Pensamentos Aleatórios · Reminiscências

Sobre Loucura, Nostalgia e Passado

Ter a sensação de estar ‘loosing my mind’ é recorrente… Acho que o dia que eu me sentir 100% centrada, é o dia da minha internação no IPUB like place mais próximo. Mas eu sempre estranho, sempre me pergundo quando foi que fiquei tão louca, e vez por outra esbarro nesses fragmentos que me mostram que eu não fiquei, que eu sou, e meio que eu tenho orgulho disso.  Cada coisa boa que vivi foi vivida à exaustão. Cada coisa ruim que me aconteceu eu virei do avesso N vezes até algo bom sair dalí. E nunca, ao menos nunca depois de ter compreendido o material do que sou feita, me levei mais a sério do que precisava.

Isso talvez faça de mim uma adulta incompleta. O sistema me permeia mas não me engloba. Estou sempre na janela, meio corpo pra fora, meio corpo pra dentro, sob os gritos de fecha a janela, mas eu não vou fechar. Porque me rendo só o que é estritamente necessário, para comer amanhã, para vestir meus filhos, para lidar com o mundo dito real. E nem um milímetro a mais. Todo o resto não me interessa.

Com o passar dos anos isso pode me transformar numa velha patética, daquelas que quando criança a gente olha com o canto do olho e se pergunta: Ela não tem noção não?

Já respondo. Não tenho. Noção é pros chatos. É pra quem se contenta em estar ‘guardado por deus contando o vil metal’, é pra quem facetou a vida e jogou tudo que é bom no ontem, e talvez no amanhã. Talvez, porque ele pode não chegar. E eu não vou pagar pra ver.

Dito isso, me contento com pouco. Me conformo com pouco. E me sustento com pouco. Porque meus sonhos são pequenos? Não, porque eles não cabem nas coisas. E porque tudo é muito, muito mais do que parece. As coisas são embalagens que as vezes vem embaladas também, mas dentro delas, dentro do que parece ser só aquilo, abre-se um mundo de possibilidade, de segundos de contemplação ou júbilo, frutos da arte de revirar o mundo, até achar aquele “que” escondido que faz valer a pena. E tudo tem um ‘que’ escondido. A gente só envelhece e fica com preguiça de revirar…

Ainda não acabou. Mas mesmo assim, de tempos em tempos a gente esbarra nesses momentos do passado, histórias soltas que contam histórias e bate essa nostalgia infinita. E parece que eu estou presa lá, mas não estou. Estou celebrando. Na minha loucura, que vem desde então, minha relação com o passado é quase a de um arqueólogo, revirando areia em busca de algo que tenha significado, me conte uma história, me faça compreender o hoje.

Em uma cortesia do @coredump que achou um blog que faziamos parte eu, ele, o @mariocaraujo, a @Y_7, a @thaisccaraujo, o @dthought e o @mlpsaraiva, um fragmento foi garimpado. Um que é muito signficativo, embora 99,99999% de chances de só ser significativo pra mim…

Significativo porque afirma com todas as letras:

a) Eu sempre fui louca
b) Eu sempre construi coisas com a minha loucura
c) Eu sempre revirei as coisas do avesso
d) Eu sinto saudade dessas histórias e do que vinha com elas

Saudade, que essa sim, está presa ao passado. Se eu não estivesse aqui, no fim do mundo onde o vento fez a curva, ainda sentiria saudade. A maioria dos meus amigos virou respeitáveis cidadãos contribuindo com a sociedade e sem tempo para procurar o ‘que’ escondido das coisas. Não os culpo. Eu tenho a minha parcela de falta de tempo também. Ou cansaço. Ou velhice. Mas o fato é que aquilo é só lembrança que me constrói. Importante mesmo é o que vem daquilo. No que transformamos aquela história. Eu quero transformar em algo grande e bom e novo e único. E por isso, sigo celebrando o passado.

Em algum momento, há 9 anos atrás:

Chesty Blue (eu) : K-rai JC… PLEASE… ME INTERNA!!!!

Ele, JC, como queiram: interno… aonde e por exatamente?
Chesty Blue : Juqueri?

Ele:: 😉 ta tao grave assim?

Chesty Blue : Le o que eu acabo de publicar as 7:50 da matina e vc vai entender o pq
(…) rasgação de seda desnecessária (…)
EU TO SURTADA! EU DEI VIDA A PATINHA AZUL E TRISTE… A PUTA TEM NOME E EU FIZ UM TEXTO SOBRE ELA…EU TO SURTADONAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Ele : perai.. mas ela nao eh vc? 😉

Chesty Blue : NAO JC.. ELA EH uma ruptura de mim. Ela é meu surto psicotico, porra! personalidade multifragmetada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! AHHHHHHHHHHHHHHHHH Ela nasceu do patinho azul. Eu tinha que projetar essa porra aqui dentro em algum lugar. Foi no patinho azul.

Ele : hmmmm ela é seu Tyler Durden, eh isso?

Chesty Blue : ISSSSSSSSSSSSSSOOOOOOOOOOO Perfeito… ela é meu Tyler Durden! Pelo menos ela não dah porrada na minha cara!

Ele : hahahahhahahaaahahahahhahaha
q legal. quem sabe um dia vc vai acordar, vai ter um bando d pessoas estranhas na sua sala e… esquece, isso ja acontece todo fim d semana =P

Buaaaa… Ainda surtando de tempos em tempos, mas sem, no momento, algum outro eu do eu multi-facetado ganhando vida própria e sem pessoas estranhas na minha sala todo fim de semana. Saudade disso. Mas isso me levou aqui e aqui? Já disse, né? Quem sabe onde me leva?!

 

(Fonte: ABESTADO, o blog: http://abestado.blogspot.com/ )

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Um comentário em “Sobre Loucura, Nostalgia e Passado

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