poesia

A tristeza nova do Rei.

Escrevo porque a brisa é fresca
e atrás de nós só existem passos, sabia?
mas passo o dia desatando nós
pra abrir caixas de memórias vazias.

Mas elas estão cheias.
Mas como a roupa nova do rei, não tenho o que é preciso para vê-las.
E só lamento, pequeno luto pelas dores do mundo
que não são minhas. Eu não devia sentí-las.

Escrevo porque a brisa é fresca.
E porque eu não preciso de razão.
Apenas não preciso.
Lamento.

 

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Os outros

Os outros são tão estranhos. No que somos iguais. No que somos avessos. Contrários. Díspares. Trocados. Estranhos.

Deveria haver reconhecimento. Eu também estive aqui. Subi essa escada. Caí desse poço. Tomei dessa água. Morri dessa dor.   Mas há apenas a alteridade. O estranhamento e o distanciamento.  A desgastante tentativa de assistir um filme intimista em uma língua desconhecida, com as legendas em desconfortável atraso e com frases incompletas.  Eu quase entendo… mas não consigo entender.  Continue lendo “Os outros”