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	<title>Tudo e Nada</title>
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	<description>um pouco de tudo no meio do nada</description>
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		<title>A Inteligência e a Hipocrisia &#8211; Carta Aberta ao Sr. Carlos Nascimento</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 17:43:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Sr. Carlos Nascimento, Eu não sei se já fomos mais inteligentes, mas concordo, não somos esse primor de inteligência todo que arrotamos por aí. E quando digo nós, me refiro a esse coletivo humano, do qual eu, e, salvo algum engano, o senhor também faz parte. Porque esse coletivo assiste BBB, esse programa que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=1011&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Sr. Carlos Nascimento,</p>
<p>Eu não sei se já fomos mais inteligentes, mas concordo, não somos esse primor de inteligência todo que arrotamos por aí. E quando digo nós, me refiro a esse coletivo humano, do qual eu, e, salvo algum engano, o senhor também faz parte.</p>
<p>Porque esse coletivo assiste BBB, esse programa que promove, dentro e fora da casa, o pior do que nos faz humanos, percorrendo essa linha tênue e fronteriça entre o simplesmente abjeto e o crime.  Mas esse mesmo coletivo é o que assiste A Casa dos Artista, da emissora da qual o sr. faz parte, ou A Fazenda, ou qualquer outro programa simulacro de realidade onde os participantes são estimulados a praticar o pior ao invés de promover o melhor&#8230;</p>
<p>E quando um crime (ou simulacro de crime) acontece, esse mesmo coletivo relativiza, coloca panos quentes, acha absurdo discutir e cala a boca dos poucos que ousam fazer o impensado: Pensar. Usar o lamentável ocorrido para discutir os direitos de mulheres e homens, o direito ao não, o direito ao próprio corpo, as noções de dignidade, o estado da lei e as responsabilidades individuais e coletivas, é, sem sombra de dúvida, remar contra a corrente. Insistir na discussão mesmo sob o clamar de uma voz unissona que afirma que a questão é um problema da justiça e/ou dos envolvidos deve ser mesmo uma prova cabal de falta de inteligência. Ou será que não?</p>
<p>Entretanto, é fato que discutir o paradeiro de Luiza (Luiza quem?) não é lá muito inteligente. Nisso havemos de concordar. Mas apenas porque Luiza no Canadá é um bordão, um meme, uma piada interna que extrapolou os limites de um pequeno grupo graças ao poder da internet (mesmo poder que trouxe o assunto do estupro à quem não assiste BBB, e que impede que a mídia televisionada e escrita controle a informação como fazia em tempos idos). Luiza no Canadá é para rir, descontrair, relaxar&#8230; Atividades necessárias para aliviar as pressões do cotidiano e manter o cérebro fazendo o que deveria fazer de melhor: Pensar.</p>
<p>Então não sei se já fomos mais inteligentes, mas com certeza já fomos menos prepotentes, pois hoje parece que achamos  que todos os problemas do país, quiça do mundo, são culpa de termos feito uma piada com uma ilustre desconhecida que fazia intercambio, ou de termos tido a burrice de discutir questões conceituais como a natureza do estupro, os limites do corpo, a responsabilidade legal de emissoras de televisão&#8230; Ou de que apenas quando todos os problemas brasileiros e mundiais estiverem resolvidos nos é dado o direito de rir ou de expressar nossas opiniões.   Definitivamente já fomos menos arrogantes, quando não achavamos que cabia a nós determinar quais os assuntos relevantes que devem e, em última análise, podem, ser discutidos pela população de um país em uma internet que ainda é livre.  Ou o que pode nos fazer tirar do nada um riso inconsequente por uma piada ou bordão.  E sem sombra de qualquer dúvida, já fomos menos hipocritas, de ir em rede nacional apontar os supostos defeitos dos quais somos plenos também.</p>
<p>Todos nós. Burros, prepotentes, arrogantes e hipócritas. Menos, é claro, a Luiza, que pra sorte dela estava no Canadá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/1011/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=1011&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Por que só me resta protestar&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 01:28:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante anos eu cantei a pedra. Fui acusada de ranço intelectualóide e paternalismo. Ok. Em nome da diversidade eu deixei passar. Quando aconteceu eu fiquei quieta um tempo, processando&#8230; Me dei ao trabalho de ver o vídeo. Ler diversos textos. E aí comecei a soltar o verbo. E o fiz porque qualquer interpretação (e infelizmente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=1005&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante anos eu cantei a pedra. Fui acusada de ranço intelectualóide e paternalismo. Ok. Em nome da diversidade eu deixei passar. Quando aconteceu eu fiquei quieta um tempo, processando&#8230; Me dei ao trabalho de ver o vídeo. Ler diversos textos. E aí comecei a soltar o verbo.</p>
<p>E o fiz porque qualquer interpretação (e infelizmente até o óbvio é passível de interpretações conflitantes) é tão abjeta, tão impossível de defesa, que só me resta o protesto. Vazio. Inconsenquente. Com o único objetivo de desopilar meu fígado e justificar meu desprezo generalizado pela tal da raça humana.</p>
<p>Não vou detalhar o contexto&#8230; todo mundo sabe. Todo mundo foi bombardeado por isso zilhões de vezes nas redes sociais, mesmo os que como eu, se recusavam peremptoriamente a tomar ciência de mais uma edição da encubadora de mediocridade e degradação humana, o tal do BBB. E algo rolou sob os edredons, prática já famosa nessa porcaria de programa&#8230; mas dessa vez entre uma dona desacordada ou no mínimo muito próximo disso e um sujeito que já tinha levado um não dessa mesma dona. Eu realmente não sei na língua e no mundo de vocês, mas no meu dicionário isso é estupro.<span id="more-1005"></span></p>
<p>Infelizmente, um número absurdo de mulheres,e eventualmente de homens, são estuprados todos os dias&#8230; Eu não tomo ciência deles, porque esse é um mundo tão absurdamente violento que não há como se tomar nota de todos os crimes que acontecem. Por isso vim morar no fim do mundo, onde quando ocorre uma violência qualquer, e não se iludam, ela ocorre, é assunto por dias, meses, o ano todo&#8230; As vítimas tem nome, endereço, estado civil. Os cidadãos se chocam, a violência tem o peso monstruoso que de fato tem, ao contrário dos grandes centros ela é esvaziada pela tamanha proliferação&#8230;  Então meu protesto não é hipocrisia&#8230; se protesto é porque esse caso ganhou um nome, uma cara, invadiu minha timeline, se tornou de domínio público.</p>
<p>Às vezes temos noticia de alguém que foi estuprado em casa, com alguém no quarto ao ledo que poderia ter impedido, mas optou por não se envolver. Chamamos essa pessoa de covarde, de fraco, ou eventualmente, de vitima também. As vezes são crianças, as vezes são realmente incapazes de intervir. Nesse caso, era a ilha de edição, os plantonistas, as pessoas responsáveis. Estavam lá, tratando as imagens, colocando no ar, e optaram por deixar essas irem ao ar, sem nada acontecer.</p>
<p>Quem paga pelo pay per view dessa budega, as vezes fala que é possível ouvir ‘vozes do além’, da direção do programa dando instruções. Essas vozes do além não apareceram naquela madrugada.</p>
<p>Há quem diga, até por conta das tais vozes do além, que tudo é encenado. O que foi encenado, se esse é o caso, não foi mais uma promiscuidade em rede nacional, isso os tais assinantes já estavam cansados de assistir. O que foi, supostamente, encenado, foi um estupro. O tal do BBB é, sempre foi, essa incubadora do que temos de pior, mas até para o nível do programa, aquilo era descer muitos e muitos degraus. E teríamos no mínimo uma apologia ao crime aí, motivo mais do que suficiente para muito bafafá e protesto e indignação.</p>
<p>Há quem diga que só estão acusando o pobrezinho do rapaz porque ele é negro. Sério? Eu não acho que não exista racismo no Brasil, alias, somos, infelizmente, enquanto país, absurdamente racistas. Só mascaramos, confeitamos, douramos a pílula e fazemos de conta que não. Mas pra começar eu tive que olhar a foto dele umas 3 ou 4 vezes, bem depois de já estar indignada, pra ter certeza que ele era negro. Porque isso não era relevante. Nunca foi. Talvez, só talvez, ela não tivesse dito não pro loirinho (tem loirinho na casa? Eu não vejo essa droga&#8230; só repito o que ouço por aí, e disseram que “Ah, mas se fosse o loirinho&#8230;”), e?! Perai, se ele é negro ela não pode dizer não ou é racismo?! Porque toda a questão gira em torno de Ela disse não – Ela pediu para ele parar – Ela apagou.</p>
<p>Ouvi absurdos do tipo: Ela é piriguete, encheu o fiofó de cana, C* de bêbado não tem dono, queria dar, tava gostando&#8230; Eu não conheço essa moça. Mas ela é filha de alguém, irmã de alguém, amiga de alguém. Ela com certeza fez péssimas escolhas na vida. A começar por entrar pra esse programa. Encher os córneos em rede nacional pra no mínimo pagar mico também não foi nem de longe uma escolha feliz. Mas isso não dá direito a ninguém a apalpá-la (e daí pra frente) desacordada. Nos links abaixo duas histórias&#8230; uma no vídeo ao final do  texto, um stand up excelente sobre estupro (morra, Rafinha Bastos!) e no outro uma historinha inocente sobre um beijo alcoolizado recebido. Isso é ser homem. Se aproveitar de mulher bêbada, mesmo quando ela não diz não claramente, é ser pra usar eufemismo, cafajeste, mas a palavra é criminoso mesmo.</p>
<p>Tem o triste discurso do é tempestade em copo d’água e irrelevante, motivo de piadinhas chamando o príncipe da Bela Adormecida de safado estuprador, esvaziando a discussão&#8230; Senhores, a lei do estupro mudou para proteger o seu, o meu, o nosso corpo. Ao fazer vista grossa, piada, ou dar pouca atenção a um ataque sexual ocorrido em rede nacional, mesmo em um programa que você não assista e até critique, é retroceder anos e anos nessa questão. É dizer que tudo bem, que naquele programa era esperado mesmo (e era, mas isso sim é irrelevante!), e que não foi nada demais. É voltar no tempo e fazer da vítima, a culpada. (Ou culpado, não importa o sexo da vitima!). É dizer que pelo seu comportamento, vestimenta, teor etílico ou mesmo nível de intimidade com o agressor, o estupro foi ‘pedido’, é permitido. Que só porque não aconteceu com sua mãe/irmã/filha/sobrinha/prima/amiga, não é relevante, não vale seu tempo, não tem importância.</p>
<p>Tem o discurso legal, ou melhor, legalista também. De que se a vitima não se sentiu vitmizada, não é crime. Que se pelo motivo que for, medo, pressão, dinheiro, discordância, ignorância e por aí vai, se a vitima não prestar queixa, não há mesmo o que fazer, porque é quase que o último bastião, uma vez tendo seu corpo violado, decidir se houve violência. E que caberia a nós respeitar. Eu compreendo isso. Mas não preciso concordar, preciso? Posso protestar apesar da triste percepção de que é o provável fim dessa história, o esquecimento do fato em si, a perpetuação do modelo opressor. Porque eu vi. E não há como des-ver. Eu soube, e não há como des-saber. E me senti agredida. E me senti retrocedendo no tempo, perdendo direitos, ultrajada não como mulher, mas como ser humano.</p>
<p>Então eu protesto. Reclamo. Desopilo o fígado. Pela indignidade da coisa em si. Pelo crime presenciado quase que inadvertidamente (confesso que quando resolvi ver o vídeo, achei que era mais uma das muitas idiotices do programa, e que estavam exagerando a proporção da coisa, e fui ver pra não falar de intrometida, sem saber do que se tratava e ser mais uma vez acusada de paternalismo prepotente). Pela conivência de uma emissora de TV (que não assisto, mas não importa), CONCESSÃO DO ESTADO, diga-se de passagem, que ao invés de estar a serviço do povo, presta desserviço a esse povo, facilitando o crime (o confinamento, as festas, as bebidas, a falta de cama em número suficiente, o incentivo a promiscuidade, e sem falsos moralismos aqui&#8230; na privacidade, cada um faz o que quer, gosta e se sente confortável fazendo, mas ali nada tem de privado&#8230;), sendo conivente com ele (gravando as cenas, transmitindo-as, não intervindo) e por fim, obstruindo a justiça (sumindo com vídeos, colocando panos quentes, ignorando o assunto como se nada tivesse acontecido, mesmo tendo expulsado o suposto crimoso – e como disse uma amiga: “Nossa, o estuprador foi expulso da casa. Me sinto bem mais segura agora&#8230;”).  Pelos amigos e conhecidos que me consideravam prepotente ao dizer que era um absurdo assistir aquele programa e não entendem que, em havendo um crime, foi parcialmente financiado por eles, audiência do programa. Pelos comentários cretinos, machistas, preconceituosos, arcaicos&#8230; e pela indiferença.</p>
<p>Protesto. Me recuso a discutir isso na base do escárnio e da pilhéria. Me recuso a simplesmente aceitar como algo irrelevante.  Minha descrença na raça humana já é grande o bastante pra que eu aceite mais isso como natural. Então me agüentem, porque me sobra muito pouco, além de protestar.</p>
<p>Vale a pena ler:<br />
<a href="http://papodehomem.com.br/estupro/">http://papodehomem.com.br/estupro/</a><br />
<a href="http://www3.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2012/01/16/Globo-BBB-e-o-lindo-amor-de-Pedro-Bial.aspx">http://www3.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2012/01/16/Globo-BBB-e-o-lindo-amor-de-Pedro-Bial.aspx</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/1005/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=1005&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O ranço&#8230; ah o ranço!</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 03:27:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao postar vários links de artigos interessantes sobre essa questão da doença do Lula, eu disse que não havia mais o que falar. Mas o fato é que sempre há, quando o incômodo gerado é tão grande, e a decepção com o ser humano se aprofunda ainda mais&#8230; Na minha época de militância, nos referiamos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=998&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao postar vários links de artigos interessantes sobre essa questão da doença do Lula, eu disse que não havia mais o que falar. Mas o fato é que sempre há, quando o incômodo gerado é tão grande, e a decepção com o ser humano se aprofunda ainda mais&#8230;</p>
<p>Na minha época de militância, nos referiamos ao ranço. Aqueles militantes raivosos, que cuspiam e bababam, que nem cachorro louco nas assembléias, sobre palanques improvisados, e gritavam &#8220;QUESTÂO DE ORDEM&#8221; a cada palavra do &#8216;adversário&#8217;, como se tudo fosse questão de vida ou morte&#8230;  Esses eram os que tinham o ranço. Trauma de infância, brincávamos. Freud explica! Daquele sentido do que se decompõe em contato com o ar de substâncias gordurosas, e fica renitente na sua boca quando se dá o azar de comer algo rançoso, veio esse sentido de mágoa mal resolvida, raivinha, rancor&#8230; Diziamos quer era que nem catapora, doença de criança, que uma hora eles iam crescer e isso ia passar. Será? Nisso, e em várias outras coisas, acredito que estávamos errados.</p>
<p>Mas depois dos embates acalorados, iamos todos beber cerveja no buteco mais próximo, e rir dos nossos próprios discursos, das nossas próprias neuroses, das nossas próprias idiossincrazias. Nem todos, é fato, mas muito de nós. Mas sobre aqueles cujas diferenças ideológicas eram &#8216;deal breaker&#8217;, tão fortes que impediam a saudável convivência social, não desejavamos o mal. Talvez engasgar durante o discurso, ou esquecer o que ia dizer e ficar lá em cima gaguejando&#8230; talvez. Mas não o mal, a morte, a doença, a vingança pequena e mesquinha de que o que desejava acontecesse e eles se vissem em maus lençois, pois como bons paladinos da suposta verdade, achavamos que se isso acontecesse, eles veriam que estavam errados o tempo todo, e nós, certos, sempre certos&#8230; e mesmo em nossa prepotência, queriamos o bem. Lutavamos pelo que quer que acreditassem, da manutenção do ensino público, gratuito e de qualidade ao ponto de encontro da próxima passeata, querendo o melhor, para nós, e para eles, os que ousavam discordar de nós (ah, como a juventude é deliciosamente prepotente&#8230;).</p>
<p>Viviamos nos primeiros momentos pós-ditadura. A Abertura era algo tão novo como criança que acaba de nascer. Não a conheciamos, não a entendiamos, não  sabiamos muito bem do que se tratava&#8230; então a palavra era preciosa, pensada, concatenada. Essa tal liberdade de dizer o que vinha na mente era tão nova, fresca, que era tratada com o respeito que merecia. Eu podia falar, e talvez tivesse que ouvir, então eu pensava no que ia falar&#8230;</p>
<p>Se algum sentimento vil, odiento, asqueroso, cruel e mesquinho me acometia, guardava pra mim, o afundava no fundo de algum baú escondido na alma até que se desfisesse, e limpava o ranço com cuidado, porque não queria ser como aqueles, os rançosos, que inflavam de ódio nos discursos mais banais&#8230;  Era um respeito com o outro, mas no fundo, era um respeito comigo. Desejar o mal, o fracasso, e em última instância, a desgraça e a morte não era bonito, e isso era claro pra todos nós. Na política, nas relações pessoais, e mesmo frente aos ilustres desconhecidos cujas ações nos revoltavam: que eles parassem, caissem no anonimato, sumissem, reconhecessem seus erros ou simplesmente perdessem o poder, mas era só.</p>
<p>E então o que era novo virou velho. Muitos se habituaram, toda uma nova geração nasceu e cresceu sob outra edge. E ninguem mais dá valor. É corriqueiro e banal, fala-se o que quer, sempre, sem pensar, sem ponderar, sem notar o quão cretino é a maioria dos pensamentos que nos cruzam a mente. O mundo não tinha mais filtro de boçalidade, o mundo era dos rançosos.</p>
<p>E não bastasse, foi dado a todos os seus 5 segundos de fama. Blogs, redes sociais, toda a tal da internet, ligando minha palavra ao mundo inteiro ao alcance de um clique&#8230; e todo dia alguém posta uma idiotisse absurda em um twitter/facebook/G+/blog da vida&#8230; a própria midia escrita/televisionada, para ficar no mesmo pé da internet, brigando desesperada por sua fatia cada vez menor de &#8216;meio de informação&#8217;, segue a mesma linha, cospe boçalidade como se fosse notícia, profere idiotisses como se fosse comentários inteligentes, repete os mesmos erros de quem nunca entendeu de fato o que a liberdade de expressão significa, de fato, pra quem em algum momento não a possuiu.</p>
<p>Esquece o Lula. Há quem ame, há quem odeie. E há quem odeie tanto que seja incapaz de ver os avanços que esse pais viveu nos últimos anos. Há quem seja tão rançoso que se apegue aos erros (e sempre há erros) e o tranforme em vilão de um filme imaginário. Esquece. Sua opinião pessoal aqui é tão irrelevante como meu poder de influência sobre a sua opinião&#8230; Esquece o SUS. E o fato de que com todos os defeitos, quem grita aos quatro ventos que o sistema não funciona, normalmente nunca o utilizou e baseia seu discurso em pura hipocrisia. Não precisa entender todo os sistema de roldanas de poderes federais, estaduais e municipais que são necessário, com índices tendendo a zero de falcatruas e desvios, que seriam preciso para que o sistema, bom em teoria, funcionasse perfeitamente na prática. Ou o fato de que muitos dos hospitais de ponta, estado da arte mesmo, para transplantes e câncer, entre outras coisas, são públicos ou de alguma forma financiados pelo SUS. Ou que em muitos lugares, e em  muitos níveis, ele de fato funcione (a parte médica, não exames porque sou impaciente e preguiçosa e nunca quis ficar na fila ou esperando vaga, mas a parte médica do meu tratamento de hipertireoidismo, até a presente data, foi toda feita pelo SUS, com direito a passar na frente quando eu passei mal, a ser atendida em dia de visita externa, ou seja, que o médico não atenderia no posto, por já estar lá, e ficar comodamente esperando numa sala de espera não tão chique mas confortável, como no passado, quando morava no Rio, esperei  por consultas médicas pagas e com hora marcada, nem mais, nem menos tempo, nem mais, nem menos conforto&#8230;). Esquece também que se essa campanha idiota de &#8220;Lula se trate no SUS&#8221; fosse olhada sob alguma luz que não a do ranço, se veria o quão idiota é alguém que trabalha e tem condições financeiras tirar a vaga de outra pessoa no SUS, ou inflacionar ainda mais um sistema que na prática está longe do ideal&#8230;  Tudo isso é irrelevante, não importa, não faz a menor diferença.</p>
<p>O que importa é o desejar o mal. Ao se discordar de uma pessoa, politicamente, se desejar o mal. A morte. A doença. Achar graça, ironia, justiça divina ou outra idiotisse. Que ranço é esse?</p>
<p>Poderia ser algo pessoal, afinal, outros ex-presidentes, políticos de alto escalão e seus familiares já adoeceram gravemente, e ninguém saiu por aí dizendo &#8220;BEM FEITO! Vai se tratar no SUS, seu FdP!&#8221;&#8230; mas se é pessoal, se baseia em que? Alguém realmente acredita que ele, Lula, é um ser tão desprezível assim, que mereça um tratamento pior (não no que diz respeito ao SUS, mas ao desejo de quem o manda pro SUS) que outros que vieram antes dele? Sério mesmo? As pessoas são tão cegas e desmemoriadas assim?  Ou tem haver com o fato de ter sido alguém pobre, sem estudo, que galgou os degrais até se tornar uma figura pública, influente, de liderança reconhecida internacionalmente?! SE é isso, de onde vem essa mesquinharia toda, essa inveja, esse, de novo, ranço?!</p>
<p>Mas talvez sejam só os novos tempos&#8230; Todo mundo se acha importante, inteligente, capaz de proferir frases bombásticas, e não entendem que apenas abriram a latrina de seus pensamentos, que nem tudo que a gente pensa vale a pena falar em público, que algumas coisas a gente devia ter vergonha de falar&#8230;</p>
<p><strong>Inclusive de pensar, mas pelo menos, em nome do que resta de dignidade na raça humana, de falar!</strong></p>
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		<title>Fringe, e a síndrome do pé na jaca</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jun 2011 03:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meios e Mídias]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[séries]]></category>
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		<category><![CDATA[TV: Fringe]]></category>
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		<description><![CDATA[Fim da temporada passada (a segunda) eu vim aqui me lamuriar do final clichê de Fringe. Como eu falei na época, não acreditava que seria o suficiente para me desiludir e fazer desistir da melhor série de Ficção Científica/Fringe Science, anos luz (quase que literalmente) à frente de sua fonte primária de inspiração, Arquivos X, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=992&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fim da temporada passada (a segunda) eu vim aqui me lamuriar do <a href="http://enadamais.wordpress.com/2010/06/02/de-olho-na-season-finale-fringe/" target="_blank">final clichê de Fringe</a>. Como eu falei na época, não acreditava que seria o suficiente para me desiludir e fazer desistir da melhor série de Ficção Científica/Fringe Science, anos luz (quase que literalmente) à frente de sua fonte primária de inspiração, Arquivos X, mas foi decepcionante. Como sempre, vale um grande SPOILER ALERT pra quem ainda não viu o fim da terceira temporada, ok?</p>
<p><img class="aligncenter" title="Fringe" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2010/06/fringe_12.jpg?w=347&#038;h=387" alt="" width="347" height="387" /></p>
<p>Naquele post, defini Fringe como o Arquivo X dessa geração. É mais hi tech, é mais engajado e enquanto série, possui uma coerência interna maior que Arquivo X, assim como mais constância, em suma, uma série meta-sci-fi clássica.<span id="more-992"></span></p>
<p>Mas digo mais, Fringe tem/tinha uma química perfeita para agradar um amplo espectro: ciência e pseudo-ciência, o clássico sci-fi, suspense, ação, alívio cômico (sem precisar de personagem/episódios engraçadinhos de meio de temporada) e até romance. Tudo em medidas milimétricas, de forma a manter o equilíbrio e a sustentabilidade. Mas como uma torre de cartas, retirar uma peça não é tarefa fácil: tudo pode ruir.</p>
<p>Pois bem, fim da temporada passada o pé se enfiou na jaca, com uma solução clichê para congregar 2 universos, tema que era recorrente e, até então, pouco explorado. A opção foi a mais óbvia e deselegante&#8230;  Mas confeso feliz ter tido uma grata surpresa com essa temporada: A situação permanecia manjada, batida, clichezão&#8230; mas o desenvolvimento foi criativo. Os episódios alternados de um ou outro universo, revelando camadas mais profundas dos personagens alternativos, até humanizando-os em muitos momentos, mas sem perder o foco no universo, por assim dizer, herói da trama. Tudo isso mantendo os elementos característicos da sérei, fugindo do que era meu maior temor: uma mera guerra dos mundos, ainda que esse fosse exatamente o plot subjacente.</p>
<p>Mas foi só a temporada ir chegando no final para o cheiro da jaca ir impregnando o ar: alguém tinha enfiado o pé por lá, de novo.</p>
<p>Começamos no magnífico episódio desenho animado (o ante-penúltimo, creio eu), um deleite para os olhos de mentes propensas a viajar&#8230; Episódio esse que coroou a sequência de episódios com a magistral interpretação da Anna Torv (Olívia) &#8216;ocupada&#8217; pelo espírito do personagem do Leonard Nimoy (William Bell). Sem nenhum recurso escuso, era impressionante. Bastava fechar os olhos e eu podia visualizar o Spock/Nimoy/Bell como se ele estivesse na cena, mas de olhos abertos os trejeitos também convenciam&#8230; Anna Torv faz um impersonate divertido e convincente do nosso orelhudo favorito de todos os tempos!  Mas voltando ao episódio em si, tudo ia bem, divertido e inusitado, com os personagens desenhados presos na mente de Olívia, até a revelação final: um personagem que estava preso no dirigível, que troca 2 falas com Peter e foge da cena, é, dito pela boca de Olívia (em tom blasê igualzinho ao Jarvis, o mordomo dos Vingadores anunciando que a mansão está em chamas e todas as rotas de fuga inviabilizadas) como sendo aquele que irá mata-la. É&#8230; hum&#8230; o que?</p>
<p>Plot para o fim da temporada? Descobrimos depois que não era. Para a temporada seguinte? Não seria a primeira vez que uma série traz em uma temporada gancho para a temporada próxima, mas aquele jeito, solto no ar e sem densidade dramática alguma (se era pra ser dramático o tom despreocupado da personagem ao anunciar seu assassino, bom, falhou miseravelmente!) e profundo como um pires virado do avesso&#8230;</p>
<p>O penúltimo episódio transcorre sem problemas, e termina com gosto de quero mais e de uma interessante reviravolta,meio batida, mas ainda assim surpreendente.  E chegamos no último episódio&#8230; E aí eu nem sei por onde começar!</p>
<p>Começamos pelo assassinato da Olívia, não pelo homem do dirigivel, mas pelo Walternativo. O personagem vinha sendo paulativamente humanizado e suas ações revestidas de justificativa, de forma a sem fazê-lo menos vilão, definitivamente menos desprezível. E de repente lá está ele, unidimensional, avatar da vingança personificado, num diálogo vazio e maniqueista com o filho seguido por um tiro nas fuças da nora, por nada mais, nada menos que vingança. Não era ele fazendo atos vis para salvar seu universo, ou resgatar seu filho roubado, mas simplesmente, anunciando: &#8220;fiquei sem universo, vocês vão ficar também!&#8221;  ou &#8220;Se não vou jogar, eu furo a bola!&#8221;. Dono de um inteligência privilegiada, por acaso lhe ocorreu que ele pereceria também? De novo? Vingança pequena, mesquinha e improvável para um cérebro privilegiado&#8230;</p>
<p>Agora vamos para o Peter. No episódio anterior, ele termina num marco zero futurístico, confuso, sem entender nada&#8230; O episódio seguinte ele está no hospital, se recuperando em velocidade Flash, e subitamente, completamente adaptado ao seu &#8216;estar no futuro&#8217;.  As consciências não estavam mais juntas? Ele estava fingindo para sondar? Ele entendeu e aceitou? Escolha uma das alternativas acima ou uma outra qualquer, porque o episódio se furta a explicar. Pode parecer uma reclamação boba, mas a grande graça de Fringe e nos fazer acompanhar a linha torta de raciocínio dos protagonistas fazendo o impossível meramente improvável, mas incrivelmente lógico. E possivelmente para ganhar tempo, eles pulam a explicação e lá está Peter, sabendo exatamente o que seu eu futuro comeu no café da manhã de dias atrás, e sem um pingo de dúvida ou estranhamento por estar alí, no futuro. Por instantes parece que os eventos (a máquina criadora/destruidora de mundos e ele no futuro) não estão mais relacionados, e é só um salto temporal da série, o que seria ainda pior se fosse verdade. Mas não era: apenas resolveram não explicar algo que sem explicação, não fazia o menor sentido what so ever&#8230;</p>
<p>A reação do mundo frente ao Walter também foi algo que não desceu goela adentro. Para ser plausível, todo o departamento, a nova divisão Fringe, seria execrada pela sociedade, fazendo seu trabalho de colocar remendos nas rachaduras do universo na clandestinidade, ajudando uma população que não os compreende e os culpa pelo fim do mundo iminente. Porque? Por que fora seu passado &#8216;sinistro&#8217; de experiências não autorizadas, toda a atuação do Walter nos anos da série foi sob a edge do FBI, auxiliado de perto por todos os envolvidos, inclusive do &#8211; naquela momento &#8211; senador Philip Broyles. Então Walter foi um bode espiatório que se fudeu no processo enquanto todos os outros personagens se deram bem? Totalmente incompatível com a natureza dos personagens, que, se de fato fosse o caso, teriam pulado no buraco junto com Walter. Até porque ele não ligou a máquina, justificativa que o episódio dá para os anos de reclusão em prisão de segurança máxima, contrariando o que assistimo antes (Walternativo é que ligou) e depois, desdizendo de novo. Confuso, bobo, e totalmente desnecessário. Se era para usar o visual do personagem no começo da série, para dar idéia de ciclo, um Walter recluso e cheio de culpa, se recusando a ajudar com medo de piorar a situação, teria funcionado MUITO melhor.</p>
<p>Aí temos a perola do paradoxo mas não tão paradoxo assim&#8230; Walter não pode mudar o que fez, mas Peter pode? A explicação não tem pé nem cabeça, afinal, se aquele futuro estava acontecendo, o Peter já tinha estado na máquina, já tinha se portado de determinada forma, destruído o universo paralelo e agora aquilo era passado. Alterável ou inalterável, escolha. Mas ou um, ou outro. Se o filho pode tomar desisões diferentes no passado daquele futuro, porque Walter não podia no presente, passado de outro futuro? Para justificar o que o Peter faz, como sabia o que fazer, etc&#8230; mas peraí&#8230; não tinha uma explicação menos furada? &#8220;É mais certo&#8221; &#8220;É mais fácil&#8221; &#8220;É mais seguro&#8221;, qualquer uma servia. Mas usar o paradoxo temporal que funciona num caso e não no outro, foi o fim da picada!</p>
<p>Ainda na mesma cena, o episódio de novo falha em explicar outro recurso Fringe, que uma explicação teria sido interessante! Walter diz que eles precisavam trazer a consciência do passado para o futuro para que o Peter soubesse o que aconteceria se ele destruísse o universo alternativo, bastava só descobrir como. E então, subitamente, eles não só sabem como, já aconteceu, Peter está de volta ao presente, na máquina, fazendo uma opção diferente (a despeito do paradoxo). Volta a fita. O que aconteceu? Pois é, não sei. Ninguém sabe. Walter diz que, até onde ele sabe, já podia estar acontecendo. Normal, se ele no futuro (5 segundos depois) descobrisse como, Peter teria voltado em forma de consciência coexistente no passado (alguns dias antes) para entender como seria o futuro e poder muda-lo (Olá, paradoxo!). Mas dizer &#8220;até onde seu, já pode estar acontecendo&#8221; não explica o que aconteceu. Resta outras explicações: mágica. Obra e graça do divino espírito santo. Carinho de pai tem poder. Sei lá. O episódio não explica. Já falei que a graça da série é fazer o impossível ter lógica? É, né&#8230; não teve explicação.</p>
<p>E aí, o Peter  volta pro presente e&#8230; desaparece. Esquece a física/pseudo-física. Se ele deixa de existir quando junta os universos, ele não estaria presente para fazer o primeiro workshop (esse desnecessário) da noite, explicando aos dois gênios cientístas e as 2 Olivias o que ele fez&#8230; Então esquece a física. Nem vale a pena. Eu cheguei a achar intrigante (Onde ele foi parar?) até o segundo workshop da noite, dos Observadores, me jogar um balde de água fria. Ele deixara de existir ao cumprir seu papel, caiu no oblivium, no esquecimento, no grande e incomensurável nada.  Volta a fita, mais uma vez: passamos a temporada vendo o personagem crescer como &#8216;escolhido&#8217;, suas relações com a Olívia remontadas até o passado, quando crianças, a própria Olívia ser colocada na equação (alias, papel bobíssimo dela no processo. Não fez foi nada. Era só pra mostrar o desenho bonitinho dos primeiros que na verdade era eles mesmos? Não era melhor uma fotografia então? Esquece&#8230; outro plot interessante que se finaliza estranho!), tudo isso pra fazer ele desaparecer??  Assim? Do nada? A troco de nada?</p>
<p>Ok, há todo o discurso de 3 temporadas os observadores de que ele tinha um papel, de que Walter deveria estar pronto para deixá-lo ir, bla bla bla&#8230; Mas há formas mais interessantes de dar sentido a profecias do que dar todo um suporte a um personagem e depois, puft, quem é Peter Bishop mesmo?</p>
<p>A coisa toda é confusa. Parece recurso mal-ajambrado para tirar um personagem da série, mas Joshua Jackson ainda está sob contrato. Então, fala aqui no meu ouvido, juro que não conto pra ninguém: pra que essa bobageira de limbo, vácuo, nada, e por aí vai? Só pra dar raiva no expectador? Curiosidade com relação a próxima temporada?</p>
<p>O que nos espera então? Um Fringe sem Peter Bishop mas com 2 Walters e 2 Olívias convivendo ao mesmo tempo no mesmo lugar? Peter aparecendo em flashs? Peter resurgindo mais do que das cinzas, do nada? Nada? Alguma coisa?</p>
<p>E a tal da química? Não estaria para sempre perdida? Posso, já fui antes, então posso e quero ser surpreendida por soluções mirabolantes que girem o estado atual para algo novo, criativo, delicioso e interessante. Mas confesso meu profundo cetistismo. Maior do que quando a princesa ficou presa no dungeon do cientista louco e cruel, enquanto sua gêmea malvada tomava seu lugar. Alí era clichê, mas a solução era previsível e o caminho de volta pra casa, visível pelas migalhas de pão no caminho. Agora? Tenho a sensação de estar presa num floresta. Só de pés de jacas&#8230;</p>
<p>Tô começando a notar um padrão&#8230; se a próxima temporada comprar bom ar e tirar esse cheiro de jaca no ar, vou me policiar ao máximo para assistir até o ante-penúltimo episódio. E alguém me conta o final. Não gosto de jaca. Nem do cheiro. E já é a segunda vez!</p>
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		<title>&#8220;The&#8221; Alice? There&#8217;s been some debate about that.</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Apr 2011 21:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vamos brincar de jogo de associação de palavras? Volte no tempo um pouco, antes do anúncio da filmagem de Alice in the Wonderlands. Eu digo para você “Tim Burton”, o que vem a sua mente? Helena Bonham-Carter e Johnny Deep?! Ok, segue daí, o que mais vem a sua mente? Na minha vem logo Edward [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=981&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos brincar de jogo de associação de palavras? Volte no tempo um pouco, antes do anúncio da filmagem de Alice in the Wonderlands. Eu digo para você “Tim Burton”, o que vem a sua mente? Helena Bonham-Carter e Johnny Deep?! Ok, segue daí, o que mais vem a sua mente? Na minha vem logo Edward Mãos de Tesoura, a Noiva Cadaver e O Estranho Mundo de Jack. Se eu continuar a partir daí, palavras como fantasia, realismo fantástico e surrealismo vão pipocar na minha mente. E daí pra Lewis Caroll e Alice no País das Maravilhas seria um pulo. Por isso sorri de orelha a orelha, igual ao Cheshire Cat, quando soube que Tim Burton iria filmar esse clássico dos clássicos! Contingências fizeram com que eu não pudesse ver o filme no cinema, e o vi somente agora, quando ele passou na HBO HD. Foi o quanto durou meu sorriso.</p>
<p>Não me entenda mal, eu não sou purista. Sou totalmente pró liberdade poética e acho que filmes não são livros e vice versa, então não espero ver transcrições literais quando uma adaptação de livro chega as telonas (o mesmo vale para HQs, diga-se de passagem). Respeito muito essa coisa de interpretações autorais e de fato, fico até curiosa para saber como um determinado produtor/diretor/roteirista/ator vai conceber um determinada história/personagem de forma a torná-lo novo, e ainda assim, reconhecível.</p>
<p>Mas o problema aqui é: Tim Burton filmou Alice no País das Maravilhas? “A” Alice? Bom, é discutível. (A seguir, spoilers&#8230; leia por conta e risco!)<span id="more-981"></span></p>
<p><a href="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/alice-in-wonderland-tim-burton2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-982" title="Alice-in-Wonderland-tim-burton2" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/alice-in-wonderland-tim-burton2.jpg?w=490&#038;h=321" alt="" width="490" height="321" /></a></p>
<p>Os personagens estão todos lá. E visualmente, estão excelentes. O ambiente em si? A perfeita Wonderlands. As interpretações? Mia Wasikowska como Alice é levemente insossa, mas Johnny Deep rouba a cena para variar e é sempre uma delícia vê-lo atuando.  A idéia de uma Alice mais velha e ser um ‘revisitar’ ao país das Maravilhas me parece interessante e inclusive, criaria a permissão para contar uma história diferente da do livro sem ser alguma espécie de heresia (o relato de Lewis Caroll aconteceu, e agora, mais velha, Alice sem lembranças do que achou que fosse só um sonho, se vê de novo no mundo surreal que a acolheu previamente). Tudo, absolutamente parecia perfeito, mas o resultado&#8230; é&#8230; bem&#8230; como posso falar isso? É sofrível.</p>
<p>O filme é lento, sonolento, cansativo até. Assisti em 2 momentos, porque dormi na metade e nem estava com tanto sono assim. É recheado até a alma de clichês do tipo Tudo é possível e Faça seu próprio caminho, o que se diluiria no cômputo geral. A existência de uma Vorpal me embrulhou o estômago, mas vá lá, sou capaz de suportar. Mas de todas as escolhas autorais possíveis para recontar Alice, ou contar uma outra história inspirada em Alice, o filme faz a PIOR ESCOLHA POSSÍVEL: transforma o clássico de Lewis Carrol numa obra de C.S. Lewis.  LEWIS ERRADO, Tim Burton. Lewis totalmente errado!</p>
<p>Assistimos Narnia all over again. Com um visual mais surreal, com personagens de outra história, mas a jovenzinha (ou jovens) que faz parte de uma profecia que salvará o mundo fantástico no qual ela é misticamente jogada a partir da nossa realidade, é outro clássico infantil (muito bom, por sinal), de outro autor, cujo nome também é Lewis mas não era isso que a gente esperava.</p>
<p>Alice é simbolismo e surrealidade. Ela não tem uma missão, um propósito, um porquê. Ela foge da realidade (ou não!) para um mundo de fantasia, que pode ou não ser um sonho, que pode ou não ser (também) real. E conhece/enfrenta arquétipos das dúvidas que nos assolam quando somos crianças e que desistimos de procurar respostas quando crescemos. É sentimento sem racionalização. É a obra prima do simbólico.  Mas não essa Alice. A Alice de Tim Burton é uma mera fábula de que se você acreditar, tudo pode ser possível (o que é uma bela mensagem, mas de novo, não era isso que estávamos procurando&#8230;), inclusive o inverossímil final onde uma mulher, naquela época, e naquela idade, se torna sócia de um mega-negócio imperialista, porque acreditou em 6 coisas impossíveis antes do café da manhã.</p>
<p>E de novo, o final inverossímil nem me incomoda. É um filme, é uma fábula, um conto de fadas ou como queira chamar. E nem minhas restrições a mentalidade imperialista pesam na minha avaliação final do filme. Tudo isso é fichinha perto do real problema. Não é Alice. Definitivamente, o coelho branco achou a Alice errada, e levou pra Wonderlands errada.</p>
<p>Fora isso, ou seja, excetuando TUDO, Johnny Deep ainda é um puta ator, Tim Burton ainda é um gênio (que deu uma bola fora, mas quem nunca fez isso?!), Helena Bonhan-Carter ainda é bizarra, e eu vou achar minha cópia de Alice em papel para reler. É o melhor negócio que posso fazer.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Pra que ninguém me chame de ranzinza, vale mencionar que o filme é <strong>quase</strong> salvo por dois quotes geniais, daqueles que valem a pena memorizar pro resto da vida (em inglês, porque o segundo perderia o sentido se traduzido, como o foi na legenda do filme, já que Grandeza é uma palavra que de fato existe em português e não tiveram a coragem de traduzir corretamente, para “Maiszisse”):</p>
<blockquote>
<p align="left"><strong>The Mad Hatter</strong>: Have I gone mad?<br />
[<em>Alice checks Hatter's temperature</em>]<br />
<strong>Alice Kingsley</strong>: I&#8217;m afraid so. You&#8217;re entirely bonkers. But I&#8217;ll tell you a secret. All the best people are.</p>
</blockquote>
<p align="left"><strong><br />
</strong></p>
<blockquote>
<p align="left"><strong>The Mad Hatter</strong>: [<em>to Alice</em>] You used to be much more&#8230;&#8221;muchier.&#8221; You&#8217;ve lost your muchness.</p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/981/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=981&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre Loucura, Nostalgia e Passado</title>
		<link>http://enadamais.wordpress.com/2011/04/12/sobre-loucura-nostalgia-e-passado/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 15:58:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos Aleatórios]]></category>
		<category><![CDATA[Reminiscências]]></category>

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		<description><![CDATA[Ter a sensação de estar &#8216;loosing my mind&#8217; é recorrente&#8230; Acho que o dia que eu me sentir 100% centrada, é o dia da minha internação no IPUB like place mais próximo. Mas eu sempre estranho, sempre me pergundo quando foi que fiquei tão louca, e vez por outra esbarro nesses fragmentos que me mostram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=971&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/abestado.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-974" title="abestado" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/abestado.jpg?w=490" alt=""   /></a>Ter a sensação de estar &#8216;loosing my mind&#8217; é recorrente&#8230; Acho que o dia que eu me sentir 100% centrada, é o dia da minha internação no IPUB like place mais próximo. Mas eu sempre estranho, sempre me pergundo quando foi que fiquei tão louca, e vez por outra esbarro nesses fragmentos que me mostram que eu não fiquei, que eu sou, e meio que eu tenho orgulho disso.  Cada coisa boa que vivi foi vivida à exaustão. Cada coisa ruim que me aconteceu eu virei do avesso N vezes até algo bom sair dalí. E nunca, ao menos nunca depois de ter compreendido o material do que sou feita, me levei mais a sério do que precisava.</p>
<p>Isso talvez faça de mim uma adulta incompleta. O sistema me permeia mas não me engloba. Estou sempre na janela, meio corpo pra fora, meio corpo pra dentro, sob os gritos de fecha a janela, mas eu não vou fechar. Porque me rendo só o que é estritamente necessário, para comer amanhã, para vestir meus filhos, para lidar com o mundo dito real. E nem um milímetro a mais. Todo o resto não me interessa.<span id="more-971"></span></p>
<p>Com o passar dos anos isso pode me transformar numa velha patética, daquelas que quando criança a gente olha com o canto do olho e se pergunta: Ela não tem noção não?</p>
<p>Já respondo. Não tenho. Noção é pros chatos. É pra quem se contenta em estar &#8216;guardado por deus contando o vil metal&#8217;, é pra quem facetou a vida e jogou tudo que é bom no ontem, e talvez no amanhã. Talvez, porque ele pode não chegar. E eu não vou pagar pra ver.</p>
<p>Dito isso, me contento com pouco. Me conformo com pouco. E me sustento com pouco. Porque meus sonhos são pequenos? Não, porque eles não cabem nas coisas. E porque tudo é muito, muito mais do que parece. As coisas são embalagens que as vezes vem embaladas também, mas dentro delas, dentro do que parece ser só aquilo, abre-se um mundo de possibilidade, de segundos de contemplação ou júbilo, frutos da arte de revirar o mundo, até achar aquele &#8220;que&#8221; escondido que faz valer a pena. E tudo tem um &#8216;que&#8217; escondido. A gente só envelhece e fica com preguiça de revirar&#8230;</p>
<p>Ainda não acabou. Mas mesmo assim, de tempos em tempos a gente esbarra nesses momentos do passado, histórias soltas que contam histórias e bate essa nostalgia infinita. E parece que eu estou presa lá, mas não estou. Estou celebrando. Na minha loucura, que vem desde então, minha relação com o passado é quase a de um arqueólogo, revirando areia em busca de algo que tenha significado, me conte uma história, me faça compreender o hoje.</p>
<p>Em uma cortesia do @coredump que achou um blog que faziamos parte eu, ele, o @mariocaraujo, a @Y_7, a @thaisccaraujo, o @dthought e o @mlpsaraiva, um fragmento foi garimpado. Um que é muito signficativo, embora 99,99999% de chances de só ser significativo pra mim&#8230;</p>
<p>Significativo porque afirma com todas as letras:</p>
<p>a) Eu sempre fui louca<br />
b) Eu sempre construi coisas com a minha loucura<br />
c) Eu sempre revirei as coisas do avesso<br />
d) Eu sinto saudade dessas histórias e do que vinha com elas</p>
<p>Saudade, que essa sim, está presa ao passado. Se eu não estivesse aqui, no fim do mundo onde o vento fez a curva, ainda sentiria saudade. A maioria dos meus amigos virou respeitáveis cidadãos contribuindo com a sociedade e sem tempo para procurar o &#8216;que&#8217; escondido das coisas. Não os culpo. Eu tenho a minha parcela de falta de tempo também. Ou cansaço. Ou velhice. Mas o fato é que aquilo é só lembrança que me constrói. Importante mesmo é o que vem daquilo. No que transformamos aquela história. Eu quero transformar em algo grande e bom e novo e único. E por isso, sigo celebrando o passado.</p>
<p>Em algum momento, há 9 anos atrás:</p>
<blockquote><p>Chesty Blue (eu) : K-rai JC&#8230; PLEASE&#8230; ME INTERNA!!!!</p>
<p>Ele, JC, como queiram: interno&#8230; aonde e por exatamente?<br />
Chesty Blue : Juqueri?</p>
<p>Ele:: <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  ta tao grave assim?</p>
<p>Chesty Blue : Le o que eu acabo de publicar as 7:50 da matina e vc vai entender o pq<br />
(&#8230;) rasgação de seda desnecessária (&#8230;)<br />
EU TO SURTADA! EU DEI VIDA A PATINHA AZUL E TRISTE&#8230; A PUTA TEM NOME E EU FIZ UM TEXTO SOBRE ELA&#8230;EU TO SURTADONAAAAAAAAAAAAAAAAA!</p>
<p>Ele : perai.. mas ela nao eh vc? <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Chesty Blue : NAO JC.. ELA EH uma ruptura de mim. Ela é meu surto psicotico, porra! personalidade multifragmetada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! AHHHHHHHHHHHHHHHHH Ela nasceu do patinho azul. Eu tinha que projetar essa porra aqui dentro em algum lugar. Foi no patinho azul.</p>
<p>Ele : hmmmm ela é seu Tyler Durden, eh isso?</p>
<p>Chesty Blue : ISSSSSSSSSSSSSSOOOOOOOOOOO Perfeito&#8230; ela é meu Tyler Durden! Pelo menos ela não dah porrada na minha cara!</p>
<p>Ele : hahahahhahahaaahahahahhahaha<br />
q legal. quem sabe um dia vc vai acordar, vai ter um bando d pessoas estranhas na sua sala e&#8230; esquece, isso ja acontece todo fim d semana =P</p></blockquote>
<p>Buaaaa&#8230; Ainda surtando de tempos em tempos, mas sem, no momento, algum outro eu do eu multi-facetado ganhando vida própria e sem pessoas estranhas na minha sala todo fim de semana. Saudade disso. Mas isso me levou aqui e aqui? Já disse, né? Quem sabe onde me leva?!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:right;">(Fonte: ABESTADO, o blog: <a title="http://abestado.blogspot.com/2002_04_01_archive.html" href="http://abestado.blogspot.com/2002_04_01_archive.html" target="_blank">http://abestado.blogspot.com/</a> )<a title="http://abestado.blogspot.com/2002_04_01_archive.html" href="http://abestado.blogspot.com/2002_04_01_archive.html" target="_blank"><br />
</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/971/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=971&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Todos nós temos um passado&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 00:20:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reminiscências]]></category>

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		<description><![CDATA[A gente brinca: “Teu passado te condena!” Mas sério mesmo? A mim, sem a menor sombra de dúvida, ele me liberta.  Eu entendo, sério. Não sei se compreendo, mas entendo. Pega mal no trabalho, a patroa vai encrencar, o marido tá mordendo canto de parede e por aí vão as razões para colocar o passado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=965&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A gente brinca: “Teu passado te condena!” Mas sério mesmo? A mim, sem a menor sombra de dúvida, ele me liberta.  Eu entendo, sério. Não sei se compreendo, mas entendo. Pega mal no trabalho, a patroa vai encrencar, o marido tá mordendo canto de parede e por aí vão as razões para colocar o passado lá no fundo do baú mofado e cobrir com mantas do inverno passado. Ou pelo menos não querer que seja feita a associação direta&#8230; Entendo como entendo todas as pequenas diferenças que fazem com que você não seja eu&#8230;<span id="more-965"></span></p>
<p>Mas não é como ter um altar para fotos de ‘ex’ ou ter cometido um crime hediondo que finalmente é revelado (como enredo ruim de novela&#8230; opss, pleonasmo!). São mementos, resgatadas por terceiros que provam apenas e exclusivamente que tivemos um passado. Igualzinho a todo mundo. No qual vivemos romances, fizemos coisas bobas e divertidas, tivemos péssimo juízo estético na escolha do corte de cabelo e seguimos uma moda datada e ruim. São mais que memórias, são mementos, mas apenas isso.</p>
<p>E essas pequeninas coisas, que foram tão grandes outro dia mesmo, construíram quem eu sou. Como pessoa, como profissional, como ser humano na grande ordem cósmica  e no micro-universo. Eu não seria eu sem aquelas coisas. Seria um outro eu, pelo menos. Uma gêmea de mim mesma que viveu outra vida, outra história e, porque não há como se fugir, teve um outro passado. Outro passado cheio de outros romances, outras coisas bobas, outras modas de gosto duvidoso&#8230;</p>
<p>Mas já disse que entendo. E mais que isso, respeito. Respeito porque todas aquelas histórias, todas aquelas roupas (queria achar alguma foto minha de mini-saia jeans, camisa listrada laranja e meia-calça roxa, se sentindo linda, estando linda nem que fosse só naquele recorte de tempo, naquele instante congelado, naquela memória de ontem, um ontem de quase 30 anos atrás, mas ainda assim, ontem&#8230;), toda aquela vida criou em mim o respeito pelas nossas diferenças, respeito que talvez eu não cultivasse se não tivesse estado lá&#8230;</p>
<p>Então, enquanto faço a minha jornada de revisitar o passado, edito fotos, corto ex-amores, retiro marcações e guardo fotos que seria mais divertido compartilhar sempre que assim me pedem. Por respeito. E entendimento. Ainda que me falte a compreensão. Porque meu passado, com todos os seus deslizes, com todas esquisitices, com todas as suas tristezas e em toda sua glória e alegria, eu celebro.</p>
<p>E quando fica muito estranho, sempre posso recorrer à desculpa das desculpas, dita entre gargalhadas:</p>
<p>“Não era eu, eu não me lembro, eu era muito nova, me obrigaram, tava bêbada, eu precisava de dinheiro na época, nem tinha nascido <span style="text-decoration:underline;">e</span> já estava assim quando eu cheguei!”</p>
<p>Mas no fundo no fundo, orgulhosa de que era eu, e aquele eu desembocou nesse, e sabe-se lá em que eu desembocarei amanhã&#8230;</p>
<div id="attachment_966" class="wp-caption aligncenter" style="width: 491px"><a href="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/rbn0110-estilo05.jpg"><img class="size-full wp-image-966" title="RBN0110-estilo05" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/04/rbn0110-estilo05.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Confesso: Casaco de ombreiras e batom vermelho. Mas se usarem contra mim, Não era eu, eu não me lembro, eu era muito nova, me obrigaram, tava bêbada, eu precisava de dinheiro na época, nem tinha nascido e já estava assim quando eu cheguei!</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/965/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/965/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=965&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Polêmica, eu quero uma pra viver (Ou “O Twitter grunindo contra a Bethânia”)</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 20:09:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesses tempos de mídia social e profundidade de pires do avesso em 140 caracteres, todo dia temos uma polêmica nova. Eu passo ao largo dos tais trends, e quase sempre sou marido traído, o último a saber&#8230; Do que estão falando mesmo? Ah tá&#8230; Então tá. Mas às vezes pego a discussão no começo, ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=956&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet/" target="_blank"><img class="alignleft size-full wp-image-957" title="LEI-ROUANET" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/03/lei-rouanet.jpg?w=490" alt=""   /></a>Nesses tempos de mídia social e profundidade de pires do avesso em 140 caracteres, todo dia temos uma polêmica nova. Eu passo ao largo dos tais trends, e quase sempre sou marido traído, o último a saber&#8230; Do que estão falando mesmo? Ah tá&#8230; Então tá.</p>
<p>Mas às vezes pego a discussão no começo, ao invés de tentar tomar o bonde já a meio caminho, pendurada no estribo, quase caindo nos trilhos. Quando é assim, a meio caminho do esgotamento natural da polêmica vazia (que morre em si mesma, silenciosamente e sem aviso prévio), prefiro nem me meter. Mas ok, as vezes pego a discussão no começo.</p>
<p>A polêmica do dia é&#8230; Maria Bethania e a lei Rouanet.</p>
<p><span id="more-956"></span></p>
<p>Alguém leu a notícia, entendeu tudo errado, saiu twittando e que nem brincadeira de criança, o telefone sem fio foi deturpando a história e rapidinho já era que a Bethânia tinha embolsado 1,3 milhões para fazer um blog&#8230;</p>
<p>Saramago (como o Mário bem me lembrou) já havia previsto a era dos grunidos, e quem se ofendeu na época já está começando a ter que concordar&#8230; Parem de grunir gente. PAREM! São 140 caracteres, mas não precisa ser 140 gemidos indecifráveis e inteligíveis repetindo bobagens alheias.  Se vai reclamar, reclame da sua vida (eu sei, eu sei, eu e meus #mimidris), ou do que você sabe de fato, e não por ler o RT do RT do RT do cara que leu a notícia e teve uma síncope neuronal e por isso entendeu tudo errado&#8230; Preguiça demais dá câncer, ou grunidos no Twitter. Nunca sei qual dos dois. Tô achando que os dois.</p>
<p>Para começar, pelo menos metade de quem deu RT na suposta notícia do blog milionário nem sabe quem é a Maria Bethânia. Maria Bethânia Viana Teles Veloso é a irmã do Caetano Veloso (Não sabe quem é? Morre&#8230; diabo!) e é a 2ª maior cantora brasileira em vendagem de discos.  Na década de 70 (literalmente no século passado) ela foi fundadora e integrante do grupo musical Doces Bárbaros, junto com o irmão Caetano, e Gal Gosta e Gilberto Gil.  Independente de se gostar ou não da figura ou da artista, ela é um ícone da MPB, e dona de uma voz única e singular&#8230;</p>
<p>Então não estamos falando da Xuxa (e seus duentes duendes, que também foram financiados pela lei Rouanet!), mas de alguém com um histórico engajado que é parte da construção cultural brasileira. De novo, não precisa gostar, mas é preciso dar-lhe o devido crédito.</p>
<p><strong> O PROJETO</strong></p>
<p>Maria Bethânia submeteu para aprovação um projeto onde 365 vídeos (não 1, nem 10)  feitos e dirigidos com qualidade profissional (direção de <strong>Andrucha Waddington</strong> e produção da Conspiração Filmes), em um website (não blog, website&#8230; não sabe a diferença? Então né? É a tal era do grunido!) chamado <strong>“O Mundo Precisa de Poesia”. </strong>E vai você discutir que não precisa?</p>
<p>Caro? Não discuto. Poderia ser feito de forma mais modesta e mais intimista? Definitivamente. Necessário? Bom&#8230; vamos entrar em outra história agora. Uma bem séria!</p>
<p><strong>CULTURA PARA QUEM PRECISA DE CULTURA</strong></p>
<p>É, “<em>a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.</em>” (Titãs) Cultura é um bem, uma necessidade e um direito. Um povo sem cultura grune no twitter. Agora, o  que diabos é cultura? Quanto ela custa?  O quanto ela vale?</p>
<p>A Lei Rouanet tem falhas. Não sou ingênua a ponto de achar que não. Mas seu mecanismo de aprovação de projetos é, ao menos em tese, burocrático. Qualquer projeto pode ser submetido, há questionários maçantes a serem preenchidos, há o período de espera de aprovação que infelizmente varia de acordo com a quantidade de gente que se conhece lá dentro, mas se um projeto estiver dentro dos parâmetros da lei, mais cedo ou mais tarde ele é aprovado. Ou devolvido para reformulação&#8230; Mas como eu disse, em tese, a coisa é burocrática. A Xuxa, ou eu, podemos submeter projetos. E se estiver tudo nos conformes, ambas termos nossos projetos aprovados.</p>
<p>Isso não significa que eu e a Xuxa sairemos com o dinheiro no bolso. E aí, a história da hashtag <strong>#DevolvaoDinheiroBethania</strong> é o supra-sumo da ignorância. Ela não tem dinheiro pra devolver não, criança&#8230; ela só recebeu a autorização de captar recursos através da lei. Ou seja, uma empresa PRIVADA pode patrocinar o projeto cultural dela e receber um abatimento no imposto de renda. O que, você pode grunir: OH, viu, é menos imposto&#8230;. , mas é dinheiro que vai pra cultura, não necessariamente da qual você é o publico alvo, mas cultura, disse e repito, é cultura.  Continuando&#8230; Significa que poderemos captar recursos para nossos projetos em empresas privadas e essas empresas terão ao menos algum interesse em investir em nossos projetos porque receberão, além do abatimento no imposto de renda, publicidade, e no fim das contas, gastarão a mesma quantidade de recursos que gastariam se não patrocinarem, menos a publicidade&#8230;</p>
<p>Resumindo,  essa percentagem em cima do valor pago ao IR, seria revertida em projetos culturais de um jeito ou de outro, porque é muito mais vantajoso para uma empresa, se ela vai pagar X de imposto de qualquer maneira, pagar X-Y, e investir Y na cultura, tendo a publicidade como retorno indireto.</p>
<p>Aí a discussão pode enveredar para alguns caminhos que de fato procedem. 1,3 milhões investidos no projeto da Bethania, significa 1,3 milhões que deixarão de ser investidos em “N” projetos menores, menos famosos, etc&#8230;  Vou ter que concordar. É onde a lei falha, e falha muito.  Uma empresa que tenha, para arredondar, 1,3 milhões para investir sob a lei Rouanet, vai preferir 1 projeto da Bethânia, que é conhecida e dá repercusão, do que 100 projetos diferentes de ilustres desconhecidos. O que é por definição, injusto.</p>
<p>Mas isso não desmerece o projeto da Bethânia, ou sua relevância, ou não nos dá direito de dizer que o projeto dela é caro demais, ou não nos interessa pessoalmente e por isso não deveria ter sido aprovado para captar recursos. Por que se a gente fizer isso, bom , isso tem um nome, um nome que os intelectolóides tuiteiros adoram gritar contra&#8230; Chama-se CENSURA.</p>
<p>Talvez a lei tenha que ser repensada. Talvez entre os requisitos tenha que haver uma certa limitação dos recursos de um único projeto, para que mais projetos (e não projetos maiores) sejam viabilizados pela lei no decorrer do ano fiscal. Talvez uma porção de coisas&#8230; mas de talvez não se faz a história.</p>
<p>Como já foi dito, qualquer um pode submeter um projeto. Qualquer um pode ter seu projeto aprovado. Qualquer um pode conseguir captar os recursos necessários. A maioria prefere reclamar de quem faz&#8230;  E mesmo eu não sendo o exato público alvo da Bethânia (a mais recente&#8230; já admirei muito em um passado remoto, e quem sabe o que ela vai de fato apresentar nesse projeto? Quem sabe eu não vire fã?), vamos combinar? Sob o risco de soar elitista e estar fazendo a minha própria censura particular, antes a Bethânia com seu vozerão recitando poesias e cantando canções num website (a internet é mais que blogs, twitter, facebook e Orkut&#8230; Acredite!) do que a Xuxa com duendes duentes no cinema&#8230;<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/956/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=956&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O grande e incomensurável abismo do HD (ou Nietzsche, be proud!)</title>
		<link>http://enadamais.wordpress.com/2011/03/05/o-grande-e-incomensuravel-abismo-do-hd/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 22:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O fato da minha vida ter se tornado uma comédia de erros, quase um pastelão com direito a torta na cara e tudo mais, falarei depois (ou não), num post que está ensaiado para tomar vida e nunca toma&#8230; Mas só sobre TODO o conteúdo de meses de trabalho perdido, e um HD formatado às [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=949&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/03/mental.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-950" title="mental" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/03/mental.jpg?w=490" alt=""   /></a>O fato da minha vida ter se tornado uma comédia de erros, quase um pastelão com direito a torta na cara e tudo mais, falarei depois (ou não), num post que está ensaiado para tomar vida e nunca toma&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas só sobre TODO o conteúdo de meses de trabalho perdido, e um HD formatado às pressas, algumas palavras&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Eu sou uma pessoa confusa. Mesmo. Eu preciso fazer listagens e similares antes de procedimentos radicais justamente porque, de outra maneira, nunca sei por onde começar. Então, sempre antes de formatar um HD, há o backup de tudo que é possível, e listas dos programas a serem baixados novamente, lista de senhas que não devem ser esquecidas, fazendo um grande mapa mental, só que por escrito, de tudo que vou precisar fazer depois.<span id="more-949"></span></p>
<p style="text-align:justify;">E então de repente, meu HD precisa ser formatado em caráter de urgência, e tudo é perdido. Algumas coisas pra sempre. Outras por milagre e graça, são encontradas aqui e ali. Mas o processo, a reconstrução, o caminho para voltar a ter um ambiente de trabalho funcional, é que é o X da questão.</p>
<p style="text-align:justify;">Um grande branco, comparável ao agora espaço vazio no HD formatado, se instala. Eu não lembro o que é essencial. Eu não sei por onde começar. Eu fico tateando e olhando desolada aquele espaço vazio sem uma lista de tarefas para preenche-lo novamente, e não saio do lugar. Começo uma tarefa e percebo o quanto ela é inútil sem um passo anterior, que esqueci, e preciso recomeçar. Faço a tal coisa e lembro no meio do caminho que não uso mais aquele programa, mas outro, similar e melhor. Apago. Começo de novo, e esqueço qual a senha do servidor para fazer o FTP funcionar, ou o programa de email do marido (eu, com a graça de deus, uso Gmail, e a cada formatação, planejada ou forçada, apenas agradeço por essa prévia e sábia decisão). Descubro que o técnico instalou versões erradas de vários programas básicos, e agora eu preciso de novas versões ou os poucos arquivos que havia backup e não foram perdidos não podem ser abertos. Tudo isso passando em fast forward na minha cabeça e eu não acho o botão do pause, nem por decreto lei&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">E as horas passam e o vazio ainda me encara, quase em desafio. Ao fundo, é possível ouvir algo que se assemelha a uma risada malévola: é o HD funcionando em tom quase de deboche, me questionando se eu sei quando ele vai me deixar na mão de novo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse meio tempo, o trabalho se acumula, o espaço vazio do HD (e da minha mente) permanecem, e eu fico lá, olhando o abismo que me olha de volta&#8230; <em>Nietzsche </em>ficaria orgulhoso de mim. Ou não.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/enadamais.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/enadamais.wordpress.com/949/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=949&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Meu nome é Khan, e eu não sou um terrorista</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 02:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou fã do cinema Bollywood. Por isso por muito pouco o filme não me escapa. Agradeço a minha inabilidade a lidar com minha recém adquirida SkyHD e ter apertado o botão errado no controle remoto. Era começo da madrugada e assisti um trecho, justamente quando Khan conhece Mandira. Ele era tão pueril, doce, que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=enadamais.wordpress.com&amp;blog=13400020&amp;post=931&amp;subd=enadamais&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não sou fã do cinema Bollywood. Por isso por muito pouco o filme não me escapa. Agradeço a minha inabilidade a lidar com minha recém adquirida SkyHD e ter apertado o botão errado no controle remoto. Era começo da madrugada e assisti um trecho, justamente quando Khan conhece Mandira. Ele era tão pueril, doce, que fiquei uns instantes assistindo. Em dado momento ele dá um piti com um casaco amarelo da Mandira e me lembrei de uma amiga. Fiquei curiosa de ver como o filme ia se desenrolar, e o gravei para assistir mais tarde. Fico muito feliz que eu tenha feito isso.</p>
<p style="text-align:justify;">Contém alguns spoilers. Não o suficiente, eu acho, para estragar o filme, mas é sempre bom avisar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/02/my-name-is-khan_001.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-932" title="my-name-is-khan_001" src="http://enadamais.files.wordpress.com/2011/02/my-name-is-khan_001.jpg?w=490" alt=""   /></a><span id="more-931"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O filme é uma grata surpresa. Dos recursos narrativos, onde presente e passado, pela narrativa de Khan, se misturam, até se encontrarem e rumarem ao futuro, às atuações, convincentes e tocantes. Khan é um autista funcional, portador da síndrome de Asperger, muçulmano, que se apaixona por uma indiana em São Francisco, nos Estados Unidos, antes de 11/09. Ele é apaixonante, por essência e por definição. Sua inabilidade em compreender figuras de linguagem nos rende momentos deliciosamente engraçados e sua persistência mesmo frente às adversidades nos dá grandes lições. Se o filme parasse por aí, ainda assim valeria a indicação, pela forma delicada de lidar com o complicado tema das diferenças, que, segundo a mãe de Khan inexistem. Seu maior ensinamento para o filho, antes de morrer por seu coração ter ficado grande demais (o que é em si quase irônico) foi justamente que as pessoas, todas elas são iguais e se dividem em 2 únicos grupos: as boas, que fazem coisas boas e as más, que fazem coisas más. Todo o resto, como nacionalidade, credo, cor da pele, posicionamento político, preferência sexual ou o que for, simplesmente não importam. E é este ensinamento que guia Khan, da primeira à última cena do filme.</p>
<p style="text-align:justify;">Para Khan, a palavra dada é mais que sagrada, e ele promete à mãe, antes de sua morte, ser feliz. E quando ele encontra a felicidade plena, a cerca de metade do filme, o sentimento de redenção que nos provoca é arrebatador. Torcemos por ele. Vibramos por ele. Nos alegramos por ele.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma reviravolta oferece uma nova camada à história: depois de 11/09, as adversidades ao agora casal Khan e Mandira, e o filho dela, Sam, agora chegam em avalanches, tomam proporções gigantescas e culminam em uma tragédia inenarrável, fruto do pré-conceito, da ignorância, do ódio e da mesquinharia humana. Em meio à dor da tragédia, Khan interpreta literalmente uma figura de linguagem e toma como missão de vida encontrar o presidente dos Estados Unidos e dizer: Meu nome é Khan, e eu não sou um terrorista. Esta frase, literal e simbolicamente, seria o caminho de volta ao coração agora repleto de ódio de sua amada Mandira.</p>
<p style="text-align:justify;">Começa uma longa jornada surreal em nome do amor. Um jornada que não mede esforços, que não tem limites, uma força incapaz de ser barrada ou detida, não importa pelo que.  As situações em que Khan se coloca são as mais inóspitas e surreais possíveis, e culminam em sua prisão, por suspeita de terrorismo. Justo ele, que iniciou todo esse esforço justamente para dizer que não era um terrorista. Sua história chama atenção de um jovem aspirante a jornalista, que move céus e terras para convencer a mídia a lhe dar atenção, o que, ao acontecer, provam a inocência de Khan e geram sua libertação.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora o mundo conhece Khan, e ele fez sua palavra ser ouvida. Esse é seu nome, e ele não é um terrorista. Mas não basta. Ele precisava cumprir sua palavra ao pé da letra, e dizer isso ao presidente dos Estados Unidos. Mas nem sua inabilidade de entender as tais figuras de linguagem e nem sua urgência em se reunir com Mandira interferem em suas noções de prioridade. Alguém precisa dele, em outra parte do país, alguém que lhe deu a mão quando ele precisou, e Khan se desvia do seu caminho para oferecer ajuda, e mobiliza dúzias de pessoas no processo, numa belíssima lição de solidariedade.  O suficiente para provocar ondas de amor, culpa, remorso, redenção&#8230; e infelizmente, também de ódio.</p>
<p style="text-align:justify;">Em mais uma reviravolta, nos vemos de coração apertado, torcendo para que seja um daqueles filmes de final feliz. Por sorte, é. E Khan completa sua jornada e nós, completamos com ele. Renovados. Quase esperançosos. E definitivamente envergonhados de não sermos 1/10 do homem que ele é.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme é lacrimoso, admito. Beira o piegas em alguns momentos (alguém me ouviu soluçar?!). É um drama na mais fiel acepção da palavra, e muita gente foge de drama como o diabo da cruz.  Mas é lindo. E puro. E nos dá uma sensação necessária: se um homem como Khan pode existir nem que seja na imaginação de um roteirista, a raça humana talvez tenha salvação. Se aquelas questões que o filme levanta, de igualdade, solidariedade, amor sem limite e sem fronteira e fé inabalável, são questões relevantes para alguém, talvez, só talvez, nem tudo esteja perdido. Talvez eu não precise me isolar em uma ilha deserta com meus cachorros. Talvez apesar dos incontáveis reacionários, preconceituosos, racistas, intolerantes e preguiçosos que povoam a terra, uma semente boa esteja sendo plantada, nesse segundo, em algum lugar. E quem sabe, florescerá. Talvez eu possa até ajudar regando-a. É um sopro de ar fresco pensar nisso&#8230; E todos nós precisamos de sopros de ar fresco de quando em quando.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Meu nome é Khan (My name is Khan)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Um filme indiano de 2010</p>
<p style="text-align:justify;">Direção: Karan Johar</p>
<p style="text-align:justify;">Roteiro: Shibani Bathija e Niranjan Iyengar</p>
<p style="text-align:justify;">Elenco: Shahrukh Khan e Kajol</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong><em>OBS1:</em></strong> Khan, sobrenome do ator e do personagem, é um sobrenome muçulmano comum, como é Silva por exemplo, para brasileiros. Alias, por ter esse sobrenome, o ator experienciou uma desagradável passagem do filme, ao vivo e a cores, em sua vida real: foi revistado e detido no aeroporto por nenhum outro motivo exceto se chamar Khan&#8230;</p>
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<p style="text-align:justify;"><em><strong>OBS2: </strong></em>Uma das razões deu não ser muito fã do cinema Bollywood é justamente a duração de 3 horas (ou quase isso) que é uma rotina nesse estilo. Normalmente eu sinto o filme pesar da metade pro final, e fico olhando o relógio para ver se ainda falta muito, por melhor que seja a história (e como raramente a história em si me atinge, o tempo passa ainda mais devagar!). Não é o caso de Meu Nome é Khan, que ocupa muito bem suas quase 3 horas de duração com detalhes relevantes dos motivos e da jornada em si. Nada é jogado. Nada é por acaso. E nada é desnecessário. Uma ótima edição, portanto, também.</p>
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