Crônicas do Cotidiano

Gordofobia, a gente se vê por aqui…

Já que resolvi que ia virar post, segue um textão… 😛

Então, eu tenho tendência a engordar. Sempre tive.  Aos 17 anos, por cerca de 24 horas, eu tive meu peso dito ideal. Olhei no espelho e me achei esquelética e fui comer um bolo de chocolate.  Fora esse breve momento, eu fui falsa magra, acima do peso, obesa, e muito obesa.  Magra mesmo, nunca fui.

Meu formato de corpo inclui coxa grossa mas que nunca passa muito de X de diâmetro (estando eu normal ou obesa), estômago alto e barriga. Muita barriga. Zero de quadril que não fui dotada com essa parada ai não, ou melhor, não aparente. 3 filhos de parto normal garantem que pode não ser padrão mulher brasileira cinturinha e quadrilzão, mas tá lá… Continue lendo “Gordofobia, a gente se vê por aqui…”

Crônicas do Cotidiano

Para a minha mãe.

Mãe,

Falei com você agora no telefone, mas não sei se você falou Comigo. Não sei se você sabe com quem falou, se se lembra de mim quando eu não estou na sua frente (ou mesmo quando estou), ou se sequer se lembra que falou ao telefone.

Tentei não encompridar a conversa, porque a gente tem esse medo imenso de você se lembrar. Se lembrar que não é mais quem foi, se lembrar que sente de fato saudade, se lembrar que o pai não está ai para te encher de flores pelo dia das mães.  Só disse que te amava, estava com saudades e te mandei um beijo.  Liguei mais por mim, eu sei.  Continue lendo “Para a minha mãe.”

Crônicas do Cotidiano

Para quem te deu o primeiro batom

Recebi uma propaganda de loja de cosméticos: Frete grátis para quem te deu o primeiro batom.

5 segundos de pausa, mergulho lá dentro e tento me lembrar qual foi meu primeiro batom. Não sei. Devo ter roubado da minha irmã, ou sei lá, não é de se causar muito espanto que eu não lembre.  Não é assim que funciona a minha memória.  Continue lendo “Para quem te deu o primeiro batom”

Crônicas do Cotidiano · Pensamentos Aleatórios

Domingo

Domingo dobrado, vestida com as roupas e as armas de Jorge. Tomo café com leite que tem gosto de café de criança que mamãe fazia. O vizinho está animado e toca sambas no último volume, que nem a gente no carro, colocando a cabeça pra fora e gritando as músicas… Lembra pai?
Eu, que não tenho memórias, lembro.
Falta muito? Já estamos chegando.
Salve Jorge.
E sei lá de onde, olha pela gente pai, e não deixa ninguém ficar na aba do nosso chapéu.

Crônicas do Cotidiano

Memórias

_ Dri. Você se lembra do fulano de tal?
_ Ring me a bell.  Mas acho que é pq tenho um conhecido com o mesmo sobrenome.
_ Fala sério. Ele era assim. assado. frito. cozido. E você dava em cima dele na aula de matemática complementar.
_ Sério é?  Então, eu me lembro da aula de matemática complementar…
_ Presta atenção. Ele era bla, blé, bli, blo… E todas nós dávamos em cima dele.
_ Então… bom pra ele… mas não lembro não. Continue lendo “Memórias”

Crônicas do Cotidiano

O Sinistro

Demorou a cair a ficha. Os primeiros meses do ano são áridos financeiramente e eu não estava esperando. Acho que o pior foi não estar esperando.  Porque eu sempre estou esperando. Boas coisas, coisas ruins, eu traço cenários até dormindo. “E SE?” é minha expressão favorita e eu memorizo possibilidades de tanto medo das surpresas. O CID 10  chama de Ansiedade Generalizada. Eu chamo de outra terça feira.

Comecei o dia meio mal dormida, chegando cedo no trabalho, e antes de pegar no batente fui pagar uma conta. O saldo me causou estranheza.  Pela hora do dia, as contas agendadas teriam já batido, aquele dinheiro não fazia sentido. Pedi o estrato. Continue lendo “O Sinistro”

Crônicas do Cotidiano · Palavra que cura

Sobre colheres, motivação e outras histórias.

Eu queria muito explicar pra vocês sobre a Teoria das Colheres, mas estou cansada e acho mesmo que gastei minha penúltima colher vivendo mais uma semana da forma mais produtiva, sociável e positiva que me foi possível.

Todas as vezes que as vozes (opsss) que reverberam dentro de mim gritam sem piedade o quão fracassada, limitada e ridícula eu sou, eu listo para mim mesma todas as coisas que andei fazendo, inacreditavelmente incríveis, que incluem ter levantado da cama e passam por tarefas bem executadas e em dia que aparentemente nem todo mundo é capaz de fazer no meu lugar.  Mas não é fácil. As vozes gritam alto e eu já nasci rouca. Continue lendo “Sobre colheres, motivação e outras histórias.”