Pensamentos Aleatórios · Reminiscências

When the Fog rolls Out

Eu sei (ou acho) que eu devia estar ouvindo Daughtry… Estou ouvindo Train no lugar. Não me entenda mal, nenhuma recaída, nenhum arrependimento pontual, nenhum tango argentino de nenhum tipo (que alias, não tango, mas drama mexicano, tão trash que fica bom, é a vibe desse CD do train. Divertido no geral! 50 ways to say goodbye é o suprasumo do passivo agressivo, só pra constar, e me faz chorar de rir! Mas eu estou – culpada! –  no When the fogs rolls in no repeat, ). É só que há um certo luto a se completar.

O ano chegou ao meio e pra todos os efeitos pra mim há uns marcos em andamento. Mais (ou diferente) de certas momentos de revelação, de decisão, da mudança, do 1o dia de trabalho ou enfim, mais que essas coisas com datas marcadas, o ciclo que se encerra tinha um rito de passagem. Um corredor por onde me espremi em dados momentos, ou corri esbaforida em outros, onde muitas coisas aconteceram (6 profícuos, pro bem e pro mal, meses!) mas era só o rito de passagem.  E eu saio do outro lado … agora. O tempo nesse corredor por onde o fog se espalhava acaba e eu sai do outro lado.

Se inteira há controvérsias, mas sem falsa modéstia, saí melhor. Obra em progresso ainda. Em todos os sentidos possíveis, obra em progresso ainda, mas sai do outro lado alguém melhor. Mesmo. Como? Não é mensurável, nem quantitativa nem qualitativamente falando. É nesse grau de tolerância que nos faz amanhecer no dia ensolarado ou no dia nublado, no dia com e no dia sem (?) problemas, no dia doente e no dia com saúde, e ainda se amar. Nesse estado onde a gente tem plena consciência do quão imperfeito se é, e ainda assim do quão foda… incrivelmente foda!

Porque esse é o entendimento que nos demora tanto a chegar: a gente tem que conviver bem com gente, é inexorável. Vamos ter que lidar com o outro, vários outros, em vários graus… Mas no fim do dia é com a gente mesmo que a gente SEMPRE dorme. E é com a gente mesmo que a gente acorda. E é a gente mesmo que carregamos pra cima e pra baixo todo santo dia. Então é a gente mesmo que precisamos amar. E entender. E suportar. E ajudar. E fazer crescer… Então esse bando de satisfação que eu pareço querer dar pra deus e o mundo eu sei que é desnecessária. Calma, ainda vou me justificar aqui, ali, aculá, mais do que devia. Foi mal ai, old habits die hard!!!!! Mas hoje eu entendi (não, eu tive a prova. Entender eu já tinha entendido!) que eles não fazem o errado certo. Não fazem sua falta de noção virar axioma. Ou sua verborragia virar teoria. Ou o seu certo ficar mais certo. Ou qualquer coisa no meio disso ai. Eles são só palavras. Bla bla bla bla… Então quem se importa que impressão eu causei em quem não tem o poder de afetar minha vida, não mais. O que importa o que acha… ou deixa de achar.

E de alguma forma vai se configurando um cenário que quanto menos você se explica e mais você faz, menos você precisa se explicar. Mesmo que o que faça não seja perfeito. E só isso já faz toda a diferença do mundo. Já seria motivo pra comemorar. Sem precisar dessa contínua confirmação que o universo tem me dado. Mesmo quando parece não me dar nada. Mesmo até quando parece que vai me tirar…

Então, toda essa falação  foi pra elaborar pra mim mesma porque ao invés de Daughtry e o supra-sumo da quinta essência do Over You ligeiramente passivo-agressivo, eu estou ouvindo Train, e uma certa lamentação pelo que se perdeu When the fogs rolls in. Porque entenda, sempre há uma perda. Nesse ganho, imenso, de mim mesma, há uma perda. E não foi pequena.

Toda vez que algo que não se compra recebe um preço, há uma perda. Toda vez que o que pautou uma vida perde o sentido, há uma perda. Toda vez que o véu se dissipa e desobrindos que nada era o que parecia, há uma perda. Toda vez que é preciso abrir mão das nossas certezas pra abraçar todas essas dúvidas, há… há… há um ganho, mas há uma perda.

E para as perdas existe o luto. E o luto tem fases. E nem adianta, tenta pular fases pra ver o que é bom, ou ruim… Eu gritei ao som de Over You 3 meses atrás. Fez diferença? Tá, fez, pra caramba, mas não era 100% verdade. Não era hora. E mesmo sendo tecnicamente agora a hora, é irrelevante. Tá, e?  “I can’t believe you were the one” … sei, e? “I’m better off without you” … humhum, alguém, além de mim, tinha alguma dúvida?  Ser procedente não torna relevante. E tudo isso é irrelevante. Eu sou um ser humano incrivelmente procedente, nem sempre tão relavante assim. A música então, nem se fala!

Então a escolha do dia foi mais melancólica, mas apenas porque é melancólico mesmo pensar que “So much for sewing up, So this is growing up, Everything’s going up for sale” e o quão triste é constatar que “These were our tender years, this was our street, All of our stoplights and all our concrete, Now it’s all somebody else’s to take Until the fog rolls in” e me dar o direito de ficar realmente triste por isso, por tudo isso, por toda essa história e ao que ela se resumiu. Porque sempre foi previsível, porque sempre foi dado, porque sempre esteve ali, mas em dado momento, esse fog me impediu de ver. E eu precisei passar por ele, e tentar sair, tão inteira como possivel, aqui, do outro lado, que é todo novo pra mim.

Novo. Ligeiramente triste. Terrivelmente amedrontador. E definitivamente só parte da vida.  E no mais, bom, é o peso da minha bagagem, que agora tem rodinha, e eu não preciso carregar nos ombros sozinha nunca mais.

Agora sim, I’m over you. Ou…
and now we’re through.” (When the fogs rolls in – Train)

(Porque todos os caminhos levam à Roma, se a gente sabe pra onde tem que ir…)

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