Crônicas do Cotidiano · Paradigmas e comportamentos · Pensamentos Aleatórios

Muito prazer, sou Imperfeita e Incompleta.

Tem sido intenso. Ligeiramente insano. Definitivamente desgastante. Curiosamente satisfatório… Tem sido. Ser é um atributo suficiente.

Fora um ou outro tropeço, lapso ou supostamente vergonhoso erro, fruto e condição sine qua non de ser humana – tal e qual a incompletude – meu discurso de ser a maior fraude perpetrada na história da humanidade, além de patologicamente narcisista, não se sustenta no real.  Sou capaz de sair do outro lado, apresento resultados, tenho alto grau de confiabilidade e permaneço como válido e altamente elegível ombro / neuronio extra / ouvido mudo / presença grata / suspeita habitual / parceira em crime que – contradizendo  falácia que também não se sustenta no real, minha deficiência social a me alijar do mundo…
Alias, assunto que vale retorno em terapia, da prisão auto – e não tão auto – imposta, seguida de auto – e não tão auto – sabotagem, e em clássica engenharia de obra feita, essa auto-sabotagem generalizada que tem simultaneamente o papel de destruidora e redentora. Estranha arma de escolha, arriscada arma de escolha… Mas, tempos desesperados determinam as medidas! E é agora, – e por isso, embora passado, morto e enterrado, ainda passível e importante de ser revisitado emocional e intelectualmente – de súbito, peremptório que isso pare. Como patologia e como arma. A arma não é mais necessária. O rei está morto, o rei está posto. E como patologia, sou inteligente demais para permanecer denegando o óbvio! Mas enfim, devaneio feito, retomemos…
Pois então. Nada errado. Fora o triste fato – supere! – de que seremos sempre incompletos e imperfeitos. Essas metas inatingíveis de perfeição são tão inocentemente delirantes como a busca por completude…
Ainda assim, no melhor estilo das estranhas escolhas de arma, o mesmo veneno que nos mata, nos dá superpoderes. São esses delírios de perfeição que me fazem colocar tanto no meu prato, dar meu melhor, estar presente, me superar como medida cotidiana, E providenciar pelo menos um milagre por dia, de preferencia antes dá hora do chá… E o mito da completude, além de comodamente justificar meus vícios de coisas e gente, me move por mais, destila o cotidiano, coloca cordas invisíveis em movimento, agita o universo antes de o beber…
E ainda assim – sempre mais – não serei perfeita. E ainda assim – sempre plena – não serei completa.
O que não me impede, ou melhor ainda, o que me impele, a exatamente como na tirinha, correr conta o vento produzindo essas estranhas e fascinantes reverberações sonoras que chamamos de vida.

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