Pra não dizer que não falei de Coxinhas, Revolucionários e Futebol.

Não gosto de futebol. Nunca gostei. Torcer junto entretanto é muito legal e em momentos mais empolgantes da história, eu já estive lá, na torcida, pro melhor e pro pior (e o pior foi em 82, o gol ‘eu-não-consigo-acreditar’ do Paolo Rossi aos 30 min do 2o tempo… Um daqueles momentos de fim da infância de caráter decisivo na minha formação religiosa onde ficava claro que se havia deus, ele não tinha como função a intervenção. Ou isso ou era Italiano. Tive um crush por um cidadão de sobrenome Rossi tempos depois, amor fadado ao fracasso sem sequer começar, já que o nome do rapaz me causava sofrimento e tristeza profunda.).
Mas enfim, não fui sempre complementante alheia à coisa em si, só nunca me fez pular da cadeira em profunda emoção espontânea, sem ser gerado pelo espírito dos que estavam ao meu redor.

Motivo pelo qual defendi Lêzinha ontem dos ataques Teteísticos fundamentalistas de que é preciso amar incondicionalmente ou sua manifestação será poser. Bom, se é isso, Lê, se conforme, sua mãe é uma poser!  Nem tudo é linear quando se diz respeito ao sentimento de pertencimento. As vezes a gente ama muito um assunto e por isso pertence a um grupo. As vezes a gente pertence a um grupo, e por proximidade e insistência, surge esporadicamente o amor a um assunto. As vezes a gente ama o grupo a que pertence, e ai, o que o grupo ama tem apelo per si.  Tem gente que gosta de pensar em si mesmo como coisa estanque que sabe do que gosta, sempre soube, sendo esse o único gostar de valor e que sabe a que/quem amam, mas eu prefiro ser sempre a metamorfose que anda e anda na direção do que me faz sorrir, que está sempre mudando e nunca é o mesmo ou está no mesmo lugar.

Mas divagando, divagando, voltemos ao ponto. Essa Copa em especial tudo parece violentamente desnecessário, cansativo, desgastante. Entre ativistas xiitas e coxinhas acomodados, eu, que nem-lá-nem-cá-muito-pelo-contrário-tenho-mais-o-que-fazer, sinto essa preguiça monstra de tudo que a ela diz respeito, seja torcer contra, a favor, dando ibope ou tirando, soprando a vuvuzela ou mandando enfia-la no orifício apropriado do soprador…

Ontem eu estava especialmente rabugenta, fruto de uma 4a ruim seguida por uma 5a nem um pouco melhor. Preocupações outras que me cabem e não a mais ninguém, e que portanto, nem ajuda para resolver eu haveria de ter. Umbiguista era meu estado de espírito então não ia rolar nem vestir verde e amarelo, nem advogar sobre ‘eu estou assistindo essa bosta mas isso não me faz mais coxinha que ninguém’ ou ‘jogar videogame na hora do jogo não te faz mega revolucionário…’ ou ainda ‘você que grita vai tomar no cu pra Dilma ai no estádio que custou mais do que eu posso pronunciar e cujo seu lugar também não foi propriamente baratinho não me comove nem um pouquinho’ . O que não me faz anti-copa, ou anti-futebol, ou anti o que quer que hoje te faça sorrir, seja gritar #nãovaitercopa , seja gritar Gol, Brasil, é hexa, é hexa, é hexa…

Viva e deixe viver. Desde que não seja vuvuzela ou #nãovaitercopa no meu ouvido, tá valendo tudo, sempre valeu.

Confesso também que ontem, o 1 segundo do exoesqueleto do Nico num canto obscuro, que nem vi ao vivo, e que nem ecoou foi uma frustração tão grande que me fez fechar a janela da transmissão e ir assistir meu capítulo atrasado de GoT, com a sensação que uma noite de sangue e porrada na Muralha ia me fazer mais feliz. Afinal eu não tinha certeza se iria ter Copa (tá, eu tinha, mas vale a referência), mas tudo que eu queria era ter a certeza de que ia ter Walk Again. Xinguei muito no twitter (!!! Nem tenho mais twiter… 🙂 ) a pouca atenção ao que me parecia mais importante que se teria ou não Copa e como parei de assistir, acompanhei como estava o jogo pelo facebook (#medisseramquetavatendocopa, #alguémsabesetátendocopa, #parecequetátendocopa, #pareceatéquetemcopa, #opatemcopaetemgol, #golcontraéauladesemiótica, #enfiaavuvuzelanocu ). Pronto.  Passou.

E seguindo nas confissões, o pouco que eu vi da abertura, esperando pelo que já tinha acontecido mas não tinha me sido mostrado, estava me dando uma preguiça mental, redefinindo meus conceitos de artesanato, me fazendo pensar em jogar minhas bolsas de patchwork tudo fora que se podiam estar na mesma categoria o que eu estava vendo com o que eu andava comprando, eu não queria mais…  Sem contar o playback, ah, o playback!  Mas no fundo do fundo, era uma questão de não me interessa (ou não me interessa mais), mude de canal (no caso, de janela no navegador) e vamos fazer algo que me interesse mais nesse fim de tarde de folga…

Porque a verdade, a verdade mesmo é o que li num artigo que a Lol postou.  Eu não sei se vou amar esses garotos. Talvez baste um jogo com companhia melhor que a minha rabugice de ontem. Talvez não. Mas tenho certeza que é legítimo o direito de amar. Ou de não amar. E que nem tudo é “Ai que Vergonha” ou “Ai que orgulho”.  Dá pra se viver entre um e outro. E que tem nego preocupado demais com o que os outros vão pensar. Aqui dentro e lá fora…

Vergonha alheia é sentimento pra lá de inútil e egocentrico, e umbiguismo pode ser ruim, mas cuidar do próprio umbigo é muito legal…

Desde que as ações no dia a dia reflitam o que você acha certo, não é gritar Goooooollll ou comemorar um jogo que te faz menos digno, ou não sentir vontade de ver o jogo não te faz menos patriota ou sei lá… É futebol, gente, só futebol.  Torcer não te faz um ser humano melhor, não torcer também não. Nenhum dos dois comportamentos por si só irá devolver dinheiro desviado pros cofres públicos. Nenhum dos dois comportamentos por si só  irá fazer desse lugar um país melhor.

#VaiTerCopa, gente. Alias, #EstáTendoCopa.  Ou torce ou não torce. Ou gosta ou não gosta. Pode ‘reclamar muito no twitter’, que o choro é livre pra qualquer um. Pra mim inclusive. Só não aponta a vuvuzela ou o dedo revolucionário na minha direção. É que não encher o meu saco ia ser bem legal…

***

Pra quem interessar…

O artigo postado pela Lol: http://globoesporte.globo.com/(…)algo-me-diz-que-vamos-amar-esses-garotos/

E o trecho que acho que vale a pena refletir em cima.
“A imagem do Brasil no exterior” é a caçula dos “Sete Gatinhos”, a moça pura destinada a resgatar a honra de uma família sórdida. Não existe no exterior uma imagem de Brasil que não se veja ANTES por aqui. Se quem se preocupa com a imagem do Brasil no exterior fosse sincero e diário com essa preocupação, rapaz, que país incrível teríamos. (Márvio dos Anjos)

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