Pensamentos Aleatórios

A chuva

E então ontem choveu. Nada de tempestade, seja anunciada ou imprevista. Só um soluço de água afofando a terra, e aquele cheiro quase sufocante da terra quente que se molha afinal. A despeito das previsões que tinham peso de sentença, foi uma chuva leve, como quem passa sem tocar o solo, levitando a caminho de algum lugar.

Choveu. E eu perdi na janela um segundo. Talvez dois. Não mais do que isso mas não era preciso. Certas preces são ditas sem palavras e não gastam tempo como o tempo é concebido por nós. Dois segundos na janela, e respirei fundo, e todo o ar do mundo entrou em mim. Depois se foi.  E eu sei que não vou lembrar disso, que não será suficiente pra encher os vazios que se abrirão em mim pouco a pouco, que não deixará nenhuma marca, que se dissipará como o ar que já se foi. Por isso parei na janela e agradeci.

Agradeci que tenha sido leve, que tenha sido pouco, que tenha sido necessário, que tenha sido só isso.

As vezes a gente precisa viver segundo por segundo.  E foram segundos bons.

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