Is hard to dance with a devil on your back

Acolher e Empoderar são hoje os verbos mais importantes do meu vocabulário. E mais frequentes. Eu vivo disso. Presta atenção, é literal, eu REALMENTE vivo disso. Vivo disso porque são os verbos que pagam as minhas (por favor, grifo no minhas) contas e são os verbos que me devolveram a vida. Eu vivo disso. Sonho com isso. Acordo envolta nisso. Percorro meu caminho tendo isso em conta e é nisso que versa minhas horas de trabalho.  Acolho e sou acolhida. Empodero e sou empoderada.

Os últimos dias não foram mole. Ok, as últimas semanas, meses, alias esse ano, nada tem sido lá muito fácil, e isso, ai de mim, não é uma reclamação. Só que os últimos dias não foram mole. Há demandas dentro fora em volta por cima por baixo que dizem respeito em sua maioria a coisas que nunca fiz, nunca precisei fazer, nunca me ocorreu fazer. Algumas são físicamente desgastantes. Outras mentalmente. Outras emocionalmente e há as que são combinações dos itens acima. Subitamente todas tem caráter de urgência, são pra ontem, semana passada, mês passado ou com muita sorte, para amanhã.  Brotam on sight,  mas aparecem também se você se esconder. São demandas. Muitas. Mais que se estava acostumado à lidar. Mas são demandas direcionadas a mim, que eu e somente eu preciso dar conta, pra chefe, pra colega, pra cliente, pra mim mesma no espelho antes de dormir.  Relativos ao que pagam as minhas contas e ao que me mantém viva. Relativos ao que sou agora, ao que vou me tornar. Há demandas, e são muitas, e elas cansam.  Porque eu não faço corpo mole pra elas. Cada uma eu tento, dou meu máximo, me desdobro, tento. Nem todas são cumpridas na mesma maestria. Algumas eu deixo muito a desejar. Outras eu fico devendo. Mas o esforço impresso é o mesmo, em todas elas, como se delas dependessem meu ar. De certa forma, depende. Mas demandas tem essa coisa, elas nos cansam. Teimam em nos cansar.

E cansados, ficamos frágeis. Tendemos a nos lembrar dos erros, mas não dos acertos. Do que deixamos de fazer ,mas não do que fizemos. Das broncas que levamos mas não das palavras de confiança. Das coisas que perdemos e não das que conquistamos.

Acordei hoje cansada. E frágil. Listava na cabeça tudo que podia dar errado.  E demandas me salvaram outra vez. Era preciso providenciar. Observar. Garantir. Certificar. Ouvir. Compreender. Atentar. Aprender. Fazer acontecer. Demandas também tem essa estranha mania de nos distrair, de nos focar, de mostrar o que é prioritário, relevante, urgente… E nunca é o que a gente achava, 5 minutos atrás, que era …

Voltei  pra casa cansada. E poderosa. Me sentindo capaz de quase qualquer coisa nessa vida, de preferência depois de colocar meus pés pra cima por 30 minutos, mas capaz de quase qualquer coisa nessa vida. E me lembrando de tudo que fiz, não nos últimos meses, porque chega a ser covardia essa listagem, mas essa semana. Me esqueci de tudo que precisava ter feito e não tive como e não deu tempo e não dei conta, mas tudo que fiz. E fiz bem. Ou deleguei e garanti que fosse feito. Ou modifique para algo que fosse possível de se fazer. E quantas vezes eu fui acolhida. Pelo amigo, pelo colega, por mim mesma até. E quantas vezes eu acolhi…

Empoderar e Acolher. O verbos que mais uso. Mais falo. Mais vivo. Mais entendo. Mais respeito.  Os únicos que de fato nos permitem sacudir o que nos pesa o ombro, o que nos dói na alma, os que nos impede de voar…  Is hard to dance with a devil on your back, so shake it out… Empoderando. E acolhendo.

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