Houve um tempo que eu gostava do horário de verão. Eu tinha saias brancas rodadas e muitos sonhos que rodavam junto. Os primeiros dias, onde o sol dizia ainda não, e o relógio dizia sim, eram o preço a pagar pelos últimos, noite alta a se despedir do sol com canções de boas vindas à lua. E no fim de tudo, porque nunca havia sentido que haviam me roubado uma, a hora de presente, extra, nova, para rodar a saia e sonhar.
Depois a vida era outra. O dia era curto. Era então só o pesadelo das crianças insones e sonadas. Não dormiam porque ainda era cedo sem ser. Não queriam acordar, ainda era cedo sem ser. O corpo desregulado, sem horários, sem noção. Mas no último dia me concediam de volta a hora roubada, para dormir ou viver, como bem me aprouvesse.
E a vida mudou outra vez. Hoje foi só essa hora a mais, que não pedi e não queria. Leva de volta. Essa, e outras mais. A hora devolvida foi a errada, torta,morta. Já se foi e eu nem vi. Quero outra hora, não essa. Quero a hora onde haviam saias para rodar.







