Filosofando (ensaio sobre a escolha)

Se as coisas acontecem engendradas em alguma lógica que me escapa ou pura casualidade, movimentos de caos, reflexos de entropia, pouco me dá ou de pouco me afeta. Conhecer a trama oculta do universo me seria mais que dadivoso, o orgástico saber dos saberes… Mas nenhuma diferença faria.

Aliás, depois de confessar a mim mesma que sabendo dos tropeços do percurso e dos custos – altos, que se digam – a serem pagos, ainda assim eu faria o mesmo, me ficou claro que perguntar se tudo se resume a cadeias randômicas de eventos ou matéria estrelar conspirando, é de uma profunda inutilidade e carece de respaldo no real.
As coisas são o que são, merecidas ou não, desencadeadas ou não, parte de relações de causa e efeito ou pura manifestação randômica. A pergunta de um milhão de dolares sempre foi o que fazer frente as coisas.
Este é o momento em que o leitor incauto (temos um leitor? Uhu!) se pergunta: do que é mesmo que estamos falando? E porque?
Veja bem, eu não tenho muito, aliás, a despeito das mas línguas, bom, não hei de sequer dar ouvidos as más línguas… Mas eu poderia, e este seria um momento de lamentação: a despeito de tanto esforço, de tanto investimento e dedicação, e mesmo sob pena de parecer ingrata, complete com o aborrecimento ou ausência da vez.
Ora pois, essa é uma postura que se firma na pergunta, a da presença ou ausência de causalidade nos eventos ou plano superior que envolve merecimento ou crédito futuro. “Deus tá vendo” é um lamento, e eu, amigo, ando de saco cheio dos lamentos!
Se de fato está, e se por acaso se importa, se eu fiz por merecer ou se pobre de mim, tão vilmente injustiçada, nada disso altera a natureza intrínseca do mundo onde as coisas são o que são. Interpretadas de muitas formas, acolhidas de muitos jeitos e resolvidas de muitas maneiras, e mesmo assim, únicas e e estanques em sua natureza ultima.
Isto posto, lidando com o contratempo e com a alegria, díspares mas co-habitando o mesmo dia, sempre da minha maneira, no meu ritmo, com a minha intensidade, minha marca, eu sigo. E escolho.
Escolhas são o que nos definem. Tanto, que ciente dos custos, eu escolheria o mesmo. Escolhas são a pergunta de um milhão de dólares. Escolhas. Até a de ficar triste, mas não porque me fizeram algo, mas sempre pelo que eu permiti.
Nesse momento num feriado que transborda em simbologia (e que me concede quase superpoderes) , vivo a pequena epifania da natureza da escolha. Pouco importa o que se venha a escolher, mas ao escolher, mérito e a responsabilidade passam a ser nossos. E se somos quem escolhe, do grau de importância que damos até o tipo de postura frente a vida, porque mesmo escolhemos a tristeza? porque mesmo no atemos a dor?
O dia, entre amigos, de riso frouxo, esteve a um tico se ser perdido em um rio de auto comiseração e sensação de perda. A dor é inevitável, mas a auto comiseração é uma escolha.

E eu não a escolho mais.

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