De olho na Season Finale: Supernatural

Viu? Não era tão difícil usar o óbvio e ainda deixar margem para a surpresa.  Resolver a situação conflitante e ainda deixar ganchos para a temporada seguinte. Prender a sua atenção e não enfiar o pé na jaca só pela tentação de usar uma idéia (óbvia) que eles acharam que ia ser genial (e nem era). Supernatural termina EXATAMENTE como deveria terminar. Talvez devesse ter terminado MESMO, mas aí é outra discussão.

Deixamos aqui o SPOILER ALERT pros desavisados. Se ainda não tiver assistido o episódio 5×22 Swan Song, volte quando tiver visto…

Já andei lendo que alguns fãs acharam o apocalipse “tímido”. Não sei bem o que eles esperavam: que o mundo fosse se acabar? Bom, já está se acabando,  e as referências dentro e fora da tela foram mais do que suficientes na minha opinião.  Durante toda a temporada eles caminhavam para o temido fim (literal) e cabia ao último episódio resolver o conflito e desfazer o que havia começado com a Season Finale passada…  Em um episódio de 1 hora, se houvessem mais referências ao bíblico fim dos tempos, cenas cruciais de interação entre os personagens teriam que ser cortadas.

E se elas tivessem sido cortadas, perderíamos as sutis referências a mudanças de papeis, inversões de valores, construção de redenções (ando fixada nessa idéia ultimamente, eu sei!) e a genial meta-linguagem oferecida pela narração  do Chuck.

Endings are hard. You try to tie up every loose end, but you never can. The fans are always going to bitch, there’s always going to be holes. And since it’s the ending, it’s all supposed to add up to something. I’m telling you, it’s a raging pain in the ass.

(Finais são difíceis. Você tenta amarrar todas as pontas soltas, mas você nunca consegue. Os fãs sempre vão reclamar de alguma coisa, sempre haverão buracos. E já que é o fim, supõe-se que você deva acrescentar alguma coisa. Eu estou dizendo pra vocês: é uma merda!)

Afinal, para quem esperava um embate épico entre Lucifer e Michael, talvez não tenha percebido que esse embate estava sendo travado, indiretamente, desde o início da temporada, e exceto por efeitos especiais para comentarmos depois, nada mais havia para acrescentar…  Talvez só que eram apenas lados diferentes, escolhas e rotas diferentes, que os conduziram àquele momento. Mais uma vez, somos lembrados que bem e mal são relativos, valores não intrínsecos a uma suposta natureza, mas pontuados por essas exatas escolhas.  E que nossos caminhos podem ser tortos e confusos, mas nunca é tarde demais pra recomeços, como Lisa diz a Dean sobre a cerveja e sobre a vida.

E ainda sobre os caminhos tortos e confusos, Sam e Dean não escolheram nem o bem nem o mal, mas a família. Cas teve sua própria agenda ligada puramente ao bom senso ao invés de escolher a cega obediência, e foi o único a fazer o papel de “anjo do senhor” (e retire a conotação religiosa, ou pior ainda, católica, dessa referência.  É apenas uma alegoria para reforçar a idéia de fazer o certo, a despeito do que lhe dizem ser o supostamente certo).  E deus (de novo, o conceito não é exclusivamente religioso) interviu no que deveria intervir, e não em questões como livre arbítrio, esperança e força interior, que foram deixadas a quem de direito.

Ao economizar em cenas de catástrofe e efeitos especiais de uma épica luta angelical, o episódio se concentrou em interpretações e dilemas pessoais, o que foi bastante coerente com toda a temporada, a melhor de todas diga-se de passagem. E talvez porque o plano inicial era terminar nesta temporada, fosse o mais acertado (e seguro) que realmente tivesse terminado enquanto série, sem o risco de, ao se alongar, perder o tato e enfiar o pé na temida jaca… Mesmo que a saída do Eric Kripke não cause prejuízos à trama, prolongar demais uma série é sempre um risco, perde-se a possibilidade de sair de cena enquanto se está acertando. Mas por outro lado, já estamos orfãos de Lost, e há poucas coisas realmente interessantes acontecendo na televisão no momento, então torço pela aposta na continuidade ser acertada!

Voltando ao episódio, diferente de algumas opiniões circulantes, Cas nunca foi pra mim o alívio cômico ( Os próprios irmãos e mesmo o Chuck cumpriam esse papel de forma mais regular). Então a melhor frase do episódio é dele, mas não é o hilário “Hey, Ass-butt!” e sim a conversa com Dean no carro, quando Sam finalmente ganha o controle do próprio corpo e dá seu salto “mortal” na prisão de Lucifer levando Michael junto com ele (o que foi, vamos admitir, meio que poético… os dois irmãos tem muito a resolver mesmo!).

Cas points out that God helped, probably more than he realized. Dean retorts that he doesn’t seen his grand prize, that all he got was his brother in a hole.
“You got what you asked for, Dean,” Cas said. “No paradise. No Hell. Just more of the same. I mean it, Dean. What would you rather have — peace, or freedom?” Cas vanishes
.

(Cas aponta para o fato de que Deus ajudou, muito mais do que ele esperava. Dean retruca que ele não teve nenhum grande prêmio, que tudo que recebeu foi seu irmão em um buraco.
“Você recebeu o que pediu, Dean” Diz Cas. “Sem paraíso. Sem inferno. Só mais do mesmo. É sério Dean. O que você preferia ter? Paz… ou liberdade?” Cas some. )

A questão sempre foi essa. Não se pode ter tudo. Nunca se pode ter tudo. Seja em fins espetaculares de seriados televisivos que agradem gregos e troianos, ou seja em qualquer questão metafísica-filosófica-existencialista… No fundo, no fundo, tudo se resume a isso, ao que escolhemos, e se essa escolha nos levará à Paz ou a Liberdade, já que ambas, ao menos ao mesmo tempo, são ideais impossíveis.

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