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De olho na Season Finale: O Mentalista

o mentalista

Simon Baker é O Mentalista

Atrasada pra dedéu, eu sei. Mas o que posso dizer? A segunda temporada de O Mentalista usou e abusou dos fillers, e apesar de gostar da premissa da série,  e já que eu podia gravar pra posteridade, acabei priorizando outras coisas. Nem tudo é culpa da temporada em si: algumas séries só eu assisto, então gravo e tento ver logo pra apagar e abrir espaço. Outras tem um público maior aqui em casa (embora o Matheus já tenha anunciado: se não tiver o Red Jonh, pode apagar!) e é difícil que todos estejam disponíveis para assistir ao mesmo tempo, então priorizo o que é só meu ou já foi visto pelos demais… :)  Mas a quem estou enganando? A temporada pouco emocionante e lotada de episódio enche lingüiça (com trema, please!) leva a maior parte da culpa pela demora em assistir!

De qualquer forma, nos últimos dias resolvi fazer a maratona O Mentalista e terminar a temporada. Os últimos dois assisti ontem, então senta que lá vem apresentação da série e  Spoiler.

Os 4 episódios antes do último não destoam do resto da temporada, filler, filler, e mais filler (vocês sabem o que é filler, não? É como são chamados os episódios que fogem ao plot principal). Casos isolados que não deixam de ter algum twist interessante e não comprometem o fato do Simon Baker fazer um Patrick Jane adorável.  É impossivel não se apaixonar pela personagem: um ex-golpista que usava sua inteligência e percepção extremamente privilegiada para se passar por alguém como poderes paranormais de mediunidade. Ao provocar irresponsavelmente em um programa de TV um serial killer, sua vontade de se auto-promover em cima da tragédia alheia foi punida com rigor: o mesmo serial killer mata sua mulher e filha. Destruído pela tragédia, Patrick Jane, o Mentalista, agora que vingança, e oferece seus serviços como consutor, não mais como médium (There’s no such thing as real psychics) ao CBI  (California Bureau of Investigation) mas apenas como alguém dotado de percepção privilegiada.

Sua intenção é se vingar do Red Jonh, mas no meio do caminho, irá ajudar o CBI a resolver inúmeros crimes, o que justificará que ele seja considerado como um recurso indispensável apesar do seu comportamento, digamos, pouco convencional. Patrick Jane é cínico, quase infantil, irreverente, estranhamente bem humorado (quase como uma máscara pra sua dor), sem papas na língua e não se importa em usar métodos razoavelmente excusos (como acusar um inocente para que o verdadeiro culpado cometa um erro e seja pego, jogar um suspeito contra o outro, se colocar em risco, colocar colegas e outros suspeitos em risco, etc) para resolver os crimes nos quais trabalha.

E aí é que entram os fillers. O Mentalista é no fundo uma série “police procedural” (procedimentos da polícia no intuito de resolver um crime) e nessa onda de séries de procedimento (CSI, Law & Order, Numb3rs, Cold Case, Criminal Minds, Monk, entre outras) é uma série basicamente de fillers: casos isolados que podem até ter uma referência ou outra aos plots principais, e certamente ajudam a construir e revelar a natureza dos personagens, mas que são dispensáveis para a compreensão do tal plot principal (se é que ele existe. Em algumas séries o procedimento é o plot principal). Mas no caso, O Mentalista por partir de pressupostos interessantes (já houve séries onde médiuns ajudam a polícia, e séries onde pessoas de percepção privilegiada ajudam a polícia – Numb3rs, por exemplo – mas não onde um ex-médium com uma construção tão rica e um plot tão definido, ajuda a polícia), fica no ar a sensação de que haverão mais episódios centrados na temática principal – e na primeira temporada, talvez por estarem apresentando tanto o mocinho quando o vilão, foi assim – e não foi o que aconteceu na segunda temporada.

A segunda temporada possui, salvo engano meu, umas 3 ou 4 menções ao Red John até o sétimo episódio, uma ação do Red John no oitavo, e depois disso, nada, até o episódio final. Desse jeito, fica impossível não sentir uma enorme frustração…

O penúltimo capítulo trás de volta uma personagem que apareceu na primeira temporada, sétimo episódio, Seeing Red (aliais, adoro o fato de praticamente todos os episódios terem menção a Vermelho em suas diferentes formas e diferentes nomes): Kristina Frye, uma médium (ou assim ela se intitula). O embate entre Patrick e Kristina é interessante, a tensão que surge entre eles, também. O problema vai por conta da obviedade. A um capítulo do final e sem ter sequer citado Red John há vários episódios, parte do plot já estava dado: Kristina iria ser morta pelo Red John, se envolveria com o Red John, atrapalharia a captura do Red John ou alguma coisa nesse nível.

E não deu outra. No episódio final Kristina comete o EXATO mesmo erro de Patrick e provoca Red Jonh em um programa de televisão. Kristina não tinha família, uma das pessoas mais próximas a ela era o próprio Patrick que é o nemesis do RJ, então a entrevistadora paga o pato e é assassinada. Depois Kristina some, e ninguém sabe, ninguém viu (Além de Médium, Kristina devia acrescentar invisibilidade ao seu currículo, ou o CBI devia acrescentar incompetência no seu…).  Morta? E nesse caso RJ estaria mudando seu modus operandi a troco de?  Raptada? E RJ estaria mudando seu modus operandi a troco de? Se o RJ estava envolvido, com que intuito ele não anunciaria isso colocando a happy face na parede, mesmo que estivesse mudando seu método? Kristina com medinho? E alguém nessa situação seria estúpida o bastante pra cair no mundo ao invés de ficar em casa com proteção policial? Em concluo com o Red John? O próprio Red John?  Muitas perguntas, mas nenhuma delas apresentada de forma a realmente valerem o episódio.  As perguntas caem do ar de para-quedas no meio pro final do episódio e fica parecendo forçado… Qualquer resposta, ao menos a primeira vista, aponta para respostas bobas e mal pensadas.

Enquanto isso, universitários sociopatas e entendiados, fazendo arte (literalmente… LOL) se fazem passar pelo assassino serial enquanto fazem um filme. Confesso que nessa parte o episódio teve twists interessantes mas não tão surpreendente assim. Era óbvio que o suspeito principal estava envolvido mas não seria o culpado. A própria Kristina já havia dito isso e médium ou apenas perceptiva, é premissa da série que ela estaria certa, assim como de um jeito ou de outro, o Patrick sempre está.

Além disso, tem a pista falsa fica no ar. Alguém, 8 meses antes, citou Red John num seminário de criminologia. Se foi o suspeito, com que propósito? Só coincidência?  Se não foi, quem falou sobre Red John? Apostar na coincidência não tira o mérito da dedução que acabou por levar, por vias tortas, aos verdadeiros assassinos? E o fato do suspeito ser o único nome em comum no seminário e na oficina de cinema, e os reais culpados serem os sociopatas cinéfilos entendidos em Red John e não estarem em ambas as listas, fica no ar, sem resposta, sem propósito, sem sentido.

E então, após descobrir os culpados mas estar em posição extremamente desvantajosa, Patrick Jane é salvo por Red John, com quem fica pela primeira vez cara à cara, ou melhor, cara à máscara.  A cena, apesar da boa interpretação de Simon Baker num misto de terror, medo, ódio e impotência, carece de força dramática, de intensidade, e para primeira aparição física do vilão é muito menos significativa do que as não-aparições que ele fez no fim da primeira temporada.

Não achei forçado o fato de, frente à frente com seu nemesis, RJ decidir ajudar o mentalista ao invés de matá-lo. Para Red John tudo aquilo é uma espécie de jogo, e matar seu inimigo amarrado e impotente em uma cadeira, ou deixar que seus fakes o matassem, teria sido muito fácil e inaceitável para o psicopata. Nisso, eu não vi problema nenhum.

O Mentalista (fim da 2a temporada)

Mas no fato do inimigo supremo da série deixar pistas em forma de trovinhas de um poema (leia o poema na íntegra) e do episódio terminar em um tremendo anti-climax, com Patrick deitado no quarto onde sua mulher e filha morreram, pensando na tal trovinha, eu tenho problemas. E vários. Não só foi bobo como enigmático demais mesmo para o suspense que uma temporada deve deixar para a seguinte.  Diferente daquela expectativa que certos finais de temporada nos deixam ( Ai meu deus! Como isso irá se resolver? Mal posso esperar pela próxima temporada!!!) o fim da temporada de O Mentalista nos faz dizer: Mas heim? Já acabou? Que que foi isso? É, o jeito é esperar pra ver a próxima temporada.

Ambos são expectativa, não nego isso. Mas o primeiro tipo é muito mais interessante e cativante…

TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

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