poesia

Jornada

Toda vez que as paixões apontam, se reviram, se revoltam, mar em cólicas no ócio dos dias, eu busco A Palavra. As vezes falada, quase sempre escrita, que cure, que abra, traduza, resolva, que resuma, console, encontre, perdure. Que seja o nome do que não foi nomeado, que consolide o silêncio, que abra os caminhos. A Palavra.

Toda santa e profana vez, essa força que se insinua, que rasga a carne buscando ser dita, que se prende em cada entranha, que liberta, que me prende.

Nunca a acho. Nunca alcanço. E desisto dela, inconstante, ciente do fracasso, recolhida ao silêncio de ostra, pérola ou câncer, rascante silêncio da porta fechada, do que nunca foi dito, da ausência da Palavra.

E quando olho pra trás, A vejo tão perto. Como diabos eu não A  vi chegando?  Ali, de soslaio, me olhando do canto, namorando minha língua, quase dita. Sempre quase.

E quando outra onda me alcança, é nela que penso. Que me agarro, que me lanço. A palavra. A maldita Palavra. A bendita Palavra. A Palavra.

Toda vez que as paixões apontam.

Toda vez.

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