela representa. E os representando, muitas vezes os é.

E o Ministério da Saúde adverte:  você não conhece ninguém trombando com ela na porta do médico, crianças… Só não.

 

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