A vida que segue

A vida, impreterivelmente, segue. Todos os dias, a despeito, o sol se levanta, vai a pino, se deita, e some. A noite chega, se arrasta, e invariavelmente, se entrega à chegada do sol. Todo santo dia e todo dia santo. A vida, impreterivelmente, segue.

No momento do choque, quando planetas colidiram, quando órbitas se perderam, o mundo pareceu parar. Um minuto de silêncio pela minha dor. Vidas em espera. Todos os olhos sobre mim. Invadida e amada, o doce-amargo gosto da compaixão.

Mas a vida segue. Há que se retomar a rotina, agora desprovida de sentido, de riqueza, de esperança. Agora só rotina. E as vidas que não colidiram, ah, essas seguem em toda sua glória, dias bons, rumo a dias melhores.  O estranho encanto da minha queda livre subitamente perde o interesse, frente à vida, essa que, impreterivelmente, segue.

Mas aqui, a vida também segue. Mas segue a revelia. Os dias passam por mim, mas eu não passo pelos dias. O mundo, que de súbito e tão violentamente, perdeu o encanto, e o interesse, e a magia, me é estranho, alheio, triste. Minha vida é a do outro. Ansiedade pelo  instante em que na vida alheia, no canto do olho, na periferia da visão periférica, vejo um arremedo de reflexo meu, um vislumbre o que é a vida.

Que segue. Tristemente. A revelia. E impreterivelmente.

 

 

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