Palavra que cura · Paradigmas e comportamentos

Feliz Aniversário, Pai.

Hoje meu pai faz 79 anos, só que ele não está mais aqui para fazer coisa alguma.

Eu sempre me assustava quando me dava conta do número de anos que ele acumulava, porque ele demorou a caber na idade que ele tinha. Era uma roupa apertada, a idade, em uma alma grande. Ao menos pra mim, ele tinha sido um rapaz por muito tempo antes de envelhecer.  Continue lendo “Feliz Aniversário, Pai.”

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Meios e Mídias · Paradigmas e comportamentos

Spoiler. O que que tem?

A gente tem que ter um certo peso. Uma certa aparência. Uma certa realização profissional. Um certo poder aquisitivo. Uma certa cor de pele. Uma certa sexualidade. Uma certa religião. Uma certa posição política. E agora, um certo ritmo para assistir série na TV.

Spoiler é agora institucionalizado. Ainda fazem graça com você: “Pô, tá todo mundo falando, todo mundo já viu, eu tinha que esperar você?”
Todo mundo não, cara pálida. Talvez o grupo que gire em torno do seu umbigo, talvez. Pelo visto, nem isso.

Eu lembro quando alguém soltava um spoiler sem querer num grupo de amigos, como era condenado ao ostracismo… Paria social. Agora, paria social é quem tem mais o que fazer da vida e não viu a série XYZ no INSTANTE em que ela foi lançada na TV a cabo.

Se vira, mané…. se não quer saber, não acesse a internet. Problema seu. Não mandei não ver, não ter TV a cabo, não ter pirateado a série, ter hora pra dormir, ter hora pra acordar, ter vida social, ter feito outras escolhas. Não mandei. Eu vi, e vou abrir minha boca grande para contar o final. Só porque eu posso. Só porque eu quero. Só porque preciso que o mundo saiba a minha opinião a respeito do episódio que meu amigo ainda não viu. E tá reclamando porque é dos mimimis (no meu caso, #mimidri porque eu patenteei essa parada e ninguém paga as minhas contas).

Grande bobagem, né? É só a pinóia de uma série de TV, que tem HQ relacionada (que podia ou não ser respeitada na adaptação)… Mas é só mais uma prova de que as pessoas não tem um pingo de respeito umas pelas outras. Só não tem.

Crônicas do Cotidiano · Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Sobre o tal do fundo do poço – parte I – ladeira abaixo

O assunto era fundo do poço. Eu tenho um bando de teorias estranhas sobre esse tal fundo do poço. E comecei a rascunhar algo… que poderia virar uma série de posts sobre como diabos a gente chega no tal fundo do poço, e o mais importante, como sai. Talvez morra num post só, talvez não. Mas enfim, dizem que ladeira abaixo todo santo ajuda. Ao que parece, todo demônio também. 

seja como for, sem mais delongas: 

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Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Nosso pior antagonista

Postei no FB. Acho que preciso deixar um registro mais permanente…

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Estava lendo um texto do Frederico Mattos que diz “usamos o verbo “conseguir” com certa frequência, mas sem entender a decorrência filosófica disso.Conseguir é viabilizar algo possível e praticável.”
Ele se referia a algo que um leitor tinha dito não conseguir, mas que de fato, ele poderia a qualquer momento fazer, mas por “inúmeros condicionamentos e micro-escolhas nem sempre perceptíveis, / ele, o autor do questionamento / escolheu recuar”

Sábado mandei um SMS levemente exasperado que dizia “Preciso”.
Recebi a resposta, ligeiramente desaforada, incrivelmente amorosa, de que eu não precisava. Queria, e até merecia. Mas não precisava.

Qualquer dia a gente, enquanto ser humano e nascedouro de neuroses infinitas, aprende a deixar de ser nosso pior antagonista.
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Paradigmas e comportamentos

A JMJ, a Marcha das Vadias e os Movimentos Sociais. No dos outros é sempre refresco…

Então…

Eu disse que não ia me alongar nos meus questionamentos sobre essa juventude que grita que aqui está a juventude livre… e que não ia assistir ao MidiaNinja hoje, ou discutir política. Bom, eu devia aprender a não fazer essas falsas promesas!

Liberdade e democracia. Conceitos engraçados. Símbolos. Ideais.
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Paradigmas e comportamentos

Imagem do eu e questões de gênero

Só mantendo em um posts mais permanente um questionamento ao ler Muito Além do Nosso Eu, de Miguel Nicolelis…

Esse negócio de pensar dá muito trabalho. Acho que vou largar meu livro de neurociência e ir ler uma Caras ou algo ainda mais raso (tem?).
Amiguinha Aliny não aplacou minha angustia intelectual, então partilhando aqui meus achados…

Nossa imagem de eu é uma construção mental, mero subproduto de atividade elétrica, de um cérebro que está constantemente criando modelos e testando-os na realidade. Dessa forma, a raquete de um tenista é extensão de seu braço assim como o celular é extensão da minha mão, e todo amor é extensão de nós mesmos.
Assim, perder um braço, a possibilidade de usar a raquete ou o amor, é sempre experiência de perda e dor real, desconstrução do eu, necessidade de reformulação da rede neural…  Continue lendo “Imagem do eu e questões de gênero”