Todos nós temos um passado…

A gente brinca: “Teu passado te condena!” Mas sério mesmo? A mim, sem a menor sombra de dúvida, ele me liberta.  Eu entendo, sério. Não sei se compreendo, mas entendo. Pega mal no trabalho, a patroa vai encrencar, o marido tá mordendo canto de parede e por aí vão as razões para colocar o passado lá no fundo do baú mofado e cobrir com mantas do inverno passado. Ou pelo menos não querer que seja feita a associação direta… Entendo como entendo todas as pequenas diferenças que fazem com que você não seja eu…

Mas não é como ter um altar para fotos de ‘ex’ ou ter cometido um crime hediondo que finalmente é revelado (como enredo ruim de novela… opss, pleonasmo!). São mementos, resgatadas por terceiros que provam apenas e exclusivamente que tivemos um passado. Igualzinho a todo mundo. No qual vivemos romances, fizemos coisas bobas e divertidas, tivemos péssimo juízo estético na escolha do corte de cabelo e seguimos uma moda datada e ruim. São mais que memórias, são mementos, mas apenas isso.

E essas pequeninas coisas, que foram tão grandes outro dia mesmo, construíram quem eu sou. Como pessoa, como profissional, como ser humano na grande ordem cósmica  e no micro-universo. Eu não seria eu sem aquelas coisas. Seria um outro eu, pelo menos. Uma gêmea de mim mesma que viveu outra vida, outra história e, porque não há como se fugir, teve um outro passado. Outro passado cheio de outros romances, outras coisas bobas, outras modas de gosto duvidoso…

Mas já disse que entendo. E mais que isso, respeito. Respeito porque todas aquelas histórias, todas aquelas roupas (queria achar alguma foto minha de mini-saia jeans, camisa listrada laranja e meia-calça roxa, se sentindo linda, estando linda nem que fosse só naquele recorte de tempo, naquele instante congelado, naquela memória de ontem, um ontem de quase 30 anos atrás, mas ainda assim, ontem…), toda aquela vida criou em mim o respeito pelas nossas diferenças, respeito que talvez eu não cultivasse se não tivesse estado lá…

Então, enquanto faço a minha jornada de revisitar o passado, edito fotos, corto ex-amores, retiro marcações e guardo fotos que seria mais divertido compartilhar sempre que assim me pedem. Por respeito. E entendimento. Ainda que me falte a compreensão. Porque meu passado, com todos os seus deslizes, com todas esquisitices, com todas as suas tristezas e em toda sua glória e alegria, eu celebro.

E quando fica muito estranho, sempre posso recorrer à desculpa das desculpas, dita entre gargalhadas:

“Não era eu, eu não me lembro, eu era muito nova, me obrigaram, tava bêbada, eu precisava de dinheiro na época, nem tinha nascido e já estava assim quando eu cheguei!”

Mas no fundo no fundo, orgulhosa de que era eu, e aquele eu desembocou nesse, e sabe-se lá em que eu desembocarei amanhã…

Confesso: Casaco de ombreiras e batom vermelho. Mas se usarem contra mim, Não era eu, eu não me lembro, eu era muito nova, me obrigaram, tava bêbada, eu precisava de dinheiro na época, nem tinha nascido e já estava assim quando eu cheguei!
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5 comentários sobre “Todos nós temos um passado…

  1. Opa … para efeito de resposta pra valer!

    Jamais ousem editar uma foto minha para tirar uma ex-namorada, uma roupa ridicula, uma maquiagem estranha, uma companhia que se foi, um oFF, um ON, uma ONFF …

    Eu posso até morrer de vergonha e viver o constrangimento de explicar no presente o passado … mas para que conste dos anais:

    “Era eu sim, assim que vejo as fotos eu me lembro, eu já era maior de idade, devia ter uns 20, fiz por opção própria, ninguém nem tentou me convencer, ok, eu até devia estar bêbado, ou quimicamente feliz, mas isso nunca foi desculpa, bem, eu devo ter pago por grande parte dessas coisas (ainda que precisar do dinheiro seja uma constante aos vinte, convenhamos), é tinha nascido :), e quer saber? Provavelmente fui eu mesmo que fez a cagada quando cheguei!”

    Mas dito isso, e deixe-me resumungar e choramingar por ter uma porcaria de amiga que guarda caixas de fotos de 10/12 🙂 … nenhum hobby menos constrangedor não??? 🙂

    1. Como te respondi no Facebook, eu tinha outro hobby, só que ele era tão constrangedor quanto, se lembra?!

      Fazer o que se acho que celebrar o passado e rir de nós mesmos é sempre melhor que a alternativa?

      😛

    2. PS: Vamos ver como fica sua postura de “Era eu mesmo” com as próximas fotos… como ainda tenho muita coisa por aqui, não tenho certeza do quão constrangedor e de quem são as fotos, mas posso apostar que ainda desencavo algo bem divertido dos aureos tempos! 😛

  2. Eu tenho uma filosofia de vida… Se eu vou rir disso daqui a vinte anos, então é melhor começar a rir agora.

    Qualquer foto de “passado negro”, quando ainda era presente, já serviu mesmo naqueles idos para risada.

    De qualquer forma, nunca me levei a sério mesmo. A vida é curta demais para ser um ranzinza. A vida tem que ser supercalifragilística-espialidúlcica para valer a pena.

    Então que venham os negros passados. Eles nunca me assombraram. A menos que a assombração seja como aqueles filmes de terror tão ruins, mas tão ruins, que são eternas fontes de risada.

    E que conste nos autos: adorei a Dri de baton vermelho e casaco de ombreira (preparando-me para ser espancado em 4, 3, 2, 1…) 😀

    1. Átomo, vc fala isso pq sabe que se eu achar outra foto sua sem ser a que já postei, será um milagre milagroso miraculoso… nunca vi fugir de foto desse jeito!

      Queria uma do Demonic Vestiment, ou você de casaco e gola rolê no calor do verão carioca…

      PS: Até sei porque, mas é 100% off… sobre criaturas de filme de terror ruim, até hoje não assisto o A Maquina do Tempo original… Eu vi qdo era pequena, e os Morlocks me fizeram me borrar de medo (me escondi em baixo da cadeira onde meu pai tava sentado!). Conclusão: Uma vida de pesadelos com aquelas coisas mal feitas! Depois que a Lê nasceu, passou de novo, e resolvi assistir, quando eles apareceram, eu tapei os olhos, e ela, pitititinha, gargalhava! Que vergonha!!! A segunda versão, a mais recente, eu vi sem problemas, mas não me chamem pra ver a versão original não! 😛

      PS2: Como mal dá pra ver as ombreiras e o ângulo não faz o batom vermelho ser bem, batom vermelho, nada de apanhar hoje, vou tomar como elogio! 😛 😛 Viu como tô de bom humor? É que a sinusite tá tão grotesca por aqui que dissolveu os neurônios e uma entidade alegrinha tomou conta do meu ser! 😛

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