De olho na Season Finale: V

Atrasado como sempre, mas essa vez só alguns dias pros padrões brasileiros, já que por aqui V terminou na última terça feira. Ontem, aproveitando o resfriado que me derrubou, fiquei deitada boa parte da tarde  colocando meus programas de TV em dia, e inclusive vendo os 3 episódios que me faltavam assistir pro fim da temporada de V.


Como sempre, rola um spoiler ou outro, e de novo como sempre, alguém ainda pode estar pretendendo assistir, então… O esquema é o mesmo: um pouco sobre a série em si e as minhas considerações sobre o último episódio.

V - The Final Battle. A mini série original.

Não sei quanto a vocês, mas pra mim V – The Vistors sempre foi entretenimento sci-fi e nada mais. As eventuais alegorias que desembocariam em patriotismo e ufanismo e que vez ou outra escuto por aí pra mim nunca se manifestaram, contra ou a favor. A baixa expectativa que eu tinha/tenho pela série provavelmente se ancora no fato de ter visto a mini-série original e alguns capítulos da série que se seguiu (e teve uma única temporada). Minha lembrança do V original é obviamente meio enevoada (Ah, a velhice… ) mas suficientemente clara preu ja ter começado sabendo do que se tratava e apesar das mudanças, que são grandes, onde iria desembocar. Não vejam isso como algo negativo: gosto de V. Mas ao menos nessa primeira temporada não houve uma curiosidade sobre a série em si, como ela se comportaria, etc. A curiosidade maior seria sobre a atualização da temática, os efeitos empregados e as interpretações em si. Mas dá história, apesar de algumas boas surpresas e opções interessantes, a gente sabe que é um enredo linear:

Aliens chegam. Aliens se misturam na galera. Aliens ganham a confiança. Paranóicos de plantão desconfiam. Paranóicos de plantão montam uma resistência. Aliens e resistência caiem na porrada.

Simples. Nem por isso ruim ou raso.

V - The Visitors

No tocante aos personagens/interpretações, algumas considerações: A Morena Bacarin, no papel da Alien ANA, está meio com cara de ET mesmo, com aquele cabelo curtinho que a deixa parecendo um passarinho. Logo ela, tão linda… E os sorrisinhos crueis  a la vilão malvado de “tudo está saindo conforme os meus planos” dá uma gana de entrar na tela e tirar o sorrisinho cretino de sua cara. Mas nada importante. Afinal a idéia era essa mesma, não? Fazer um personagem terrivelmente sonso e irritante aos olhos de quem vê a “big picture”. Outro irritante de plantão era o Scott Wolf no papel do jornalista Chad. O cidadão chega a ser caricato de tão ambicioso. É preciso a merda espalhada no ventilador para ele entender onde estava se enfiando, mas cá entre nós, no fundo ele já sabia… só preferia não levar suas suspeitas a sério já que não lhe interessavam em termos de ambição. Outro caricato mas que eu acho interessantíssimo e estou curiosa para ver o que vai aprontar é o Charles Mesure no papel de Kyle Hobbes: o protótipo do “a farinha é pouca, meu pirão primeiro!” ou seja, o sujeito que já escolheu o lado da luta muito antes dela começar. Que lado? O dele, obviamente.  De resto, eu sempre gosto de ver o Joel Gretsch (Padre Jack) em ação e ele tem uma quedinha por ets/futuro/sci-fi, não tem não? V, 4400, Taken, The Jorneyman… só exemplos de seu extensoooooo currículo. O elenco de V realmente é um ótimo elenco, e todo mundo trabalhando direitinho.

Jack
Jack (Joel Gretsch) em V - The Visitors

Só não acho que os personagens sejam  todos suficientemente explorados. Ao menos não o foram nessa primeira temporada. Jack é um padre que já serviu na guerra como capelão e é um sujeito pra lá de amargurado. A gente pode imaginar porque, as atrocidades da guerra são uma receita ótima para as crises de fé, mas isso é muito pouco explorado. A agente do FBI Erica Evan (Elizabeth Mitchell) possui um episódio surreal em seu passado: ela jura que o filho era do marido Joe (Joel Gretsch), mas os exames de sangue negam isso. Mulher esclarecida como o personagem é, das duas uma: ou de fato houve um erro qualquer, uma anormalidade, algo inesperado e ela poderia até tocar a vida em frente mas definitivamente teria tentado chegar ao fundo da questão e descobrir como assim o exame de sangue diz que a criança tinha outro pai, ou, e vale para dois subcasos: o filho é de outra pessoa e ela está mentindo / ela não sabe o que de fato aconteceu e tem medo de descobrir algo como Tyler (Logan Huffman) não é nem filho dela e por isso deixou quieto. Em ambos os casos haveria mais amargura na relação do personagem com essa questão. E tudo não passou de um leve incômodo de “o  que eu escondia veio a tona” quando esse segredo surreal foi revelado. Acredito que isso possua uma razão em termos de enredo e que irá ser aproveitado mais adiante, mas até o fim da primeira temporada, foi uma história pra lá de mal contada que não gerou nos personagens uma reação verossímel.

Mas fora isso, que considero detalhes, não tenho o que reclamar de V. É entretenimento certo: tensão, mistério (mesmo sendo uma história linear),personagens razoavelmente complexos (mesmo quando ligeiramente caricatos) e boas interpretações lhe prendem pelos cerca 40 minutos (eu pulo os comerciais…). Raramente teve episódios “ai-meu-deus-eu-preciso-ver-o-próximo-episódio” mas por outro lado, não teve nehum episódio “hum-será-que-vale-a-pena-continuar-assistindo?” Há uma coerência interna e uma constância em V que o fazem o tipo ideal de entretenimento descompromissado. É fato que foi uma temporada curta, só 12 episódios, mas todos eles igualmente bons.

E a série manteve a constância no último episódio. Tirando o detalhe deu não ter entendido porque a Erika atirou, mesmo a contragosto, no coração do Joshua (Mark Hildreth) e não no meio da cabeça (será que o Ryan – Morris Chestnut – nunca falou pra ela como se mata um V? Lição básica para um grupo de resistência aos Vs?), foi um episódio redondinho, com planos dando errado, planos B sendo colocados em ação, mudanças (eventualmente temporárias) de lado, e tudo que um último capítulo de uma temporada precisa ter. Inclundo cenas finais daquelas “ferrou tudo!” que deixam um gostinho de quero mais e expectativa pela próxima temporada…

Além é claro do esperado quebra-pau entre humanos e visitantes, a próxima temporada irá nos mostrar como se portarão o Chad, o Ryan, a Lisa (Laura Vandervoort) e o Joshua renascido. Dessa nova correlação de forças, e com um padre Jack solto das amarras de sua paróquia, é que vão se definir como será o tão esse esperado embate …

Anúncios

2 comentários sobre “De olho na Season Finale: V

  1. Olha essa série eu posso comentar melhor!

    Por que além de ter visto a maioria dos episódios da nova série, tenho os DVDs da antiga em ITALIANO. 😉

    A primeira série acho muito, muito, muito, legal embora seja uma coisa muito crua e tosca, cheia de porradaria com uma trilha sonora que tem um indisfarçável feeling anos 70… é MUITO divertida. Tirando o final que realmente é bobo demais.

    Resumidamente ela é a encaranção do TV trope “A Nazi by other name”: http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/ANaziByAnyOtherName

    São os tais Visitantes repetindo aqui na terra tudo que os movimentos fascistas fizeram: incitar a histeria coletiva e o amplo uso dos meios de comunicação de massa em favor próprio, perseguição a ativistas, minorias e pesquisadores, experimentos científicos sem ética alguma, guerras… e por aí vai.

    O projeto original envolvia mostrar uma E.U.A tomada por grupos Fascistas baseada no romance de Sinclair Lewis “It Can’t Happen Here”. Como quem produziu a série achava a premissa cerebral demais, os roteiristas optaram por transformar os fascistas em aliens reptilianos do espaço que vieram para usar os humanos de ALIMETO. (Baseando-se para isso parcialmente em uma história de Damon Knight “To Serve Man”)

    Assim então por mais que seja uma parábola reducionista, é sci-fi dos mais clássicos.

    AGORA

    A nova série até tem ficado pra mim na mediocridade, o elenco não é ruim, mas é medíocre, os episódios são medíocres (acontece praticamente nada, ou muito pouco, e não há nenhuma grande surpresa)

    Se no primeiro V você não sabia que eles eram vilões logo de cara, e tinha cenas beeeeeeeeeeeeem mindfuck que nem a cena do nascimento do primeiro bêbe meio- V/ meio-humano , essa nova série não tem surpresa nenhuma. Ou se tem são fraquinhas…

    E embora reconheço que esteticamente ficou muito bem feita a adaptação da ambientação da série, dos Vs e de tudo o mais pra nosso tempo, pra quem entende um mínimo de política americana atual as múltiplas referencias ao governo OBAMA são muito irritantes.

    Por que a coisa toda parece ficar em tom de crítica algumas vezes e por mais que eu pessoalmente ache o Obama um mito da publicidade, tenho certeza que ele está a anos luz de ser o novo Hitler.

    Digo mais uma vez. Bem feito, fico bem feito, mas se é a mensagem é coerente… tenho lá minhas dúvidas.

    1. Então, é justamente desse suposto conteúdo subliminar e dessas supostas analogias que eu fujo mais que o diabo da cruz. Porque se eu fosse levar essas coisas em conta, aviso logo, ia detestar a série.

      É quase um paradoxo já que eu costumo ver chifre na cabeça de cavalo, ou melhor dizendo, achar sentidos ocultos nas séries que assisto, mas faço isso como forma de AUMENTAR meu entretenimento, não de diminuir… Então as supostas analogias ao Terrorismo real e eventuais propagandas veladas do governo Obama me passam ao largo, completamente indiferentes, completamente inócuas: literalmente eu não tomo conhecimento.

      Então vejo a série como um remake legal de uma série que, se vista hoje, é trash pracaraí, mas na época foi muito legal, e como palco pra desenvolver meia dúzia de personagens interessantes, pra ver alguns atores que eu gosto muito, e, como lindo leve e solto entretenimento sci-fi. Eu paro muito mais pra pensar na viagem do “e se uma nave aparecesse hoje” do que no subliminar terroristas malvados / Obama bonzinho.

      E olha que eu genuinamente gosto do Obama… 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s