Crônicas do Cotidiano

Só mais 5 minutinhos…

Eu sou insone e estou desempregada. Isso em um mundo perfeito deveria significar longas horas de sono matinal, para recuperar as horas fixando o teto madrugada a fora e comemorar meu ostracismo. Mas só em um mundo perfeito.

De 2a a 6a o despertador toca as 5 da manhã, para tirar as crianças da cama. As vezes eu mal preguei o olho e lá vem a musiquinha do celular, que para não tomar ódio por ela, eu fico trocando frequentemente… O despertador toca de novo as 5:50, pro caso remoto deu ter voltado a dormir depois de tirá-los da cama, ou de não ter ouvido da primeira vez (E aí é aquela correria pra fazer tudo nos 15 ou 20 minutos que eles teriam restando). Sábado as vezes também é dia de aula, e mesmo quando eles dormem no avô, eu acordo as 5:30 e telefono para confirmar se eles já levantaram. Depois que eles saem, eu deito de novo, mas aí já é manhã alta, e é um telefone que toca, um vizinho que sai para trabalhar ruidosamente, a Ângela que chega, e mesmo que eu fique deitada, não estou realmente dormindo… quando muito cochilando.

Mas mesmo quando não é dia de aula, normalmente meu marido está em casa. E ele tem insônia terminal, justo o contrário da minha. Ele apaga com a maior facilidade, mas em algum momento no fim da madrugada, perde o sono, e acaba me acordando só de se mecher na cama, as vezes minutos depois deu ter conseguido dormir. As vezes ele liga a TV, que mesmo baixinho não me deixa dormir direito. Ou vai pra sala e fica conversando com a Ângela, o que invariavelmente me acorda.

Apesar de saber que em férias, mãe trabalha dobrado, eu estava esperando ansiosamente por desligar o despertador das 5… Mas a 1a semana foi um fiasco. Era Olimpíadas escolares, e a Lê quis participar. Ela podia ir mais tarde, mas para aproveitar o transporte que eu já pago, não houve alterações nos horários. No meio da semana ela ficou doente, e parou de ir. Eu juro que eu quase, lá no fundo mesmo, fiquei aliviada. Ia poder dormir. Mas chegou em casa do médico com um remédio para tomar de 8 em 8 horas, o que signficava no máximo 1 hora a mais antes do despertador tocar. O médico, muito intransigente, ignorou nossos apelos por comprimidos, e passou remédio líquido. Depois da primeira manhã de dar remédio bêbada de sono para uma menina mais bêbada de sono ainda, que tem intolerância a remédio líquido (e vou poupar vocês do que isso significa!), fui ler a bula e descobri que não era antibiótico nem antiinflamatório, era pra dor e febre. Mandei o médico catar coquinho e voltei pra habitual dipirona ou paracetamol, que ela já toma em forma de comprimido. Aí pensei, OBA, sexta não tem remédio com hora, nem aula… Mas aí o Tê, que faltou a semana toda, resolveu que queria ir no último dia, então, despertador de novo as 5 da manhã… E vamo que vamo!

Sábado e domingo, acordei com a movimentação do meu marido, como todo fim de semana. Na segunda era o dia… mas de novo, a movimentação do Marcelo e da Ângela me tiraram da cama séculos antes da hora desejada. É terça… nada, por conta do apagão, meu marido estava por aqui também na terça. Quarta, é agora, é agora! Esquece, o Tê precisava fazer os últimos preparativos para a viagem, então me pediu para ser acordado as 6… Quinta e sexta foi dia de oficina cultural para a Lê, então, despertador de novo!

Aí ela resolveu dormir na casa da amiga de ontem pra hoje. Não ia mudar muito porque eu ia telefonar pra ela as 7, mas pelo menos não levantaria da cama, nem ia ficar neurótica olhando a cada 5 minutos pra ver se ela já estava pronta pra não perder a hora, então talvez conseguisse continuar a dormir.

Deu 7 e o despertador tocou. Liguei pra ela e deu caixa postal. Não podia fazer muito a respeito, então virei pro lado e continuei dormindo. Aí que começou o circo. A carona dela pra oficina foi busca-la na casa da amiga, e nada dela descer. Me ligaram. Eu ligo pra ela. Caixa postal. Ligo pro fixo da amiga, que é na verdade na loja do pai da dita cuja. Me avisam que está tudo fechado na casa, mas que vão tentar chamar. Nada. Ligo de novo. Outra vez. Finalmente consigo falar. Ligo pra carona, peço pra esperar. Ligo de volta, mando se apressar. E quando dei pela coisa eram 9 da manhã, e eu babando de sono. Ai já tinha acontecido muita coisa e era como tentar dormir do zero, e eu… bem, já disse que sou insône? Então vira pra lá, vira pra cá, vira de novo, ufa, tô quase dormindo, quase lá, só mais um pouquinhzZZZZZZzzzzzz… TRIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM! Telefone. Tentei ignorar, mas acabei indo atender. Meu marido perguntando abobrinha, dizendo que mais tarde liga pra pedir um favor que envolvia eu estar acordada. Eu estava acordada? Balbuciei alguma resposta. Ele disse que ligava depois… Deito de novo. Nada. O olho fechando mas nada de conseguir dormir. Vira pra lá. Pra cá. De novo. Outra vezzZZZZZZZZZZzzzzzz… TRIMMMMMMMMMMMMMM! Telefone. Dessa vez ignoro. Mas ele toca outra vez. Eu taco o travesseiro na cabeça. Se for importante liga pro celular. Melhor não tentar dormir porque o celular vai tocar. Não toca. Mas já vai tocar. Nada… Argh. Tentando dormir. Vira pro lado. Pro outro. SE ajeita. Calor. Tira o casaco. Tira a meia. Agora tá frio. Puxa o cobertor. Argh… Vira de novo. Ajeita o travesseiro. Uma hora dessas eu consigo. Ou talvez seja melhor levantar e zzzzzZZZZZZZZZzzz… TRIMMMMMMMMMMMMMMMM. Saco. Vou lá atender. Levanto tropeçando. TRIMMMMMMMMMMMMM. Calma, já vou atender. Pronto, parou de tocar. Sento do lado do telefone. Cochilo sentada. Não toca de novo. Ai vou pro quarto e vejo a hora: quase 11. Eu não tinha dormido quase nada nem de noite, nem de manhã. E cada vez que o sono vinha, alguém tinha me interrompido.

Eu sou insone e estou desempregada. Isso em um mundo perfeito deveria significar longas horas de sono matinal, para recuperar as horas fixando o teto madrugada a fora e comemorar meu ostracismo. Mas no meu mundo só significa que quem não dorme na hora certa, a gerência não se responsabiliza. Literalmente o problema não é nosso: perdeu playboy. Levanta aí que tá na hora de correr o mundo!

PS: Post escrito em um txt, morrendo de tédio, porque depois que voltei da casa do meu pai, nada de internet. Fiz os serviços “off-line” e tive que ficar esperando a internet voltar, porque tem tarefa urgente pra ser feita. É se eu fosse deitar, não iam bastar só mais 5 minutinhos: pra ser franca, não ia se hoje que eu ia me levantar de novo! 🙂

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