Sobre certos e muito errados

É claro que toda história pode ser contada de várias formas diferentes, e por isso não somos e nunca seremos esse desenho chapado no papel. De onde quer que olhemos, somos diferentes e nossas histórias são diferentes. Nós mesmos podemos recontar nossa história e descobrir coisas escondidas, defeitos e qualidade que a gente nem percebeu. Um novo viés. E passamos de heróis à vilões à heróis novamente.

Digo isso numa mea culpa preventiva. Ah, não, não estou capitulando, ‘second guessing’ , me culpabilizando, vilanizando a vítima ou vitimalizando o vilão. E nem dizendo que há vitimas e vilões. Alias, não estou dizendo é nada. Pensamentos aleatórios tem essa vantagem, eles não reprecisam dizer.

Mas o fato é que não consigo olhar por esse olho mágico na minha porta de entrada (que nem há). Preciso abrir a porta, dar dois passos pra frente, dois passos pra trás, virar de costas, olhar do avesso, supor o que eu não consigo olhar… Minha segunda natureza é a alteridade. O que não precisa ser um problema desde que eu não me perca no olhar do outro, e em mea culpa da minha mea culpa, os que me amam sabem que o outro é esse mar recorrente onde vivo a me perder. Afogo, renasço e volto a morrer. Então por definição eu sei que há outro lado, uma suposta explicação, uma história dentro da história e por aí vai.

E no caso, eu sei onde nasce o discurso. E onde ele se sustenta. Sei a lógica que contém. E sei o ponto onde de cheio de propriedade, ele se perde, e deixa de ser.  Porque há um momento em que a lógica desmorona.. mas o discurso não. Por teimosia , má intenção ou esse apego à malfadada coerência, ficamos cegos ao fato dado: estamos errados. Entende? ERRADOS.

Ou daqui, despida de prepotência, fazendo esforço por compreender o outro, ego desfeito e ainda assim, sabemos que estamos certos. Apenas isso. Certos.

A começar que não se pode pregar a justiça de uma divisão igualitária  – o que convenhamos, é sempre bem cool como elemento do discurso… – se as condição de partida não são iguais ou equivalentes.  Meu passo, pernas curtas, será sempre menor que os passos de outrém.  Aí o sujeito com aquelas pernas enormes quer sair do mesmo lugar, na mesma hora, e achar que é justo… Chame do que quiser, chame de ‘perdeu,playboy’, diga que não é problema seu, mas não diga que é justo. Não é. Ponto.  Insistir que é prova burrice. Ou má fé.

Também é da ordem de uma certa estupidez ou da prova de mal caratismo ignorar solemente a exceção como se ela fizesse parte da regra. Exceção é a essência as avessas da regra, mas não é ela. Porque tudo está previsto exceto o que não foi previsto. E tudo está coberto exceto pelo que não estiver coberto. E tudo está bem, exceto…  Há sempre um ‘mas’, ‘porém’, ‘entretanto’ e ‘exceto’ habitando nosso discurso. E a ela, a exceção, dedicamos um tempo para lidar em separado, ou assumir a perda advinda. Mas incluí-la na regra não faz sentido, não é, sequer possível.

E há uma questão que tem sido recorrente nas coisas que ando questionando, que é essa apologia à mediocridade. Sim, sabemos, não é, por definição estrita, sua obrigação, mas e? Desvio de função na vida, sério? Vai na cara dura jogar pro outro e dizer ‘não é minha obrigação?´ Alias, a gente define obrigação como o que?

É para ser feito, é pra ser bem feito, é pra dar de si o que há pra se dar. Em tudo, mas em especial naquilo que realmente nos define na vida.  Ou assume que tá pouco ligando, e nada fará, senão obrigado, sob a mira do grito, da arma, da lei.

Só não pose de bom moço, que só quer direitos iguais, incluindo exceção na regra e fazendo apenas e tão somente o que quer que ache que é a ‘obrigação’.  Nesse caso, nem vale a pena olhar por outro prisma, essa é a história que é. Tá errado. Muito errado, E ponto final.

(post escrito na 6a 30 de nov, mas só transcrito no dom, 2 de dez)

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