Vez por outra há algo dentro da gente que se quebra. Não um arranhão, ou uma pequena lasca, naturais do desgaste do tempo, mas simplesmente se quebra. Se parte em zilhões de pequenos pedaços, que não bastasse a perda, também causam seu estrago.
Nessas horas os poetas escrevem lindos versos, destilam a dor, fazem o mais bonito soneto jamais escrito, até o próximo poeta que sofre a perda. Eu? Nessas horas me perco também. Porque meu melhor é tão pouco, não basta, não sustenta, não cura, não nada. Eu? Justamente ao contrário dos (ai que inveja) poetas, sinto as palavras indo embora, não-ditas, quebradas.
Comigo fica o silêncio. E o silêncio é outra perda em si.
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