Palavra que cura · poesia

Nomear

Achei que a palavra me libertaria. Busquei por ela sob cada móvel, nos cantos, nos vãos. Nas dobras das cortinas inexistentes. Nos abismos existenciais frequentes.

Achei que a dor doía porque não tinha nome. Era órfã. Não podia ser acalentada.
Como endereçar-se a uma coisa sem nome? Como a chamar quem não tem nome para ser chamada? Continue lendo “Nomear”

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Crônicas do Cotidiano

Para quem te deu o primeiro batom

Recebi uma propaganda de loja de cosméticos: Frete grátis para quem te deu o primeiro batom.

5 segundos de pausa, mergulho lá dentro e tento me lembrar qual foi meu primeiro batom. Não sei. Devo ter roubado da minha irmã, ou sei lá, não é de se causar muito espanto que eu não lembre.  Não é assim que funciona a minha memória.  Continue lendo “Para quem te deu o primeiro batom”

Pensamentos Aleatórios

Sobre amor e egoísmo

Tentei escrever alguma coisa sobre essa dor que não mora em mim. E que era maior que todas as outras que eu já tinha sentido…  Esse olhar que parece tão impotente, essa mão esticada na sua direção.  Faltou palavras. Apertou o peito. Versos desencontrados. E silêncio.

Tudo é sobre nós. Mesmo quando é sobre o que está sobre o outro e dói em nós. Amar o outro é tão egoísta, mas tão egoísta, que a dor do outro vai doer muito mais em nós.

 

Crônicas do Cotidiano · Pensamentos Aleatórios

Domingo

Domingo dobrado, vestida com as roupas e as armas de Jorge. Tomo café com leite que tem gosto de café de criança que mamãe fazia. O vizinho está animado e toca sambas no último volume, que nem a gente no carro, colocando a cabeça pra fora e gritando as músicas… Lembra pai?
Eu, que não tenho memórias, lembro.
Falta muito? Já estamos chegando.
Salve Jorge.
E sei lá de onde, olha pela gente pai, e não deixa ninguém ficar na aba do nosso chapéu.

Crônicas do Cotidiano

Memórias

_ Dri. Você se lembra do fulano de tal?
_ Ring me a bell.  Mas acho que é pq tenho um conhecido com o mesmo sobrenome.
_ Fala sério. Ele era assim. assado. frito. cozido. E você dava em cima dele na aula de matemática complementar.
_ Sério é?  Então, eu me lembro da aula de matemática complementar…
_ Presta atenção. Ele era bla, blé, bli, blo… E todas nós dávamos em cima dele.
_ Então… bom pra ele… mas não lembro não. Continue lendo “Memórias”