Aguardando a Season Finale: Supernatural

Já me disseram que eu tenho o hábito de subverter significados… Fazer o que? Eu tenho mesmo. Seja a minha veia psicótica ou o fato de ter aprendido muito cedo a ler nas entrelinhas, eu sempre vejo muito mais do que me é mostrado e encontro significado profundo nos significantes mais banais. Pilha minha. Deixem-me com a minha loucura.

Então tá, orfã de Lost, assunto segundo o Perninha já morto e enterrado, vamos lá pra minhas outras distrações televisivas, e comecemos com Supernatural, que não é uma série de terror e tenho dito. Ou não é só. Antes de mais nada, eu assisto as séries na televisão, então estou sempre atrasada… e agora mais ainda. Gravadas, esperando por tempo de assistir, vai as vezes quase uma semana se não bem mais, entre o episódio e o tempo aparecer. Assisti ontem Two Minutes to Midnight, o penúltimo episódio da temporada. E cá estou eu aguardando a season finale nesta quinta feira. Mas ainda assim, atrasada ou não, cabe um Spoiller alert pra o que vem a seguir, certo? Pra quem ainda vai assistir a quinta temporada, porque tem sempre alguém mais atrasada que eu!

A 5a temporada pra mim foi sem precedentes. Tá certo, eu tenho uma queda por mitologia angelical, as primeiras supostas criações de um suposto deus…Tem anjo e não é comédia (pelo menos não comédia rasgada) e eu provavelmente vou gostar. A simbologia da amargura desses seres supostamente preteridos, seu estranhamento frente ao banal e o conceito do anjo caído são um terreno muito rico pra entender a própria natureza humana. E as suas dúvidas e angústias.  O personagem Castiel foi realmente um achado para a série: da sua ingenuidade (perante o mundo e perante si mesmo) à sua resiliência, ele  é o que há de mais humano possível.

Mas quando eu digo que subverto conceitos, ao menos eu não os subverto sozinha. A concepção de céu não como um grande coletivo mas como blocos individuais de lembranças e sonhos perpetuados, ligados por um significante primário e, salvo excessões, isolados dos demais “céus”,  foi uma das coisas mais geniais que a 5a temporada trouxe. Óbvio que não deve ser um conceito totalmente original, mas é extremamente simbólico, desde o fato de não ser uma real continuação do ser até o caráter individualista que levanta, o que é dicotômico ao próprio conceito… Se eu for bastante altruísta eu vou pro céu egoísta ser feliz pela eternidade num looping infinito de mais do mesmo. Mas heim? Exacerbando nossas crenças que carecem de coerência interna, o conceito ganha uma coerência extra.

Mas vamos aos Dois minutos pra meia noite… é tanta simbologia que nem sei por onde começar. Ou de quais tratar…

Castiel
Castiel

Castiel, agora (temporariamente?) humano, um anjo que sempre se mostrou muito mais poderoso do que ele próprio esperava ser a despeito de estar ao menos em parte caído, e um dos únicos que manteve a fé na intervenção divina (que de fato houve) por quase toda a temporada, lida com um sentimento totalmente novo: a condição humana e sua suposta impotência. E é preciso receber um sacode do Bob pra relativizar sua condição: “Are you really gonna bitch, to *me*? ”  Até porque esse inútil Castiel, esse powerless Castiel, salva a pátria (e a perpetuação dos tempos) mais uma vez quando é quem recolhe o terceiro anel dos Cavaleiros do Apocalipse. E nem falo do tiro certeiro no depósito, alí foi confluência e oportunidade. Na cena com a Peste, foi superação!

Crowley
Crowley

Crowley, que é um demônio de encruzilhada, for god’s sake!, relativiza o conceito, quando inclui o Bob fora da cadeira de rodas no pacto selado. Não que ele não tenha motivos ulteriores e milhões de segundas intenções, mas até aí morreu o neves, todos temos. O maior dos altruísmos é sempre movido pelo mais egoísta dos motivos: sentir-se bem; o que faz com que tudo, do mais puro mal à bondade sem precedentes sempre tenha um interesse escuso no meio do caminho… A alma do Bob ainda é a sua garantia e mais um soldado em totais condições na luta final não há de fazer mal à causa, mas quando o seu suposto inimigo junta forças com você e faz coisas que ele não precisava de fato fazer para sua intenção primária, de bom e mal a gente passa pro patamar das perspectivas. São só dois lados, a moeda é a mesma.

Encontro com a Morte
Encontro com a Morte

E por fim, a Morte. Ah, a Morte. Numa visão totalmente Neil Gaiman desse conceito, que não possui mal nem bem, sendo apenas um dos eternos, uma força da natureza, linkada ao conceito de vida desde o princípio dos tempos e fatalmente no final dele, e que, no caso, estava a serviço de Lucifer (o moleque birrento, palavras dele, não minha…) mas que compreendia seu papel para além dos lados da batalha, é um exercício filosófico em estado puro. Anjos, demônios, bem, mal, quem se importa? Tudo é só um tomar de lados e acreditar em suas próprias verdades. E no fim, fazer o que se acredita certo.

Visões contemporâneas de demônios que fazem o certo e anjos corrompidos pelo poder, homens com o poder de anjos e anjos com o poder de homens, deuses que saem de férias e simplesmente abrem mão de seus papeis como interventores, e forças que estão acima desses conceitos mundanos de bem e mal são o que há de mais atual, moderno e em sintonia com as nossas dúvidas existenciais, que não são literalmente ligadas a anjos, demônios e deuses, mas que perpassam esses conceitos míticos.

Porque no fim, somos apenas poeira cósmica, tentando fazer o que achamos, mas não temos certeza, que é o certo.

This is one little planet in one tiny solar system in a galaxy that’s barely out of its diapers. I’m old, Dean. Very old. So I invite you to contemplate how insignificant I find you.

( Este é um pequeno planeta em um pequeno sistema solar em uma galáxia que mal saiu das fraldas. Eu sou velho, Dean. Muito velho. Então eu o convido a contemplar o quão insignificante você é.)

Já me disseram que eu tenho o hábito de subverter significados… Fazer o

que? Eu tenho mesmo. Seja a minha veia psicótica ou o fato de ter aprendido

muito cedo a ler nas entrelinhas, eu sempre vejo muito mais do que me é

mostrado e encontro significado profundo nos significantes mais banais.

Pilha minha. Deixem-me com a minha loucura.

Então tá, orfã de Lost, assunto segundo o Perninha já morto e enterrado,

vamos lá pra minhas outras distrações televisivas, e comecemos com

Supernatural, que não é uma série de terror e tenho dito. Ou não é só.

Antes de mais nada, eu assisto as séries na televisão, então estou sempre

atrasada… e agora mais ainda. Gravadas, esperando por tempo de assistir,

vai as vezes quase uma semana se não bem mais, entre o episódio e o tempo

aparecer. Assisti ontem Two Minutes to Midnight, o penúltimo episódio da

temporada. E cá estou eu aguardando a season finale nesta quinta feira.

Mas ainda assim, atrasada ou não, cabe um Spoiller alert pra o que vem a

seguir, certo? Pra quem ainda vai assistir a quinta temporada, porque tem

sempre alguém mais atrasada que eu!

A 5a temporada pra mim foi sem precedentes. Tá certo, eu tenho uma queda

por mitologia angelical, as primeiras supostas criações de um suposto

deus…Tem anjo e não é comédia (pelo menos não comédia rasgada) e eu

provavelmente vou gostar. A simbologia da amargura desses seres

supostamente preteridos, seu estranhamento frente ao banal e o conceito do

anjo caído são um terreno muito rico pra entender a própria natureza

humana. E as suas dúvidas e angústias.  O personagem Castiel foi realmente

um achado para a série: da sua ingenuidade (perante o mundo e perante si

mesmo) à sua resiliência é o que há de mais humano possível.

Mas quando eu digo que subverto conceitos, ao menos eu não os subverto

sozinha. A concepção de céu não como um grande coletivo mas como blocos

individuais de lembranças e sonhos perpetuados, ligados por um significante

primário e, salvo excessões, isolados dos demais “céus”,  foi uma das

coisas mais geniais que a 5a temporada trouxe. Óbvio que não deve ser um

conceito totalmente original, mas é extremamente simbólico, desde o fato de

não ser uma real continuação do ser até o caráter individualista que

levanta, o que é dicotómico ao próprio conceito… Se eu for bastante

altruista eu vou pro céu egoista ser feliz pela eternidade num looping

infinito de mais do mesmo. Mas heim? Exarcebando nossas crenças que carecem

de coerencia interna, o conceito ganha uma coerencia extra.

Mas vamos aos Dois minutos pra meia noite… é tanta simbologia que nem sei

por onde começar. Ou de quais tratar…

Castiel, humano, um anjo que sempre se mostrou muito mais poderoso do que

ele próprio esperava ser a despeito de estar ao menos em parte caído, e um

dos únicos que manteve a fé na intervenção divina (que de fato houve) por

quase toda a temporada, lida com um sentimento totalmente novo: a condição.

E é preciso receber um sacode do Bob pra relativizar sua condição: “Are you

really gonna bitch, to *me*? ”  Até porque esse inútil Castiel, esse

powerless Castiel, salva a pátria (e a perpetuação dos tempos) mais uma vez

quando é quem recolhe o 3o anel dos Cavaleiros. E nem falo do tiro certeiro

no depósito, alí foi confluência e oportunidade. Na cena com a peste, foi

superação!

Crowley, que é um demônio de encruzilhada, for god sake!, relativiza o

conceito, quando inclui o Bob fora da cadeira de rodas no pacto selado. Não

que ele não tenha motivos ulteriores e milhões de segundas intenções, mas

até aí morreu o neves, todos temos. O maior dos altruismos é sempre movido

pelo mais egoista dos movivos: sentir-se bem; o que faz com que tudo, do

mais puro mal à bondade sem precedentes sempre tenha um interesse escuso no

meio do caminho… A alma do Bob ainda é a sua garantia e mais um soldado

em totais condições na luta final não há de fazer mal à causa, mas quando o

seu suposto inimigo junta forças com você e faz coisas que ele não

precisava de fato fazer para sua intenção primária, de bom e mal a gente

passa pro patamar das perspectivas. São só dois lados, a moeda é a mesma.

E por fim, a Morte. Ah, a Morte. Numa visão totalmente Neil Gaiman desse

conceito, que não possui mal nem bem, sendo apenas um dos eternos, uma

força da natureza, linkada ao conceito de vida desde o princípio dos tempos

e fatalmente no final dele, e que, no caso, estava a serviço de Lucifer (o

moleque birrento, palavras dele, não minha…) mas que compreendia seu

papel para além dos lados da batalha, é um exercício filosófico em estado

puro. Anjos, demônios, bem, mal, quem se importa? Tudo é só um tomar de

lados e acreditar em suas próprias verdades. E no fim, fazer o que se

acredita certo.

Visões contemporâneas de demônios que fazem o certo e anjos corrompidos

pelo poder, homens com o poder de anjos e anjos com o poder de homens,

deuses que saem de férias e simplesmente abrem mão de seus papeis como

interventores, e forças que estão acima desses conceitos mundandos de bem e

mal são o que há de mais atual, moderno e em sintonia com as nossas dúvidas

existênciais, que não são literalmente ligadas a anjos, demônios e deuses,

mas que perpassam esses conceitos míticos.

Porque no fim, somos apenas poeira cósmica, tentando fazer o que achamos,

mas não temos certeza, que é o certo.

“This is one little planet in one tiny solar system in a galaxy that’s

barely out of its diapers. I’m old, Dean. Very old. So I invite you to

contemplate how insignificant I find you. ”
( Este é um pequeno planeta em um pequeno sistema solar em uma galáxia que

mal saiu das fraldas. Eu sou velho, Dean. Muito velho. Então eu o convido a

contemplar o quão insignificante você é.)

Anúncios

5 comentários sobre “Aguardando a Season Finale: Supernatural

  1. Eu só acho que os roteiristas de Sobrenatural estão se inspirando em Dragonball Z. “Faltam 5 minutos pra Goku chegar em Namekusei” e ele leva malditos 20 episódios só pra fazer isso. Já na série dos Winchester criam um marketing todo em cima do Apocalipse que vai vir e mimimimi, quando a idéia do Sobrenatural sempre foi aquela muito mais descompromisada do “monstro da semana” (os irmãos entram na cidade e detonam o bicho e partem pra outra…)

    adotarei a mesma tática que usei contra os poderes digressivos de LOST… assistirei só depois que marcarem um Season Finale. \o/

      1. Quando Supernatural era descompromissadamente só o monstro da semana é quando a série era, como eu coloquei lá no Lost Without Lost , inconstante (ou sei lá que termo usei). Mas esse era o sentido. Um episódio bom, com uma mitologia interessante e alguns dilemas morais ou familiares passíveis de fazer pensar por mais de 4 segundos seguido de pertinho por um episódio trash, com um mito idiota , e a mão errada no tempero de comédia ou terror ou wherever. Não dava pra confiar enquanto série.

        A 4a temporada foi mais constante, entretanto todo o blablabla “O-Sam-tá-fazendo-merda-dá-pra-ele-notar-que-ele-tá-fazendo-merda-viu?-o-Sam-fez-merda” foi meio cansativo e previsível. Não é que tenha sido ruim, mas eu nunca perderia meu tempo discutindo a respeito.

        Aí a 5a temporada finalmente foi como um todo constante. Mesmo os episódios piada (sempre tem mais de um no meio da temporada) foram razoavelmente bons (ou pelo menos aceitáveis), a mitologia por trás, que é justamente toda essa coisa de apocalipse (tem coisa mais atual que pensar no fim do mundo? É terremoto aculá, é tempestade aqui, é gripe suína em todo lugar…), e o meu ponto fraco, anjos e demônios mitologicamente bem trabalhados.

        Aí tem algumas questões:
        a) A propaganda vai fazer alarde do falta 20, 10, 5, 2 minutos pro apocalipse. Para de prestar tanta atenção em propaganda.
        b) O “””inimigo”””” da temporada é o apocalipse, ou seja, se eles não conseguirem impedir, vai acontecer em…. Pombas, no fim da temporada, né? Imagina só se for acontecer no primeiro episódio. Sobrou o que pro resto?
        c) Pior é Mentalista… vou ter que concordar com o Tê que está quase desistindo de assistir -> O inimigo que presta é o Red John e nem sinal dele se não a temporada toda, praticamente… Tenho uns 2 ou 3 episódios gravados pra assistir mas meio que perdi o ânimo. A coisa quando não é direcionada prum plot único ,fica muito inconstante: um bom episódio, um ruim, e por aí vai. Prefiro tema único ao menos por temporada, com um ou outro episódio fugindo do assunto do que vários soltos pra tentar fazer algo mais grandioso na Season Finale, e nem sempre conseguirem…

        1. Foda é justamente introduzirem um elemento que prende a atenção (AKA Apocalipse, Red Jhon…) sendo que você sabe que se eles forem abordar isso vai ser só no fim da temporada (ou da série)… por que não vão matar a galinha dos ovos de ouro! (olá Twin Peaks).

          Por exemplo assisto os episódios de House justamente por que o episódio acaba ali… vc pode ver os outros, e seguir a série… mas não altera. Sobrenatural era assim no ínicio (mas ficou bom mesmo só depois da 3a temporada admito)

          Só que o problema de série americana é justamente que eles continuam, continuam e nada da série acabar… aí de repente cancelam quando já está sucateada (olá Heroes!). Isso quando não cancelam na primeira temporada (olá Flashforward!)

          Eu só voltei pro LOST por que marcaram um fim… (não por que eu esperava um fim do tipo “A Ilha é produto dos Midichlorians” mas por que eu queria ver um FIM)

          Eu sei que parece enjoamento mas simplesmente não tenho paciência de esperar. Prefiro baixar uma temporada inteira e ver tudo junto. \o/

          (E ao que parece muitas pessoas estão aderindo a essa filosofia também…)

          1. É a cultura da internet, Davide. Nada contra, mas reflete esse pensamento de tudo pra ontem.

            Assisti Glee assim (culpa do Sauron) e me arrependi. Chegava 4a feira e eu pensava: Oba, hoje tem Glee. Ai lembrava: Droga, já assisti.

            Eu gosto de esperar. De ficar ansiosa por uma semana pensando como o plot vai continuar… Agora nem é uma semana porque como gravo, e nem sempre tenho tempo, tem vezes que tem 2 episódios seguidos que ainda não vi e vejo de uma vez. Mas no geral tem alguns dias de delay na expectativa e acho a expectativa algo gratificante…

            Gosto do ritmo narrativo do House, e funciona pro seriado. E não é de todo ruim ter uma série que são sempre episódios isolados (e CSIs da vida, Law and Order da vida, são todos assim) e que se você perder um não perde o fio da meada, mas no fundo, prefiro a continuidade, o plot que perpassa, o cada episódio a gente descobre algo novo e está mais perto da esperada conclusão.

            Mas é questão de gosto, eu acho.

            E acho que essa temporada de supernatural conseguiu fazer a coisa direitinho, todos os episódios estavam de alguma forma relacionados ao plot principal, mesmo se não caminhassem em direção ao desfecho, como tem sido os últimos… Muito melhor que Mentalista que embora eu não esteja em dia, ninguém ouve falar do Red Jonh há milênios! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s