Pensamentos Aleatórios

Insonia

Insonia. Insone.
O corpo pede, a mente protesta.
A mente implora. O corpo nega.

Da incapacidade de mente e corpo desejarem juntos o abandono, a rendição, o repouso. Mal dos notívagos, dos tristes, dos aflitos. A hora passa. Todos os sons se aguçam e preenchem o silêncio.

Alguém se vira na cama. O cachorro suspira. O computador geme. Um grilo distante e insistente que me lembra o de Mário Quintana a perfurar as implacaveis solidões noturnas. Terá ele encontrado o mais puro diamante perdido? Terá ele se perdido em sua loucura? O grilo… Eu. Ambos.

Insonia. Os dedos tamborilando no teclado. O livro resgatado mal folheado. A lista de interminaveis por fazer sendo gerida. O lençol amofanhado no canto. O travesseiro que chama meu nome.

Insone. Uma leve lembrança de ter sentido sono horas atrás. A dúvida que consome do e se… E se eu tivesse deitado, a despeito de tudo. E se. A despeito deitado tivesse tudo. E nada. E se.

A promessa da música que talvez amanhã seja bom pra algo. “Mamãe, Mamãe”, ecoa a voz do passado de uma memória construida, puramente emocional, “hoje já é amanhã?”. Não. Hoje é Hoje. Resto do dia que já foi. Um hoje que perdura. Dia, após dia, após dia. Só será amanhã se eu dormir. E eu não durmo. Renitente. Casmurro. Teimoso. Eu simplesmente não durmo.

Apago, ocasionalmente, quando um, corpo ou mente, perde a briga, cai ferido… apago. Mas não durmo. Insone. Insonia.

E nunca chega amanhã.

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