Eu (e os outros eus)

As vezes tenho essa recorrente sensação de que faço de conta bem demais. Que adaptada e conformada, como a boa menina que eu sempre fui, represento os papeis que me cabem nas histórias que me acontecem.

Já fui outra que não essa.  E antes disso outra mais.  Já fui muitas.  Todas cascas. Capa. Personagem. Papel.

Quando esperam bem de mim, performo. Atendo. Supero. Comercial de margarina. O show de Truman. A vida como ela (parece que) é.
Quando esperam mal de mim. performo também. Patético papel secundário do pior ator que há de performar. Pífio. Sofrível… E vamos todos mudar de canal.

Mas são todos só papeis.

Aquela que foi um dia
Aquela que se perdeu
A que fez o longo caminho de volta
A que prevaleceu.

No fundo, eu mesma, dentre todos os outros eus, senta no chão e encara a longa escada que nunca há de subir. Para fora. Eu. Apenas eu. Só eu. Se é que eu ainda existe em algum lugar.

As vezes tenho essa recorrente sensação que Eu já nem mora mais aqui.

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