Lost Without Lost

Somos os orfãos de LOST. Com o fim da saga de 6 anos perdidos em uma ilha, com todas as metáforas, algumas escancaradas e outras nem tanto, que estar perdido em uma ilha carregava, acabou-se uma era na televisão mundial, algo que se compara, eu acho, ao fim de Arquivo X (com o detalhe de quando arquivo X acabou, ele já tinha acabado há muito tempo, se arrastando moribundo em nossa televisão… Já Lost acabou quando devia acabar, por mais triste que admitir isso seja!).

Eu confesso que assisto muita TV. Com a possibilidade de baixar episódios online e com o recurso de gravá-los na minha TV, qualquer coisa que me prenda minimamente a atenção, merece espaço em um dos meus HDs (o do computador ou o da TV).Mas confesso também que agora tudo tem um gosto meio amargo, ou insosso: não é LOST.

Lost instaurou uma nova linguagem e novos paradigmas. É complicado de ser superado. Indepentende da reação que o último episódio despertou, se de amor ou ódio, LOST era algo novo, e se manteve novo por 6 anos. Embora haja outras séries televisivas interessantes, elas são mais do mesmo.  Enquanto proposta, enquanto linguagem, recurso estilístico e ritmo de narrativa, apropriação de idéias e possibilidades de reflexão, Lost era novo, fresco, contemporâneo (apesar de ser uma experiência quase retrô!). Nossa Wave de 2  dias e mais de 400 entradas apontam pro potencial de relativização e conjecturas que Lost proporcionou.

E agora o que sobrou?

Flash Forward chegou perto, mas infelizmente não emplacou. Não entendi direito porque, eu amei, mas… Fringe é uma roupagem nova, mas de um conceito antigo (Arquivo X do século 21?). Supernatural teve sua melhor temporada EVER, mas é inconstante. Chuck é genial, mas é um revisitar de uma idéia pra lá de batida. Big Bang Theory é impagável, mas leve demais pra prencher o vazio… Leverage também é ótimo, mas é muito fora do mainstrain e não tão inovador. Castle é divertido, mas… para por aí. Smallville já devia ter acabado tem umas 3 temporadas, e mescla 1 episódio bonzinho pra uns 4 péssimos já tem é tempo. Do que estou esquecendo? True Blood, o qual estou esperando ansiosamente a 3a temporada (em #billstinência) mas que é também outra série boa que dá uma nova roupagem a uma linguagem batida. Stargate Universe é bem legal, mas pra começar não é Stargate, e também é mais do mesmo! Heroes… é…. bem… alguém ainda assiste isso? Ou melhor, assiste e gosta? Uma idéia genial que foi TOTALMENTE esculhambada! V… gente, V é refilmagem, caramba. Bem assistível, mas sem surpresas. E o resto, é o resto, mais do mesmo de papel passado (ou a coisa meio SoapOpera, ou o velho esquema detetive-perícia-policial-advogado). Lost se encerra deixando um vácuo enorme atrás dele.

O conceito de que não há idéias novas, realmente novas, e sem o revisitar de velhas idéias atualizando-as, é antigo. Parece que tudo já foi dito. Mas vez por outra somos supreendidos com algo que, se não é 100% novo, assim o parece. Mas isso é raro, e quando acaba, deixa essa sensação de perda. Um termo de comparação inatingível pra tudo que vem depois. Talvez por isso flashforward não tenha emplacado: tentou se vender como substituto de LOST e embora ótimo, não era LOST. E para ser comprado como substituto da série que revolucionou a TV, ele precisava ser bem mais do que era.

Fico curiosa pensando em qual vai ser o salto na linguagem e abordagem que irá finalmente nos supreender… e torcendo pra que a tal idéia genial, absurdamente nova e sem precedentes, caia de paraquedas na mente do roteirista competente (pra não meter o pé na jaca e estragar a boa idéia!) mais próximo. Mas enquanto isso, estamos orfãos, e perdidos em trocentas faltas de opção sem LOST.

4 comentários sobre “Lost Without Lost

  1. Adriana até surgir um novo “CANDIDATO” pra tomar o vazio deixado por LOST… tem uma série “Sci-Fi” beeem softcore… Dr.Who.

    http://universowho.wordpress.com/2010/05/01/5ª-temporada/

    É uma série de baixo orçamento, tosca e super criativa e que na Inglaterra é uma febre nacional desde a década 60. Pra eles lá é uma instituição nacional, quase como A Rainha. A vantagem que a série recomeça a cada arco de temporadas, então se mantém atual e não degenera como as americanas…

    Essa 5a temporada é na verdade “a primeira”. É a que está passando agora…

    1. Ok, uma confissão envergonhada, eu sei que há um furor cult em torno do Dr. Who mas eu andei vendo uns episódios e não me disse nada… pode ter sido os episódios que vi, ou a época que vi, e não custa nada tentar de novo então tks pela dica… :)Mas o fato é que eu fiquei no final com cara de Who? What? Why? 😛

    1. Esse comment ficou preso nos spans. Acho que por conta do link: nem foi pra fila de moderação. Mudei um pouco a configuração pra tentar evitar isso, vamos ver se não fiquei permissiva demais.

      De qualquer forma, já tinha lido e comentado o seu post! 🙂

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