Paradigmas e comportamentos

Pra não dizer que não falei de ontem

Continuo lendo. Continuo ponderando.

Até o momento, tudo que postei ontem, da indignação à descrença, repito.  Temos o direito de protestar. Ponto. Parágrafo. Não estou certa sobre a total eficácia do protesto. Ponto. De novo.


Hoje, compartilhando texto, fui um pouco além no questionamento: cade a pauta, cade o foco? Desde a repressão dá manifestação em SP terça passada que a reinvidicação deixou de ser (só) os ,20 centavos pra ser essa indignação, esse cansaço da leniência, essa frustração. O que veja bem, é ótimo. Gente que não se sujeita coloca o mundo em movimento. Mas qual a demanda?

Sr (preencha a seu gosto com o cargo executivo), faça a gentileza de “desencher” meu saco que tá cheio não é propriamente uma demanda, muito menos uma que possa ser atendida.

A pauta pode ser extensa, mas tem que ser razoável. Ou pode ser até irreal, para marcar posição ideológica, mas sabendo que durante as negociações será preciso retroceder e capitular para patamares mais razoáveis. E é preciso estar disposto a negociar. Não é assim?

Isso ou falamos de tomada vertical de poder, eventual luta armada, guerrilha, sei lá. É disso que falamos? Por que eu estava falando de negociações democráticas dentro do Estado de Direito, processo no qual ocupar as ruas, além de empoderar o indivíduo, é manifestação de força  apoio a uma, olha ela aí de novo, pauta.

Hoje três pessoas cuja análise sócio-histórica eu respeito, me deram o que pensar. Uma,  foi pra passeata, outro apontou o fato de estamos lidando com a primeira grande manifestação pública de inquietude de uma geração inteiramente nascida e criada na democracia e sem medos, e a última apontou o fato de ser uma geração inteiramente digital, conectada e instantânea, em um mundo verdadeiramente sobre a edge da aldeia global. Tudo isso em certa monta dando a prerrogativa a esses meninos de ocupar as ruas sem uma pauta tal qual eu defino pauta, e sem um foco, tal e qual eu defino foco, e ainda assim, prevalecer…

Se é assim, meu paradigma de mundo não me instrumenta a analisar esse momento histórico. Hei de sempre ser a voz da minha própria experiência, sentada num MEC  ocupado, cutucando o colega do lado pra perguntar: não que eu me importe de estar aqui meramente para fazer número numa boa causa, mas qual a pauta de reivindicações mesmo?

Mas enfim, ecos do passado por ecos do passado, vou te enganar não, foi de tirar o fôlego ver as fotos da multidão na Candelária.

Pode faltar foco, mas beleza não falta…

(ps: escrito no celular. Ignore erros monstruosos se eles existirem…)

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Um comentário em “Pra não dizer que não falei de ontem

  1. O que,talvez,vc não esteja percebendo é que primeiro vc está apegada a um modelo de manifestação que não acredito que vá ainda existir;Segundo que,mesmo sem querer vc está sendo paternalista quando procura alguém,ou algo à quem dirigir a sua reivindicação e terceiro,a eficácia sobre a qual vc fala já existe pelo simples fato de estarmos discutindo sobre isso.
    Quanto ao fato de ser cíclico,é verdade e acontece sim,quando estamos no limite,mas,historicamente,é assim que as mudanças se dão,pelo explodir do saco,pelo efeito da crise e das frustrações que se acumulam,seja na vida pessoal ou na sociedade.
    É um momento novo,onde antigas representações e modelos não se encaixam,mas os estopins internos ainda valem. Não há este foco que vc procura,nem esta entidade a quem recorrer com seus pedidos e muito menos um “líder” que “defina” os rumos do “movimento”. O que há é o movimento,literal e subjetivo,na direção de novas maneiras de se conquistar espaços.

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