Pensamentos Aleatórios

A filosofia psicodélica e a cura do sofrimento psíquico. (Ou eu viajo pra carai…)

Eu tenho recorrentes sensações de ter perdido o trem da história. Coisas que pensei e fiz e não investi em, e de repente, eu vejo pensado e feito por alguém. Não entenda errado, não é ´“ó, roubaram de mim’ nem nada bobo desse tipo. Não acredito nem por um segundo que a idéia original foi minha ou que feito por mim teria algum tipo de diferencial. E também não é nenhum tipo (o que não seria totalmente surpreendente, mas só não é!) de auto depreciação, muito pelo contrário.

Alias, eu costumo achar que eu não sei de nada. Não de uma boa maneira. Minha dificuldade de reter nomes, e minha dificuldade de achar meu flow para a linguagem falada, muitas vezes desencambam num discurso falado muito reticente, inseguro, que é facilmente engolido pela retórica alheia, o que me dá, como feedback, a noção errada de que eu não sei de assunto nenhum.

Mas não sei apenas no ponto em que nenhum de nós sabe.  Saído natural e fluido na ultima sessão de terapia, eu disse: Eu sou uma mulher de muitos saberes. Era verdade. A maior verdade, que outros veem em mim e muitas vezes, eu não.  Mas note que isso já é outro assunto totalmente diferente, porque meu flow mesmo para a palavra escrita nunca foi talhado da maneira correta a encontrar o foco, a ser sucinto, a te levar em linha reta de lá, a primeira palavra, até a conclusão, de maneira suave e linear. Desculpe. Minha fala (escrita) é uma montanha russa, sintaxes de colocação não lineares, assim como não é linear a minha lógica que liga dois pontos na minha mente. Há sempre um passeio.  E nesse ponto, justo ai, eu sou uma mulher de muitos saberes. Eu tenho clarezas ou dúvidas organizadas sobre inúmeros assuntos, e encaro do outro lado da ponte, esperando o ponto em que o desejo de proficiência será maior que o medo de cruzar essa tal ponte.  O que, para os mais próximos, ficará claro qual o impacto dessa figura de linguagem em mim…

 

Mas do que falávamos?  ah sim, eu, perdendo trens da história, repetidas vezes, de todas as coisas que pensei e fiz e não persegui.   Eu podia ter aproveitado essa, das tantas vertentes da minha curiosidade intelectual e emocional, e ido estudar neurolinguística.  E dali juntado lé com cré e hoje me sentindo capaz de acompanhar os saltos para além do intelectual do raciocínio dessas coisas que eu acredito empiricamente e alguém tá discutindo a sério no meio acadêmico ou o que for…

Porque então, de repente, eu me deparo com toda uma linha de pensamento cuja pedra angular me persegue desde a adolescência, e que vem sido pensada, lapidada, em graus do que eu considero genialidade, mas você pode achar que é tudo viagem de ácido. Vai que?

Mas que de qualquer forma, hoje, entre lá aquele pensamento recorrente que começou na tenra idade e que eu não lapidei nem persegui, e o que vem sendo dito hoje, e que eu esbarro por acaso, tem um gap enorme de tempo não aproveitado elaborando dentro de mim aquela idéia, o que me faz ver o vídeo umas 3 vezes e saber que quando eu for procurar por isso escrito, possivelmente vou ter grande dificuldade de acompanhar.

Algo como eu, lendo Roland Barthes aos 18 anos . Eu, tentando reler agora… Uau. Apenas uau.

E eu me perdi de novo…  Eu era muito, muito nova, e escrevia poesias ruins em agendas cheias de colagem, e me veio a idéia da palavra, que uma vez dita, diria.  Diria porque a palavra era o alicerce do mundo. E em algum momento, significado e significante se uniriam uma forma a se tornar uno, e eliminar o ruido, e tornar de forma peremptória e dada, a comunicação.  Sem mais ilusões de te-la alcançado, como diria Bernard Shaw, a comunicação não teria mais problemas.

Nessa mesma época, cheguei a brincar de escrever um romance sobre a tal palavra, que uma vez dita, diria. E mais que isso, abriria a porta para a construção de realidade. A quem fosse dado o poder de conhecer a palavra, ou no caso, A palavra,  era dado o poder de construir todas as realidades e alterá-la, revivê-la… construí-la do ponto zero ao ponto final, garantindo a percepção do outro tal qual a sua, sem ruídos, áudio claro construtor de verdades… E como prova que tudo isso está sempre no ar e nos chega por referências diversas ou inconsciente coletivo, como se fosse a palavra que dá vida a um golem não de barro mas de possíveis realidades.

Mas não foi pra frente. Nunca vai.  Em algum momento entre o ponto inicial e o final, minha mente se encheu de ruídos. Eu não sabia mais como dizer. A velha sensação de que faltava A palavra.

Ai tô eu aqui, vendo um vídeo qualquer no FB, algo imbecil como a Branca de Neve pedindo um sorriso para uma criança que metaforicamente caga pro evento, e olha com cara de árvore para a frente, sendo possível ver a engrenagem na cabecinha da pequena dizendo: “mas oi?  quem é essa louca vestida de Branca de Neve que acha que pode alterar meu mal humor pedindo um sorriso” e subitamente o próximo vídeo era um do Jason Silva que eu nunca vi (o que anda cada vez mais raro. Amo, prestem atenção, amo, o cérebro desse homem, com um amor tão bisonho que ele fala, eu sorrio.  E sempre, algo faz click dentro de mim) e era sobre a Linguagem refazendo conexões neuronais e, olha só, criando a realidade.

Essa premissa seria parte da Psychedelic philosophy, o que faz completo e total sentido, já que , para que a tal palavra uma vez falada, fale,  é preciso quebrar  as barreiras da capacidade humana de percepção do mundo, que foram tão cuidadosamente levantados em milênios da história da civilização. Quotando Peter Sjöstedt-H só porque sim (mero preciosismo pra estabelecer que eu nunca fui a única louca a pensar isso), e pra entender que tipo de compromisso seria necessário para achar a tal palavra:

Apart from this purely intellectual impact, this realization of specific potential, psychedelics also provided a sense of optimism in that they broke my belief in what I had hitherto assumed were the limits of human mentality. The extreme modes of aesthetic joy, of deepest sublime terror, of the shattering of ‘the self’, of emotions never before contemplated let alone experienced — all of these forms of sentience change a person.

O que, é a pegadinha da parada, pra experimentar o poder da palavra que constrói realidades e transforma pessoas, é preciso mergulhar em águas bem profundas (sublime terror… migo, eu não consigo lidar com sublime e terror na mesma frase, eu parei bem antes… não tô conseguindo acompanhar!!!).

Mas desse embrolho todo,  natural ou quimicamente induzido (porque estados alterados de consciência são possíveis em diferentes situações – meditação, mindfulness, abstinências variadas e sei lá eu mais o que,  fulgurando entre as formas ‘naturais’, pra quem não conseguiu pensar em nenhuma  ), seria a forma possível de, mesmo deixando de lado a idéia de um suposta palavra mágica (que não é nada disso, mas totalmente é!), ser o caminho de escoamento da energia absorvida das interações com o mundo (alguns de nós absorvem 100% dessa energia)  que, se presa dentro do corpo, é sofrimento psíquico.  Absorver o mundo de forma puramente racional, ouvindo o crítico interior, ruminando pensamentos e projeções,  digerindo passado letra por letra de palavra por palavra que o construiu, é a doença. É preciso silenciar essas vozes de dúvida e se lançar neste lugar de extremos.   E de dentro desse lugar único, onde só há certezas, escoar em forma de significante que se mistura com significado,  e cria impacto no mundo, e produz o que pode se chamar de a cura.

Isso ou queimar essa quantidade insuportável de energia na esteira da academia.  O que eu sempre vou considerar um final triste para tudo isso que o mundo me deu.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s