sobre Reencontros e sobre Abraços

Esse era para ter sido um texto sobre reencontros, sobre o reatar de laços do ponto onde eles foram pela vida desfeitos e em como esse foi o ano do reencontro.  Amizades soltas no mundo, de mais de década até um quarto de século atrás, que foram achando seus caminhos de volta para a minha vida e assumindo papeis importantes nesse cenário de outro reencontro vital: o meu comigo mesma.

Mas enquanto eu escrevia, texto que per si  ganha vida, ele se tornou uma pequena elegia do poder curativo de um abraço.

Ao longo desse ano foram alguns abraços, tão apertados, que ao invés de me tirarem, me devolveram o ar. Alguns de fato, outros meramente simbólicos, sucessão de gestos, pequenos ou imensos, a me fazerem sentir abraçada se não todo o tempo, todas as vezes que mais precisei.  E todos vindos desses reencontros…

Então, o que você estava fazendo há 15 ou 25 anos atrás?

Ok, talvez isso seja pegar um pouco pesado. Há seres que orbitam meu convívio que  sequer eram nascidos há 25 anos atrás. Para eles, 25 anos é um conceito abstrato que significa toda uma vida. E não estão propriamente errados. Corresponde à toda a vida deles, e toda  a minha  vida adulta… Talvez pequem pela parte do abstrato, mas …  Então relativize se preciso, e diga, o que você estava fazendo há 25 anos atrás? Com quem estava? Quais eram seus sonhos, seus maiores planos, seus piores medos? Quem você era há 25 anos atrás?

Dizem que somos soma das nossas experiências, que elas nos constroem da tábula mais do que rasa ao compendio ilustrado que mal conseguimos carregar… Mas se de fato somos assim tão fruto do nosso meio, que olhar é esse que se reconhece em espelhos datados no passado como se fosse ontem sem ontem ser?

Minha história não foi a que planejei escrever. Estive distante de quase tudo e quase todos que naquele passado estavam perto de mim. Muitos dos meus piores medos viraram realidade e poucos dos meus maiores sonhos se concretizaram. E me modifiquei de tantas maneiras que quando me vi sozinha comigo mesma mal fui capaz de me reconhecer.   Eu estava preocupada demais com tudo que deixei de ser. Com tudo que eu havia deixado pra trás e por fim, com tudo que havia sido tirado de mim. Usei para me definir os critérios errados. Me acreditei distante demais de mim mesma para ser una com o que uma vez fui.

Então vieram os abraços. Literais. Não tão literais. Gratuitos. Genuínos. Abraços tão apertados que comprimiam tempo e espaço, descompasso no tecido do universo, trazendo de volta parte do que eu havia sido. Nesses abraços, reconhecimento. Eu estava lá, preservada no outro em tudo que me perdi de mim.

Eu estava lá. Sempre estive. Estava 25 anos atrás. E hoje. Todo o tempo.  Onde você estava há 25 anos atrás. Ou 15? Ou 10. Eu estava com sendo guardiã da história de gente que amo, e tendo minha história guardada por eles. Eu estava garantindo que nenhum caminho me levasse longe demais de casa. Ou de mim.  Eu estava garantindo que nada fosse em vão.  E você, onde estava?

Talvez a gente seja um pouco tábula rasa e um pouco livro já pronto, mas de um jeito ou de outro imprimimos história, partilhamos sonhos, nos tornamos cúmplices de crimes que só imaginamos cometer.  E mesmo que a gente se esqueça disso, um dia, num abraço, tudo volta, tudo se refaz.

Ficamos inteiros outra vez.

E nos reconhecemos afinal.

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