Pensamentos Aleatórios

Sobre essa história de sorrir para a vida

Ontem esbarrei num texto, um conhecido de longa data postou o link, comentou, era daqueles textos que ele precisava ter lido. E eu também. Eu tinha feito a exata mesma coisa da autora do texto (com o atenuante ou agravante de tomado uma decisão e na verdade estar na cola da adrenalina e da ansiedade dessa decisão), minha postura otimista durou 5 dias, e de súbito eu estava lá acabrunhada de novo, olhos vermelhos chorando a toa, tentando achar força pras coisas mais banais.

A identificação com o texto era completa. Mesmo. Também eu escrevi em blogs em outro tempo, outra época, quando eles eram novos, nós fazíamos hiatos, apoiávamo-nos mutuamente e éramos uma espécie de comunidade dentro de outra comunidade. Quando a Internet era nova, e escrever ato de resgate e prazer. E minha vida também ganhou de súbito uma velocidade que me deixou enjoada. Desabou e se desfez e começou a ser refeita e pareceu querer desabar e….  Passei a viver num terreno de obras, entre entulhos,  semi-soterrada e visitas esporádicas de bombeiros e paramédicos tentando me tirar de lá. Mas como se tira alguém da sua própria vida ainda que destruída? Complexo. Muito complexo.

Pensei em comentar o texto, mas eu tinha a recomendação genérica de me poupar. De não escrever esses manifestos pessoais nesse momento específico, num hiato forçado, num cala-a-boca ainda que necessário, castrador. E talvez não falar fosse parte da coisa do sorrir pra vida não estar mais fazendo efeito, e eu ter voltado às altas velocidades das mudanças, reações, providencias, da minha vida, sem dramin, sem plasil, sem nem um carinho antes… À seco. No tapete atrás da porta. Toma lá!

Mas o texto além de outros muitos alvos, além da necessidade da autora, além sei lá, da necessidade natural da palavra de ocupar o espaço, era também pra mim. Pra certificar que eu o tivesse lido, mas REALMENTE lido uma amiga, mais especificamente a mulher do meu melhor amigo, compartilhou o texto também. E meu melhor amigo foi e partilhou direto no meu perfil. “LÊ PORRA! LÊ!!!!!! Que a gente cansou de te ver triste. A gente cansou de te ver assim.”  E eu também cansei.

Alguém precisa sobreviver e triunfar, tá? Porque já chegamos a conclusão de que é frescurinha de mulherzinha (ser Just one of the guys não importa agora!) e minha vida de perna pro ar é mero detalhe. Ou não. Lógico que não. Mas finge que é se isso ajudar a relativizar e sorrir.  Que uma perda abissal com 53 dias  (nem 2 meses) e uma mudança radical e violenta em 18 dias à frente (nem 1 mês) com questões de saúde prementes e sendo atacadas no grito bem no meio, sem contar a babaquice humana (bem esse que sempre podemos contar com…) e tudo que pra chegar de uma ponta a outra dessa estrada eu vou ter que abrir mão, é o suficiente pra deixar qualquer um cabisbaixo. Mas não é necessário que deixe. Não por tanto tempo. Não se eu não quiser que me deixe. Tô com problemas é? Sáo reais, são palpáveis, são meio grotescos? Mas quem perguntou? E no que isso interessa?

Porque sobre a babaquice humana, alguém precisa sobreviver e triunfar. E eu não sou esse bastião solitário não, mas faço parte desse movimento de que é preciso SIM triunfar sobre a babaquice humana, inclusive (e principalmente) a nossa.

Porque isso nos provaria que o universo não é totalmente regido pelo caos, ou que confluências (e sorrir pro universo seria acionar uma dessas confluências) superam o caos, que é possível produzir bem, não importa em que ambiente, mesmo esses cheio de mal, com movimentos do bem. Que o esforço, esse impresso diariamente há 53 dias ininterruptamente não é em vão.

Do chão eu não passo. Mas nem devo encostar lá de novo: Eu tenho a melhor rede de suporte do mundo. Ela não estava pronta pra me pegar da primeira vez porque nem eu vi o trem que me jogou abismo afora vindo. Mas depois de acionada, eu não caio mais tão fundo.  Até os meus conhecidos estão aderindo à rede de suporte, acompanhando atentos o desenrolar da história, me dando a mão para subir aqui e ali, criando teias de confluência nessa rede… Alguns sem querer. Outros por vontade.

Minha vida é tudo, ao mesmo tempo, agora. E deixando de ser pra ser tudo, outro tudo, ao mesmo tempo, daqui a menos de 20 dias… Me tiraram coisas importantes. Eu vou precisar abrir mão de coisas importantes. Eu tomei decisões difíceis. Abri mão do egoísmo de não querer nunca ser egoísta, no momento que descobrir que minha voz tinha que ser alta, e não era só por mim.  Estou reconstruindo meu ego. Estou redimensionando meu superego. E o mais importante, eu estou sorrindo pro universo.

Universo esse que é caótico mais é lindo. Que não sei se é responsável pelo que me foi tirado, ou apenas testemunha calada, mas seja o que for, o que me foi tirado com uma mão está sendo me dado, melhor, com outra. Ainda a ser construído, ainda semente, mas definitivamente melhor. Que não posso reclamar porque uma vez tudo em movimento, ninguém me disse que ia ser fácil, aliais, me avisaram que ia ser muito difícil, mas o resultado final valeria a pena. E acima de tudo, quando eu precisei, quando eu estava lá, como disse a autora do texto do qual esse é incidental “quando você virou o cão da depressão” que eu saiba não ganhei nenhum unfollow não, mas muita gente apareceu, “conta comigo”, “estamos aqui”, “o que você precisar” e alguns foram testados e de fato eu pude contar, estavam lá e me deram o que eu precisava…  Então, to com essa cara de enterro porque? SORRIR… é a chave. O segredo e a última coisa que faltava.

Estou sorrindo pro universo hoje. Ou ele sorri de volta pra mim ou encare como um sorriso de deboche. Em cima de mim o caos não vai tripudiar de novo não. Se vier, tem briga. E das boas. Comigo em pé e sorrindo. E se não, bom, eu tô sorrindo. Vamos ver no que isso vai dar…

(PS: Eu entendi a história de me poupar, não fazer juízo de valor, não fazer tantas manifestações públicas, cuidar do que eu falo e pra quem eu falo, que no caso do público é absolutamente qualquer um. Mas tem um limite onde o silêncio auto-imposto deixa de ser sabedoria e passa a ser tortura. Essa sou  eu tentando ser feliz, e sorrindo pro universo apesar de estar no meio dos escombros da minha vida.  Se isso virar arma na mão de alguém, ai sério, passou do limite e é um universo que eu não quero compactuar com! )

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2 comentários em “Sobre essa história de sorrir para a vida

  1. Adriana, o que eu posso dizer além de te deixar um enorme e quentinho abraço?
    Nessas que a gente se encontra, e encontra força uma na outra, sem ao menos se conhecer.
    A vida passa, não deixa que ela passe por cima de você 🙂
    Nunca fui do tipo otimista, mas chega um momento em que precisamos ser. Por sobrevivência. Por amor próprio! Sorria, ria, mesmo sem motivo. Mesmo quando tudo está errado.

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    1. Obrigada. Abraços são iguarias bem vindas nesses dias! 🙂

      Não sou religiosa e nem acredito em destino, mas acredito em confluências, que chegamos a determinados lugares e deles saimos pelas teias que tecemos antes, que nada é acaso, tudo é reflexo e eco do que se faz nesse mundo. De bom e de ruim. O que não impede de levar uma porrada que não merecíamos ou receber uma alegria que não nos pertence, o universo não é propriamente justo, é só feito de ecos e reflexos e teias…. Então acho que eu precisava passar pelo que estou passando porque o que vai sair do outro lado é bem melhor e vale a pena, assim como acho que eu tinha que esbarrar no seu texto (tanto que veio por 3 vias distintas, uma delas direta, “isso é pra você ler. já leu? não? leia!”) porque era o que eu precisava ler naquele momento. E mais que textos, pessoas se esbarram porque podem trazer algo pra vida uma das outras. Um reflexo. Um eco. Uma teia.

      Tô sorrindo. O que vem pela frente é grandioso. Eu só preciso ficar em pé e sorrindo tempo o suficiente pra ver. E tudo isso terá valido a pena. Desejo o mesmo. Sempre. Muito. E tanto.

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