Cotidiano

Pesadelo acordada: de volta à escola

A maternidade é definida por muitas coisas, e a maioria delas não tem o glamour que é vendido em propaganda do dia das mães…

Nos primeiros anos são as manchas de papinha e golfada nas camisas. O leve odor de pomada para assadura que insiste em não sair das mãos. E obviamente o duro aprendizado de conviver com a insônia forçada. Depois são os programas de índio; as sacolas absurdamente lotadas de “coisas de criança” ao invés de coisas de adultos; a perda progressiva da habilidade de conversar civilizadamente com qualquer ser que tenha idade mental superior a 10 anos de idade; os cagoetes de corujice; as unhas sempre sujas de guache e massinha apesar de terem sido meticulosamente limpas segundos atrás e um leve ar insana-descabelada-louca-varrida que acompanha o ritmo insano de se correr atrás de crianças.

Aí eles crescem, e você pensa: vou sentir saudade daquilo tudo (e até sente), já que eles vão pra rua e te deixam sozinha em casa sem nem pestanejar ou pensar duas vezes. E você continua com o leve ar  insana-descabelada-louca-varrida e a insônia adquirida, esperando acordada por eles voltarem pra casa ou pelo menos darem sinal de vida.  Mas você não tem mais cheiro de pomada, não tem blusas sujas de golfada, não precisa mais correr atrás de criança gritando histéricamente menino(a) não sobe aí…

E você olha orgulhosa a independência recém adquirida dos seus rebentos, com um leve ar de nostalgia… até eles ficarem de recuperação.

Aí você olha aquelas notas gritantemente vermelhas no boletim, coloca um colírio pro olho parar de arder, fica rouca de gritar como foi que isso aconteceu já que sua única responsabilidade é a escola e bla bla bla,  ou no meu caso que já estava acompanhando a situação no passo a passo, respira conformada que é isso aí mesmo e só troca do menino(a) não sobe aí por menino(a) vai estudar.

São 3 quase 4 semanas (uma semana de olimpíada escolar) de férias. Provas de recuperação na primeira semana de aula, em agosto. O combinado foi uma semana de marmota (que está terminando agora), uma semana – essa que está entrando agora –  de pegar leve (MOSCA – mostra de cinema –  pra uma, ANIME FRIENDS pro outro) com algum estudo no meio do caminho e duas semanas de nem respirem muito forte pra não desconcentrar do estudo… Não que eu ache que vá funcionar, mas o trato é pré-férias, combinado quase desde o primeiro dia de aula independente do resultado obtido e eles podiam ter ido bem em tudo que ainda seria assim. Ai eu parei pra pensar… a droga é justamente quando eu paro pra pensar!

Em quase 6 meses, com professor do lado, e o conteúdo indo pouco a pouco, eles não deram conta em algumas matérias. Como é que vão dar conta sozinhos de livros inteiros (os livros deles são um por semestre para cada matéria) em 2 semanas?  Ou eu me meto ou não posso reclamar depois.

Então veio a outra maravilha da maternidade. Eu não estou interessada em saber todos os adjetivos pátrios, as formas de contrair preposição, como se acentua as palavras, tudo sobre as cadeias alimentares, como se converte unidades de medida, como se faz raiz quadrada, ou quem fez o que quando e porque na história do mundo. Minha cultura geral vai bem obrigada e a maioria das coisas aprendidas no tempo de escola nem usei nem vou usar, exceto na época pra passar de ano.  E ainda assim cá estou eu, resumindo livros inteiros (página 100 de 192 do livro de português de um, isso porque Literatura não precisa ou seriam mais de 300 páginas  e foi só o primeiro! ) pra objetivar o estudo…

Ainda falta ciências, português e matemática pra pequena. O pai vai estudar história com o mais velho, e matemática e física ele tem professor particular. E química eu entrego pra deus.

Então tá, acabo de aprender que um objeto de prata é um objeto argênteo, que quem nasce em Anápolis é anapolino e que não se usa artigo antes de substantivo de sentido indeterminado e genérico. Bom pra mim, você não acha?

O problema é o déjà vu nada agradável. Até pouco tempo atrás eu tinha o pesadelo recorrente de estar na escola de novo, normalmente descalça, em dia de prova para a qual não estudei, e alguém me perguntava justo essas coisas acima. Ok, agora eu estou tendo o mesmo pesadelo, só que acordada.

Ai ai, que saudades das unhas cheias de guache e  das manchas de papinha… Ao menos saiam com água.

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