O grande e incomensurável abismo do HD (ou Nietzsche, be proud!)

O fato da minha vida ter se tornado uma comédia de erros, quase um pastelão com direito a torta na cara e tudo mais, falarei depois (ou não), num post que está ensaiado para tomar vida e nunca toma…

Mas só sobre TODO o conteúdo de meses de trabalho perdido, e um HD formatado às pressas, algumas palavras…

Eu sou uma pessoa confusa. Mesmo. Eu preciso fazer listagens e similares antes de procedimentos radicais justamente porque, de outra maneira, nunca sei por onde começar. Então, sempre antes de formatar um HD, há o backup de tudo que é possível, e listas dos programas a serem baixados novamente, lista de senhas que não devem ser esquecidas, fazendo um grande mapa mental, só que por escrito, de tudo que vou precisar fazer depois.

E então de repente, meu HD precisa ser formatado em caráter de urgência, e tudo é perdido. Algumas coisas pra sempre. Outras por milagre e graça, são encontradas aqui e ali. Mas o processo, a reconstrução, o caminho para voltar a ter um ambiente de trabalho funcional, é que é o X da questão.

Um grande branco, comparável ao agora espaço vazio no HD formatado, se instala. Eu não lembro o que é essencial. Eu não sei por onde começar. Eu fico tateando e olhando desolada aquele espaço vazio sem uma lista de tarefas para preenche-lo novamente, e não saio do lugar. Começo uma tarefa e percebo o quanto ela é inútil sem um passo anterior, que esqueci, e preciso recomeçar. Faço a tal coisa e lembro no meio do caminho que não uso mais aquele programa, mas outro, similar e melhor. Apago. Começo de novo, e esqueço qual a senha do servidor para fazer o FTP funcionar, ou o programa de email do marido (eu, com a graça de deus, uso Gmail, e a cada formatação, planejada ou forçada, apenas agradeço por essa prévia e sábia decisão). Descubro que o técnico instalou versões erradas de vários programas básicos, e agora eu preciso de novas versões ou os poucos arquivos que havia backup e não foram perdidos não podem ser abertos. Tudo isso passando em fast forward na minha cabeça e eu não acho o botão do pause, nem por decreto lei…

E as horas passam e o vazio ainda me encara, quase em desafio. Ao fundo, é possível ouvir algo que se assemelha a uma risada malévola: é o HD funcionando em tom quase de deboche, me questionando se eu sei quando ele vai me deixar na mão de novo…

Nesse meio tempo, o trabalho se acumula, o espaço vazio do HD (e da minha mente) permanecem, e eu fico lá, olhando o abismo que me olha de volta… Nietzsche ficaria orgulhoso de mim. Ou não.

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