Os Vizinhos.

No fundo do fundo do fundo da mente
onde só se chega por escadas espirais de culpa
em casas vizinhas, parede a parede
moram monstros que não se entendem nunca.

Um cheio de auto-comiseração, te puxa pra baixo
te abraça, e chora… tem medo do escuro onde mora.
não quer mais ficar sozinho. Tem medo de morrer.
Está certo que chegou a hora, e te abraça outra vez. E chora.

O outro, autoritário e rude,
grita em teu ouvido: SOBE
e recita todas as mazelas do mundo, perto das quais as suas são nada.
recita as mazelas de quem quem você ama, e pergunta se você não tem vergonha
e te deixa lá, no escuro, a tropeçar em tudo, a cair da escada,
se arrastando machucada, sem noção de direção.

Pra lá é a saída?  Ou pra lá?
Se eu ficasse aqui deitada só mais um pouquinho.
Se eu fingisse que está tudo bem até tudo estar.
Se eu agisse como se não estivesse triste.
Se eu contasse pra você por quê estou…

Lá no fundo, do fundo, do fundo da mente…

E de vez em quando,  a gente leva os dois pra jantar.

 

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