Porque é pra isso que estamos aqui

Fui trabalhar com a cabeça cheia e voltei com… bem, a cabeça cheia.  Ao som de coisas ecléticas como uma orquestra e coral tocando Shake it out, Pat Monahan cantando Sing Together e Young Galaxy e seu Blown Minded, documentos orbitavam com contas, anjos que cabem na minha mão, demandas e ausência delas, dedos quebrados, perdas  e ganhos, vitórias e derrotas, esse excesso de pensamento,  essa vontade de me fazer útil, esse desejo de simplesmente estar…

As coisas às vezes demoram um pouco para fazer sentido. Talvez nunca façam de fato. A gente é que fica procurando essas explicações para tudo, porque o mundo explicado é um mundo que parece melhor.  Há dias em que acreditar em deus é uma espécie de urgência, uma necessidade de que haja alguém a computar nosso karma, nossos acúmulos de bem. Porque esse esforço é tão grandioso, meu, seu, dela, ela… Esse esforço é tão grandioso que há que ser notado, há que mover as montanhas, acordar os celacantos, inciar essas ondas que hão de mudar esse mundo, e o mundo que virá.

Mas enfim, é tudo uma questão de redimensionar. De colocar em contexto. De olhar e entender pra onde o mundo gira, e  que nem de longe o centro é você.  Longe desse umbigocentrismo, o mundo ganha essa perspectiva que é tão grandiosa, e a gente, tão pequeninos, que tudo que importa é agora. É esse toque. Esse sorriso. Esse sonho. Esse desejo. Essa fé. Esse momento. E nada mais. O resultado é só o que vem antes de uma nova ação/reação, não é a meta, não é o fim. Todo o propósito é o movimento em si. RESISTIR. Bravamente, contra tudo. Contra todos. E definitivamente a favor.

E no melhor estilo do eu ando precisando acreditar, não foi um nem dois sinais. Minha vida está tentando me contar isso há tanto tempo. E eu até entendendo, sem de fato entender. Hoje mesmo compartilhei um pequeno texto de Guimarães Rosa a dizer que o que a vida quer de nós é coragem. Então, é o que ela quer. Eu sei, e já sabia. Tenho tentando dar a ela, isso, o que ela quer. Mas como meio para um fim, e não como um fim em si mesmo. Ela quer coragem. Não pra me dar algo em troca. Coragem é o que ela simplesmente quer.  E o que vem disso não importa, é demanda minha e não da vida, a vida, só quer o que ela quer.

E cada vez que eu dava coragem pra vida esperando que então ela se aquietasse, afrouxasse, eu não entendia que ela ainda urgia, e clamava, e pedia. Coragem. É isso que a vida quer.  Mas eu dei  a ela. Sim. Passado. Deu. Agora ela quer de novo. É outro momento. Coragem. É isso que a vida quer.

Não há réstia. Ou descanso. Ou sossego mais que esse tempo em que suspiro, abraço, beijo, sorrio, toco, rio, penso, amo, desamo, choro, apego e desapego, grito, vivo.  Tudo o mais é a vida, que clama isso que ela quer. Coragem.

E nesse ponto, realidade ou sonho, gozo antecipado ou consumado, perspectiva ou lembrança, tudo se confunde e não importa. A vida quer coragem. Eu, eu quero algo diferente.  Seja o que for, que eu o tome, o tenha, o sonhe, me lembre.  A vida pouco se importa, eu é que preciso me importar.

Eu sei que tristeza ou alegria é simbolicamente uma questão de escolha. Talvez em parte genética, definitivamente muito de química cerebral…  Chocolate, sol ,pimenta, gengibre, exercício…  serotonina e outras ninas, metidos neurotransmissores  a determinar se eu vou sorrir ou chorar.  Mas muito é só perspectiva. Oi, olha bem. Sério mesmo, tá triste por isso? POR ISSO?  Ah, faça-me o favor!

Foi preciso que a vida fosse literal. Me contasse essa história tão triste, mas tão triste, dessa de desacreditar irremediavelmente que a raça humana tenha salvação. Mas ao mesmo tempo, tão linda, tão … dessas histórias que a gente olha, e pensa que essa força que a vida te imbui é tão poderosa, é definitivamente matéria de estrelas, capaz de criar o sol, e exigir coragem…

A vida é uma merda.  As pessoas são uma merda.  E o que a vida quer das pessoas é Coragem.  A despeito. Resisitir. E ter coragem.  Agora. E amanhã também.

Porque tudo é esse movimento agora.  Esse mundo que mudamos AGORA. Essa vida que vivemos agora. E tudo, de bom e de ruim, passa, acaba. Até mesmo nós. Com ou sem deus. Com ou sem karma. Com ou sem explicação.

E só o que permanece é a vida clamando pelo que ela, sempre, quer.

Coragem.

E não é pra outra coisa que estamos por aqui.

 

PS: Então né, então. Termino texto e vou assistir o clipe que os meninos me mandaram assistir. Infinito, do Fresno. http://www.youtube.com/watch?v=UXLfnchfP8U . Não é meu tipo de música. Vai continuar não sendo. Mas era só pro caso deu não ter entendido a mensagem do anjo que cabia na minha mão  Era só pro caso remoto deu precisar que a vida desenhasse a ideia pra mim…

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