A palavra. Escrita.
Lapidada até quase a transparência
Enredada em sentimento profundo.
Alma exposta e escondida
Nas profundezas do mundo. Continue Lendo »
A palavra. Escrita.
Lapidada até quase a transparência
Enredada em sentimento profundo.
Alma exposta e escondida
Nas profundezas do mundo. Continue Lendo »
Esperando
A hora de ir. E a de voltar.
O próximo trem, a próxima história, o próximo dia. Continue Lendo »
Eu realmente precisava escrever uma coisa.
Qualquer coisa.
A coisa.
Mas subitamente, todos os rios se desviaram
E seca, por dentro, não há palavras.
Só há poeira.
De quantas formas se pode contar a mesma história
E ainda fazê-la ter sentido?
Quantas coisas nos parecem reais
E deixam de ser, sem nunca ter sido? Continue Lendo »
Queria sair de patinete, sério…
Porque o mundo é esse mar de possibilidades a favor, ou mesmo contra o vento. São essas cores de Almodóvar. São esses instantes de revelação. São pequenas, insignificantes conquistas. Mudança de ares. De direção. Minúsculas descobertas que mudam vidas. Perspectivas e expectativas. Um dia na esteira do anterior. Mãos estendidas. E essa onda avassaladora de aceitação e de amor. Continue Lendo »
1 – Amar é possível. E desejável. E necessário. Mas nos confundimos sobre os tipos e graus e detalhes desse amar, tensionando o sentimento, e acabamos amando o amor. Alias, esse é meio que o movimento natural, porque amar é simples e se relacionar é complicado, mas é aí quando a coisa desanda… Poucas pessoas possuem a amplitude de alma para se saberem amadas só pelo amor em si, esperando naturalmente a tensão ceder, e não tomar isso como desamor. Continue Lendo »
Eu tenho 16 anos. E borboletas no estõmago. Elas voam, revoando, batem asas e maremotos se formam na alma. Eu tenho 16 anos, e sou uma ninfa crescendo ao som do menino que vende picolés.
É uma sensação estranha, uma dor que não dói, e as borboletas batendo asas no meu estômago. O joelho dobra frente a uma expectativa distante. Mas inverossimil. Mas irreal. E então eu tenho 17 e não era mais expectativa. Era meu. E as borboletas voavam no meu estômago. Continue Lendo »
Queda livre involuntária, de novo, e de novo, e de novo. Um caminho de subida infinito e dificil e cruel. E toda vez que vislumbro a lúz, bem acima, mas pelo menos a vejo, tropeço, caio de novo, de novo, e de novo.
Toquei o chão uma vez. O mais baixo que se poderia chegar. Rosto na terra, gosto de ferro na boca, toda a gravidade do mundo me espremendo contra o chão. Estive lã. No centro do centro do centro da Terra. Foi súbito. Foi seco. Foi rápido. Eu estava aqui, e no instante seguinte, eu estava lá. No chão. Sem condições de levantar. Sem entender como caí.
E a escada surgiu. Primeiro improvisada, pequenas fendas na parede. Pura teimosia. No passo seguinte era de corda, feita a mão, pequeno gesto de compaixão e ternura. E depois uma escada. De fato. Acima, não sei. Talvez nada. Talvez mais escada. O caminho, inda que árido, surpreende, tem seus próprios recursos, se faz ao se pisar…
Mas eu constantemente tropeço e caio. E aquele instante em queda livre é um flertar com o desespero, que me olha, me quer, me chama. Eu lembro do rosto contra a terra, o gosto na boca, a dor… E eu caio, numa aceleração inimimaginável. Mas não toco o chão.
Há algo no caminho, sempre um milimetro acima de onde estive da última vez. O tombo, a queda, livre e temerária, é sempre salto de fé. Eu posso tocar o chão, eu posso me desfazer. Mas alí, um milimetro acima do antes, sempre, a rede. Dói, mas não como o chão, não como antes. É mais medo que dor. Mas dói.
E começamos de novo. Cada degrau. Um. Outro. Não quero cair, não quero precisar da rede. Não quero onera-la. Não quero o medo de pensar como seria se ela não estivesse alí. Não quero imaginar que um dia ela pode não estar. Só quero sair daqui. Mas caio. De novo, E a rede… e o subir … e o tombo.
Vou ficando acostumada. E ligeiramente mais descuidada. Subo os degraus mais depressa, tenho pressa, e nem sei de que. Prendo a respiração onde cai da última vez, resisto, mais um degrau, e queda livre involuntária, de novo, e de novo, e de novo.
Toquei o chão uma vez. E deus sabe como eu tenho medo de toca-lo de novo.
Sério? Mesmo? Vai ser assim toda vez que eu ameaçar levantar? Uma avalanche após a outra, o mundo inteiro sobre mim?
E os navios continuam a partir do porto. Um, depois outro, depois outro mais. Nenhum problema… é da natureza dos navios partirem do porto. Mas eu não estou neles…
A cerca do texto anterior [Algumas máximas cínicas sobre o amor (mas nem por isso menos verdadeiras) ], foi levantado que talvez, o grande problema do amor seja a falta de comunicação, as verdades caladas, as meia-verdades ditas fora de contexto, o silêncio tácito onde eu finjo que entendi e você finge que falou e vice-versa… Talvez. Mas há que se entender sobre a comunicação também, falácia ainda maior que o tal do amor (o de fato, e o do Jay Vaquer também… embora vencer ou perder nesse jogo nada tenha haver com o esforço investido…) Continue Lendo »