A arte de comentar

Eu não sou dona da verdade. E nunca quis ser. Mas aprendi desde cedo a defender meus pontos de vista até ser convencida do contrário: e acreditem, eu não me importo em ser convencida do contrário. O caminho do aprendizado é, e sempre foi, o diálogo.

O ruim de escrever na internet é que você não fica cara a cara com seu interlocutor. Quando alguém lê um texto seu na sua frente algum comentário saí dali. Bom, ruim, gostei, não gostei, concordo, discordo, e por aí vai. Mas aqui as pessoas vem, lêem, vão embora, e exceto por um hit anônimo, a gente nem sabe que alguém esteve por aqui. Mas isso não é muito diferente de ler um jornal ou um livro, na verdade, é até melhor porque há a possibilidade de interagir. Agarra essa oportunidade quem quer!

Mas comentar na internet não é, ou não deveria ser, diferente de dialogar com alguém na “vida real”. Discordar e criticar são direitos que todos tem, a forma é normalmente muito mais problemática que o conteúdo. As pessoas se acham no direito, por estarem escondidas atrás de um monitor em alguma parte do mundo, de serem grosseiras, ríspidas, vazias em conteúdo na hora de criticar. Não gostou? Tá coberto de razão e no seu absoluto direito, mas me explica porque, como e quando, e abra o espaço pra eu argumentar também. Com sorte, a gente chega num consenso, ou na pior das hipóteses, a gente pelo menos dialogou.

Quando alguém diz que faltou uma certa informação no seu texto, você pode dizer que não tinha a intenção de dar todas as informações, agradecer a dica, incluir a nova informação… Se alguém acha um erro em um post seu, você pode agradecer e corrigir, afinal, é da natureza humana cometer erros, e não há problema nenhum em admitir isso. Se alguém discorda do seu ponto de vista e apresenta um novo, você pode dialogar até que um dos dois se convença ou concordem em não concordar. Mas se na vida real alguém diz : Seu texto é uma MERDAAAAAAAA! (mesmo que com outras palavras), você nem se digna a justificar porque é uma crítica vazia: não te diz no que você pode melhorar. Então quando muito, a resposta correta é encher a boca e gritar FOOOOOOOOOOOOOOD…. vocês sabem como completar!

Acontece que eu não acho que dois erros façam um certo (muito embora se você ficar virando pra esquerda acaba indo pra direita outra vez, e vice versa…) então eu sou a trouxa que sempre tenta argumentar quando aparece um Troll na minha vida. Num primeiro instante minha intenção é genuína: eu quero mesmo chamar o interlocutor à razão e entender sua crítica, para quem sabe, aprender com ela. Mas normalmente não funciona, e o que era só vazio vira o tal pires de cabeça pra baixo: “não gostei porque você é feia, boba e chata!”. E já notei, eu tenho o dom desestabilizar Trolls. Parece que quanto mais razoável eu argumento, mais o Troll entra em parafuso (quem não sabe conversar é mesmo triste!) e vai baixando o nível. Quando isso acontece no meu espaço, eu acho uma terrível de uma graça: e vou dando corda pro cara se enforcar… Mas quando acontece no espaço alheio é mais chato, eu fico cheia de dedos, não quero alimentar polêmica que pode atrapalhar outras pessoas que não eu mesma.

Eu sei que não estou sempre certa. Eu sei que meu discurso é marcado por subjetividade. Não sou, nunca fui e nem quero ser de fácil digestão. E defendo meu ponto de vista sempre, enquanto eu acreditar nele. Mas me orgulho de ser uma pessoa aberta ao diálogo, pronta a aprender com os meus erros, e crescer na possibilidade do diferente. Então aviso, pode criticar, mas se me chamar de “feia, boba e chata” (e complexada, recalcada, e outros adas deselegantes), bom, isso é discurso do atual 2º ano do ensino fundamental na hora do recreio… E vocês estão conversando com uma pessoa adulta: eu falo o que quero, ouço o que você tem a falar, e falo de volta. Diálogo gente… diálogo!

Se fosse aqui, não valeria nem meu post, mas foi no site do pobre do Bronx… e vou tentar não prolongar a coisa por lá. Mas se quiserem ler os simpáticos comentários do Sr. Miguel, tá lá e se eu tiver perdido a linha, podem me avisar (educadamente, e dispostos a ouvir minha argumentação 🙂 ) que eu não mordo. Muito.

espacoimoral.com/(…)/will-eisner-e-a-arte-sequencial-grafica/
espacoimoral.com/(…)/tudo-para-os-ares-o-projeto-surrealista-da-dupla-nam/

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