De olho na Season Finale: Fringe

Em primeiro lugar, eu estou gostando de fazer a cobertura dos finais de temporada. Não sei se vai se tornar um hábito, mas até o momento, tem me divertido.

Em segundo lugar, não sei ainda o que isso diz sobre a minha pessoa, porque fatalmente diz alguma coisa, mas DETESTEI o final de Fringe. E quando digo detestei, é algo visceral, orgânico mesmo, a ponto de me fazer pensar seriamente se vou assistir a próxima temporada…

Para esse post vale um SPOILER ALERT de acordo! Diferente dos demais que não é bom ser lido por quem não viu o episódio porque falo minhas impressões e isso pode atrapalhar algumas surpresas, nesse eu vou soltar o verbo. Então se não viu Fringe e pretende assistir, obrigada pela visita mas volte depois de ter assistido…

Fringe é o Arquivo X dessa geração. É mais hi tech, é mais engajado e enquanto série, possui uma coerência interna maior que Arquivo X, assim como mais constância, mas enquanto conceito não tem nada de novo: é uma série meta-sci-fi clássica.

O diferencial vai para a própria fringe science (ciência de borda – esses conhecimentos que se encontram no limiar entre a ciência conhecida,  a pseudo-ciência e a ficção científica) utilizada nos episódios, condizente com as teorias e divagações mais recentes e, principalmente, para a dinâmica dos personagens, magistralmente bem interpretados (por Anna Torv, Joshua Jackson e John Noble) e em uma interessante mistura de sintonia e conflito. Bom, ao menos era aí que estava o diferencial.

Eu sei que provavelmente eu irei continuar assistindo Fringe. Eu tenho esse impulso masoquista de ver até onde um pé pode ser enviado na jaca… Heroes, a maior enfiada de pé na jaca da história da televisão, começou a derrapar na segunda temporada (que foi chata, mas não tecnicamente péssima) e seguiu como uma catástrofe abissal na terceira temporada, mas eu só parei mesmo de assistir um pouco antes do meio da quarta temporada, quando todas as chances de redenção haviam sido dadas e uma a uma, perdidas.

Não estou comparando Fringe com Heroes. Vai um universo (ou dois) de diferença no tamanho da vacilada e sei que em algum momento a situação que me provocou esse incômodo irá ser revertida, mas ainda assim, do instante que o episódio começou (ou até antes, nas propagandas) onde uma suspeita foi plantada, e em especial, no momento em que o Alternative Broyles, no meio do cerco feito pela “Fringe Division” abre a boca e diz: “Sim, Sr. Secretário” – e nesse momento o fim do episódio já havia se descortinado – até os créditos irem aparecendo na tela, meu olhar foi de incredulidade pelo óbvio e meu olfato sentiu o distinto cheiro de jaca…

Antes que falem em defesa das decisões tomadas no curso da história, eu sou capaz de antever os plots possíveis, as complexidades levantadas e as inúmeras idéias que podem nascer daquela sequência de cenas onde as Olívias trocam de universo. Mas ainda assim, dada tanto a previsibilidade daquilo quanto a crueldade (com os demais personagens e com nós, espectadores) daquela troca, eu simplesmente detestei!

Me senti presa em um daqueles episódios da série clássica de Star Trek, o Kirk alternativo sendo trocado pelo nosso amado “primeiro, mas não único, garanhão das galáxias de barriguinha (?)  proeminente”. Mas não em um episódio qualquer, e sim em um que se recusasse a acabare se estendesse pela temporada seguinte. Eu não queria o Kirk alternativo. E definitivamente não quero a Alternative Olive.

Nem vou falar aqui do desperdício das crianças do “Cortexiphan”, resgatadas do semi-anonimato, imbuídas de personalidade, desejos e controle de seus poderes em um episódio para que nesse mesmo episódio morressem poucas cenas depois. Que tivessem então sido resgatadas antes, dois ou três episódios atrás. Ou que fossem apenas impossibilitadas de regressar ao nosso universo, ficando como possíveis aliados (ou se cooptados, inimigos improváveis) no universo alternativo. Mas a escolha foi pelo desperdício. (Notem que não cogito a volta deles ao universo de origem… seres com poderes reais nesse universo ia ser um plot pra lá de ruim. Mas de qualquer forma, se era só pra matá-los, melhor que eles nem tivessem aparecido!)

Também não vou me alongar sobre a morte de W. Bell, porque apesar de perdermos a oportunidade impar das aparições especiais do nosso Spock /Nimoy preferido  ( Pausa pra reforçar meu desapontamento: Já pensou ficar preso com um Spock alternativo por vários episódios de Star Trek???), enfim, apesar da imensa perda, é preciso entender que o Leonard Nimoy tem mais o que fazer do que ponta em Fringe e  reconhecer que a morte do Willian Bell embora a cena tenha sido MUITO mal aproveitada, foi dramática, lógica (Spock all over again!) e redentora em diversos níveis.  Quanto a isso, resta apenas se conformar.

O que realmente me incomodou foi a troca!  Se ao menos nossa Olívia tivesse morrido no processo (por pior que isso fosse parecer na hora!), a Alternative Olívia precisaria ser cooptada, conquistada e humanizada para os padrões do nosso universo, e se tornaria uma espécie de Peter só que com uma agenda: seria alguém que apesar de ter uma tarefa específica a cumprir, teria o papel de substituta e eventualmente, adotaria esse universo como seu novo lar. Restariam dúvidas e medos e desconfianças, mas em alguns momentos teriamos a sensação do familiar. Isso teria sido um plot dramático, interessante apesar do potencial de protestos e pelo menos, surpreendente.

Mas não foi esse o caso. Estamos presos a uma Olívia espiã, infiltrada para ser força desagregadora onde a possibilidade do agregar-se acabara de nascer (ou renascer) e enquanto isso, a Olívia que aprendemos a amar (e que por sua vez tinha acabado de aprender a amar o Peter) está lá, no outro universo com o evil twin do nosso Walter: o Walternative, aquele que não teve o insano insigth de ter parte do seu cérebro arrancado como estranho caminho para a redenção.

Termina Fringe com a mocinha se não indefesa, ao menos fragilizada, presa pelo cientista louco e malvado (mais malvado que louco). Mais clichê que isso, só dois disso!  Opss, e é quase dois disso! Afinal, cá neste universo, o cientista louco e fragilizado está ‘preso’ à mocinha malvada…

***

PS: Post ligeiramente editado, só pra deixar claro alguns pontos de vista que estavam meio dúbios! O resumo da ópera é que seja pelo uso do que era mais óbvio, ou seja por ter me incomodado em algum nível emocional, eu entendo que alguns fãs amaram o episódio, mas eu simplesmente detestei!😛

9 comentários sobre “De olho na Season Finale: Fringe

  1. Aquele cara que faz o Walter me irrita! Mas assim um irritar legal… eu acho engraçado o jeito dele falar e gesticular.

    FRINGE vejo em episódios picados mesmo. Não tenho SKY+ nem tempo de ver… ou motivação de baixar.

    Mas sei lá como série de “mistério” me cativou muito não. Eu gosto daquele episódio dos carecas que viajam no tempo. Acho que me identifiquei com o careca que morre…😄

    Falar em Sci-Fi. To arriscando um conto no gênero (que definitivamente NÃO é minha praia)

    rola um coment?! ^^

    http://cafecauboi.blogspot.com/2010/06/conto-na-barriga-da-baleia-parte-01-de.html

    1. O cara que faz o Walter é o John Noble e acho ele GENIALLLLL!

      Fringe não é série de mistério. Vcs tem que parar de comprar série errado ou para de dizer que eu subverto conceitos. Fringe é o que há de mais puro em Sci Fi, meta Sci Fi pra ser mais exata. É a discussão de ciência de borda com um enredo.

      Esse episódio que você cita dos observadores é um dos melhores.

      Acho que se vc parasse pra assistir a série como um todoia gostar. Exceto desse capítulo. Ou não. Andei lendo por aí e adoraram. EU ODIEI… mas deixa eu sair daqui pq o Matheus ainda não viu e não quero dizer pra ele nem se amei ou odiei pra não estragar nenhuma surpresa, e ele está meio que me rondando pra ler ou eu dizer…

      Ah, eu fui lá bem mais cedo, já li, mas o blogspot e o wordpress as vezes não se falam e então não consegui comentar. O comment era simples do tipo, estou aguardando as outras partes, mas ainda assim o blogspot não me deixou postar.
      Quando der eu tento novamente, mas tem sido cada vez mais difícil pra mim comentar usando meu id aqui do wordpress.

  2. Olha Dri, não concordo com quase nada que vc escreveu! : )

    Fora o sub-aproveitamento dos “super-heróis” (que de certa forma até me deu um alívio terem morrido, pq se formassem um supertime de superguerreiros seria SUPERtrash) o resto do ep foi ótimo e a troca, embora previsível é um excelente gancho pra próxima temporada.

    A troca foi uma ação improvisada do Walternativo, e obviamente não vai se sustentar por muito tempo pq as Olívias são completamente diferentes. Creio que antes da metade da próxima temporada ela será desmascarada. Por outro lado (literalmente), a Olivia original estará em um mundo estranho, prisioneira e completamente na merda. É assim que se faz uma narrativa: com conflito! Quando tudo tava indo bem (Peter aceitando o Walter como pai, Olivia aceitando Peter como um novo amor), catapimba, vira-se o jogo de cabeça pra baixo e a história continua.

    E existe um benefício narrativo ainda mais importante na troca: com isso, certamente a série terá menos fillers e mais metaplot, pois não terá sentido continuar as investigações do Padrão normalmente com uma outra Olivia infiltrada querendo acabar com tudo. Logo, a próxima temporada terá mais ação e menos blablabla.

    No mais, no fundo todas as histórias são sobre donzelas raptadas. Muda-se somente o contexto, mas a esta narrativa é eterna😉

    Beijos!

    1. Sinceramente, preferia que a Olivia tivesse morrido a ter tido a troca. Teria sido pelo menos surpreendente.

      Entendo todas as suas considerações. Alias, falei isso no começo: consigo antever todos os plots possíveis advindos com a troca e não nego que eles possam dar gancho pra inúmeras idéias e que essas idéias não necessariamente irão gerar episódios ruins, mas de todas as coisas previsíveis, essa era a mais. Quando vi a propaganda pensei nisso. Quando a alternative Olive apareceu, pensei de novo. Quando bolaram o plano silenciosamente, putz, aconteceu. Não houve espaço nem pra um lampejo de esperança de que algo diferente acontecesse…

      Também concordo com a preocupação do mal uso dos “””supers”””… mas é que eu não os via assim. De qualquer forma, preferia que eles não tivessem sido necessarios (e dava pra fazer a passasem de forma lógica sem eles) do que eles aparecerem e sumirem em um único episódio: MAS HEIM? É desperdício de idéia, Flávio. Idéia boa ou idéia ruim, é simplesmente desperdício. Se era pra eles morrerem, pra que diabos apareceram? Aí é que o conceito de terem poderes ficou ainda mais trash e desnecessário, entende?

      Como eu não desgosto dos episódios fillers de Fringe, e os acho mais engajado à trama do que eram os fillers de Arquivo X, essa preocupação de haver mais metaplot não é minha. Concordo que é o que vai acontecer, e que é potencialmente bom, só não me é tão importante assim.

      De resto, é o clichê dos clichês… E num sentido ruim da coisa. E embora eu também ache que TODAS as histórias são as mesmas (e a jornada do herói é a prova de que toda história pode ser resumida a esta mesma trajetória com suas variantes) eu preferia que o rapto não fosse tão literal…

      1. ah sim, como disse bem no começo, eu sei que isso está dizendo algo sobre a minha pessoa… Quando comecei a escrever o texto ainda não tinha procurado por outros reviews mas eu podia apostar que o povo tinha gostado, enquanto eu tinha sentido esse ódio orgânico pelo episódio.

        deixando a minha formação falar mais alt0, deve tá rolando um trauma de infância aí… Será que eu fui raptada num universo paralelo por um cientista louco e por isso detestei tanto? eu sei que não ter gostado diz algo sobre mim, só não consigo evitar: DETESTEI!😛

  3. É, realmente deve ter alguma questão interior mal resolvida aí hhehehehehe

    Não digo que foi um episódio perfeito, mas nem de longe foi algo assim tão horrível. Como suas sensações são orgânicas, tudo leva a crêr que seu problema não foi só com a narrativa e roteiro, e sim com os eventos😉

    Leva isso pra análise!

    Beijos!

      1. Como era de se esperar , o Telles amou o episódio. Falta o Tê assistir pra ser oficial: só eu aqui em casa tive esse problema de ódio orgânico pelo óbvio ululante!😛

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